quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Natal de cada um


A criatividade anda solta na hora de produzir os cartões de Natal. Grupo Galpão colocou a carinha de cada ator dentro de bolas, formando a árvore. Ronaldo Fraga mandou anjinhos. Sempre Um Papo sugeriu mais leitura para o ano que vem. Amigos enviam as mais variadas mensagens por todas a mídias...o
Ho Ho Ho
chega por celular, facebook, twitter... A minha sugere confiança e coragem para alçar voos bem altos em 2010, além de um mágico Feliz Natal.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aspas de Nelson Motta


Na semana passada, esse jornalista, produtor cultural e escritor, esteve em BH para lançamento do livro "Força Estranha". Estive presente em algumas entrevistas e na conversa do Sempre Um Papo. Acompanhe algumas aspas de Nelson Motta:
Livro
"Quando sugeri o nome para a editora, eles adoraram, mas já vieram com a preocupação do Caetano não gostar. Me sinto parte da família de Dona Canô...Quando perguntei ao meu amigo se poderia usar o nome da letra de sua música e ele respondeu: "É uma honra!".

"A capa já é um anúncio do livro. São chamadas como em um jornal popular."

"São 10 histórias e um mistério. Uma força estranha une a todas no final. Eu torço para que as pessoas leiam, indique aos amigos por e-mail e eles também leiam e divulguem".
Literatura
"Ninguém vai me ouvir dizer "minha obra". Quero divertir as pessoas. É muito difícil uma obra divertir e ser literária ao mesmo tempo. Tenho amor e respeito pela literatura, mas meus livros são pop. Me irrita escritores vagabundeiros que enchem a boca para falar "minha obra"".

"Já temos escritores insuperáveis. O que vale hoje é uma boa história".

"Eu já me expressei muito em letras de músicas. A maior alegria do compositor é quando a música deixa de ser sua e vira do povo. Como "Como uma onda", "Bem que se quis" e por aí vai.

"Fui amigo pessoal do Nelson Rodrigues, fomos muitas vezes juntos ao Maracanã. Uso expressões dele. A segunda história do livro traz um canalha rodriguiano, daqueles que não respeita nem a cunhada".

"Na escola, fui reprovado duas vezes em português. Eu mudei de profissão por causa do Zuenir Ventura, que foi meu professor na Faculdade. Ele é um grande mestre".
Produção musical
"Não tenho como nem ver todo o material de música que recebo. São mais de 400 por mês.Se recebo por e-mail, vou deletando. O que consigo selecionar vai para meu programa de rádio Sintonia Fina, distribuído por várias rádios do país. Mas não me mandem nada, eu não tenho tempo e nem posso ser produtor musical de todo mundo".

"Conhecia de longe o Pato Fu, ainda morava fora. Foi uma ironia, gostei da elegância do casalzinho. Quando conheci a Fernanda e ela foi me dizendo que sabia várias letras da Nara de cor, eu a convidei para fazer o CD. Ficou lindo. É impressionate o que ela consegue fazer com aquela vozinha, mansa. Ganhamos o disco de ouro por 50 mil cópias vendidas."

"O mundo da música mudou muito. Tenho três discos de ouro na minha parede: 150 mil, das frenéticas; 100 mil, com Marisa Monte; e 50 mil, com Fernanda Takai..."
Tim Maia
"O livro do Tim Maia vendeu 130 mil cópias. O audio livro vendeu 12 mil. E é muito mais legal que o escrito. Lá, eu narro e quando o Tim fala eu o imito, faço aquele vozerão dele. Tim foi a pessoa que mais me fez rir na vida. Eu adoro o Tim. Ele é chapa preta. Se eu o apresentasse como bom moço ele ia voltar e puxar minha perna de noite. É um personagem imenso. O livro vai virar filme, dirigido por Rodrigo Teixeira com roteiro de Antonia".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Conversa com Ronaldo Fraga

No início de novembro, conversei com Ronaldo Fraga sobre o diferencial da moda que é produzida em Minas, o típico consumidor de suas peças e como se vestir bem. Acompanhe a conversa.
A moda feita em Minas tem um deferencial?
Ronaldo Fraga - Aqui, você vê muito clara a mão humana. O feito a mão. Mesmo a roupa produzida em larga escala, mesmo a roupa de produção industrial ela carrega aqueles vestígios de produzido um a um. Nós ainda temos bons costureiros, bons alfaiates, profissional em extinção, mas aqui ele ainda existe.
Tem como andar na moda sem gastar muito?
Ronaldo Fraga - Mas é claro, é claro! É até facil você comprar uma roupa muito cara, é fácil você fazer uma coisa diferente com uma roupa mais barata. Mas o difícil é você ter o domínio de sua própria máscara, do personagem que você quer construir. E entender que isso é uma grande brincadeira e que pode se tornar uma diversão diária, essa construção do personagem. Acho que as pessoas deviam sofrer menos na hora da escolha dessa roupa.
Das pessoas públicas, quais você classifica como mais bem vestidas?
Ronaldo Fraga - Eu não tenho muito isso de bem vestida. Eu tenho mais de postura ética. Quando você gosta muito de uma figura, ela nunca vai ser mal vestida. Mesmo que ela use algo que você não gosta disso ou daquilo, você vai falar: “nossa, nela ficou tão bem”. A estilista inglesa Vivienne Westwood fala: “a roupa sempre vai cair melhor em uma pessoa inteligente”. Então, assim, a Fernanda Montenegro, tem jeito de ser brega? Não tem. Chico Buarque, tem jeito de ser brega? Não tem. Tanta gente que a postura ética e política é tão maior, que a roupa vira um detalhe e outras vêm a frente.
No seu trabalho você utiliza a moda para críticas socias e também homenagens...
Ronaldo Fraga - Eu falo principalmente de cultura brasileira. Eu acho que o melhor produto que o Brasil tem é a sua cultura. Quem dera que a moda, espero, chegue a alcançar o produto música do Brasil, ou a culinária. Então não dá mais para você desenvolver um produto de moda pensando só na roupa, de olho na tendência lá de fora. Precisamos criar outros caminhos, outros mecanismos para vender muito mais que roupa. Através da moda podemos vender um país inteiro. A história e a cultura de um país. Então, você viu e vai ver em todas as minhas coleções. Às vezes falo da crítica do tempo em que a gente está vivendo, como a da América Latina, que fiz agora (A Disneylândia de Ronaldo Fraga); ou olhar para a obra de pessoas ou de figuras que fazem muita falta pela sua ética ou postura artística, como por exemplo, Nara Leão. Então, o tempo inteiro eu falo com o meu consumidor, com as pessoas, que a moda é um instrumento poderosíssimo neste sentido.
Qual é o estilo do público que consome Ronaldo Fraga?
Ronaldo Fraga - São pessoas que no geral são formadoras de opinião dentro do grupo em que vivem; são pessoas que se emocionam, se enloquecem, “cortam o pulso” pela emoção da cultura brasileira; amam literatura brasileiraç são pessoas que têm o domínio de sua própria máscara; e são pessoas, a maioria delas, que na infância ou na adolescência eram consideradas no mínimo estranhas no meio deles.
E sua coleção para crianças?
Ronaldo Fraga - É a Ronaldo Fraga para filhotes. Foi lançada há oitos anos, quando estávamos para ganhar nosso primeiro filho, o Ludovico. Quando nasceu o bebê era tudo horrível. Eu falei “nossa, mas até hoje estão fazendo rosinha para meninas, azul para meninos. Não, vamos fazer umas coisas mais vibrantes.” Fizemos. Eram lançadas entre uma coleção e outra, então dava tempo de produzir. Os amigos foram pedindo e os amigos dos amigos... Daí, abri um conerzinho na loja de Belo Horizonte. A imprensa descobriu e começou a divulgar, os artistas que foram tendo filho começaram a pedir. E já estamos na quinta coleção, lançamos com pedido, e estamos com 120 pontos de venda no Brasil.
Suas lojas estão em Belo Horizonte e São Paulo?
Ronaldo Fraga - São lojas próprias, com masculino, feminino e infantil.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Thaïs Helt no MAO


A artista plástica mineira comemora 30 anos de carreira com a exposição "Thaïs Helt: Ofício Gravura", em cartaz de 03 de dezembro a 24 de janeiro no Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte. No local está montado parte de seu ateliê e os visitantes podem ver como é processo de produção da gravura. "Sempre gostei da linguagem, do ambiente que envolve a prensa, a pedra litográfica. Descobri este caminho e fiquei nele", disse ontem no evento de abertura que contou com cerca de 100 pessoas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Zuenir Ventura na Contigo!


O escritor esteve em BH participando do Sempre Um Papo e conversou com a Contigo sobre sua relação com a cidade e anunciou seu próximo livro "Sagrada Família", com publicação prevista para 2010.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Carpinejar é entrevistado pelo Twitter

O poeta Fabrício Carpinejar acaba de lançar o livro "www.twitter.com/carpinejar", reunindo cerca de 400 postagens suas no Twitter. A Folha on line fez matéria sobre o tema e utilizou a ferramenta para conversar com o autor.
Entrevista Carpinejar

Cabeza de Vaca, por Paulo Markun





Este jornalista que apresentou por 10 anos o Roda Viva e agora preside a Rádio e TV Cultura, esteve em BH para lançar o livro "Cabeza de Vaca". O título refere-se ao sobrenome do conquistador espanhol Dom Álvar Núnez. Na argentina ainda há família que o utiliza. No bate-papo com Markun, ele justificou o interesse pelo tema, que é realmente muito interessante.

A figura tornou-se soldado aos 13 anos; foi alcoviteiro - sempre portador das boas novas-; conquistador - sem deixar herdeiro, Markun não encontrou familiares que valessem participar da história ou que podem ter interesse em receber a obra-; Náufrago - sobreviveu a três naufrágios-; curandeiro - curou centenas de índios, atravessou, nu e descalço, parte dos atuais Estados Unidos e México, voltou à Espanha e obteve um cargo como recompensa. Depois de nova viagem, tomou posse de Santa Catarina, na condição de seu primeiro governador. Depois, ele mesmo escreveu sua história em "Naufrágios e Comentários" — obras pioneiras da literatura de viagens. Isso tudo por volta dos anos 1530.

E não é que no meio da conversa, na Sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes, um gato miava descontroladamente. Paramos um pouco para procurar o bichano. Nada. "Deve ser um aviso do Cabeza de Vaca. A vida dele já foi salva por um grilo. Dizem que um embarcação que estava ia bater em rochedos quando um grilo começou a cantar e acordou os tripulantes que lançaram âncoras, impedindo o naufrágio", disse o bem humorado Markun.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Francelino Pereira



Linda imagem do ex-governador de Minas, Francelino Pereira em período de campanha. Abaixo, registro do fotógrafo Jackson Romanelli, na sessão de autógrafos do livro "O Chão de Minas - Política, Paixões e Livros na Extraordinária Aventura Vivida por Francelino Pereira", lançado pelo Sempre Um Papo, em 27 de novembro de 2009.

domingo, 29 de novembro de 2009

Dia de despedida


Neste domingo, 29, o jornalismo mineiro acordou com a triste notícia do falecimento do querido repórter Alécio Cunha, da equipe do caderno Cultura, do jornal Hoje em Dia. Como não podia ser diferente, rapidamente os amigos espalharam a notícia. Além de telefonemas, recebi pelo menos cinco mensagens falando do colega. O mais frequente foi a exaltação do comprometimento com as pautas, da facilidade em narrar os mais diversos assuntos ligados à cultura, seja o cinema, a música, as artes plásticas e sobretudo a literatura. Um intelectual respeitado pelos colegas, um escritor com livros publicados e que deixou uma obra pronta para ir à gráfica. "No dia do lançamento do meu livro ele comentou que queria que eu fizesse a orelha de um novo dele que estava para sair. Poucos dias depois ele adoeceu, teve o AVC", disse o jornalista e também escritor, Kiko Ferreira, na despedida.

Fica a saudade de nossas marcações de entrevistas com autores, das longas conversas ao telefone para discutir os próximos lançamentos do Sempre Um Papo ou para contar sobre as peripécias literárias de nossos filhos. Oratória linda do padre na despedida, finalizando com o texto de Guimarães Rosa e os amigos cantando sob uma chuva fininha a Canção da América.

Na foto, Alécio com o filho João, recebendo o autógrafo de Kiko Ferreira.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cobertura Minas Trend Outono/Inverno 2010

A matéria publicada pela Contigo, com fotos está no link Jeito Mineiro na Passarela

domingo, 22 de novembro de 2009

A Bela e a Fera no Palácio das Artes


De 10 a 13 de dezembro o musical dirigido pelo italiano Billy Bond estará em cartaz no Palácio das Artes em Belo Horizonte. O clássico infantil traz muitos efeitos em 3D, técnicas de ilusionismo e tecnologia de ponta. Sou a assessora de imprensa responsável em BH.

domingo, 8 de novembro de 2009

Cobertura Minas Trend Preview Outono /Inverno 2010

Na semana que passou, fiz a cobertura do evento para a revista Contigo. Compartilho matéria completa abaixo.

Ronaldo Fraga evidencia cultura mineira em festa de abertura


A 5ª edição do Minas Trend Preview ocorrida em Belo Horizonte, de quarta-feira a sábado (04 a 07), teve a cultura mineira como foco principal da festa de abertura, realizada na noite de terça-feira (03), sob a curadoria de Ronaldo Fraga. “Moda só é moda quando ela vende mais que roupa. É quando ela vende a história, a cultura, o sentimento do lugar”, justificou o estilista. Os cerca de 1200 convidados, incluindo uma lista generosa de celebridades, conferiram a vocação artesã do Estado já no hall de entrada, onde uma instalação de bonecas gigantes feitas em lata, reinavam sobre tapetes de serragem, comuns nas festas religiosas. Roupas em tule branca balançavam em varais; um enorme mural de fuxicos e uma fileira de grandes bonecas de roca compunham a decoração. O tema “Oficina” foi o escolhido para a noite. “Eu quis valorizar o detalhe, o que é feito à mão, o um a um. Isso você observa da comida servida, ao buquê de ervas entregue aos convidados”, contou Fraga. Móbiles com imagens do Divino Espírito Santo formavam um lindo bando de pássaros, que se moviam à medida que as modelos desfilavam na passarela. “O que sobrar eu quero para minha casa”, gritou a modelo Mariana Weickert, em cima da passarela, pouco antes de gravar com o estilista para seu programa no canal GNT Fashion.
Com trilha de Milton Nascimento e grupo Uakti, 31 marcas de vestuário, calçados e acessórios deram uma prévia do Outono/Inverno 2010. A edição dos looks, assinada pelo stylist Daniel Ueda, misturou as conhecidas Victor Dzenk, Graça Otoni e Coven a grifes mais novas, dando um grande panorama do que é produzido no Estado. Fraga não deu um preview de sua coleção “ainda não dá para adiantar, vai que eu resolvo mudar no meio do caminho”, justificou rindo. Na passarela, prevaleceram os tons de preto, cinza, branco, nude e ouro-velho. Modelos com sobrancelhas e lábios negros e arranjos escuros nos cabelos exibiam modelagens com brilhos, aplicações, tiras, babados, laços, franjas e rendas. “Da minha marca apareceram os brocados, o tricot que é uma novidade, os adamascados e a alfaiataria”, observou Dzenk da plateia.

Negócios
Esta foi a maior edição do evento já realizada, com 163 grifes, incluindo vestuário, acessórios, bolsas e calçados, com 470 compradores nacionais e internacionais, além da cobertura de 150 jornalistas especializados. “A expectativa é que as vendas superem em 30% a 40% a edição anterior, informou Robson Braga de Andrade, presidente da Federação da Indústria de Minas Gerais (Fiemg), realizadora do Minas Trend Preview. Durante os quatro dias, ocorreram 23 desfiles, incluindo individuais e coletivos.

Celebridades prestigiaram a abertura
Muitas estrelas abrilhantaram a festa de Ronaldo Fraga. Fafá de Belém, Raí, Sorín, Luana Piovani, Mariana Ximenes, Cristina Franco, Zeca Camargo, Elke Maravilha, Bel Kutner, Edgar Piccoli e Samuel Rosa foram alguns nomes que marcaram presença. “É uma iniciativa super bacana e adoro estar em Minas. Das marcas locais eu gosto da Zezé Duarte, do Victor Dzenk e o Ronaldo Fraga para mim é uma referência”, disse Ximenes que viverá sua primeira vilã na próxima novela das oito, com estreia em abril. Uma das mais animadas e falantes era Luana Piovani. Durante o desfile, comentava os looks com Mariana Weickert, tirando a atenção de Raí que ficou entre as duas. “Acho que todo evento que abre espaço para o talento e a diversidade é positivo. É a oportunidade dessa gente talentosa que tem em Minas Gerais mostrar o seu trabalho, que é detalhado e minucioso”, observou a atriz, completando que está em uma fase feliz, preparando seu novo espetáculo infantil “O Soldadinho e a Bailarina” e vivendo bons momentos no namoro com o empresário Felipe Simão.

Abraçado a Ronaldo Fraga, Zeca Camargo era todo elogios para o estilista. “Vim, primeiro porque sou um fã e depois eu gosto de falar que sou um amigo. Sabia que se ele estava por trás disso, era certamente uma coisa de qualidade, sobretudo com criatividade”. Quando questionado sobre a celebridade que se veste melhor soltou: “Nossa, fácil! Essa semana entrevistei a Lady Gaga, 23 anos, ela simplesmente arrasa. Quatro horas da tarde ela estava vestida com um longo preto, com óculos escuros. E de homem, disparado, é o Lenny Kravitz, ele tem estilo”, afirmou o apresentador.

Orgulhoso, Samuel Rosa marcou presença ao lado da mulher, Angela Castanheira. “É muito bom ver Minas despontar ainda mais com esta iniciativa”. Ele ainda confessou de onde vem a inspiração para seu look. “Os Beatles acho que é mais a minha praia, é o que eu gosto. Até pelo corte de cabelo, das roupas que usavam. Não que eu ande por aí querendo ser o Paul McCartney ou John Lennon, mas esse tipo de movimento que teve na Inglaterra de música e moda nos anos 60 me interessa muito”, confessou o vocalista do Skank, completando que seu grupo está em uma excelente fase e que pensam, após dez anos, em fazer um disco ao vivo no ano que vem.

Desfiles
O desfile do dia 03 pontuou bem o que seria mostrado na maratona dos demais dias do evento. Cores escuras e seus degradês prevaleceram, indo do marrom ao nude, do rosa ao lilás. Paola de Orleans e Bragança, 26 anos, abriu a passarela no dia 04, desfilando no coletivo de acessórios, colar e pulseira Trois, look Claudia Mares Guia e sapatos Studio TMLS. “Primeira vez que venho, já ouvi dizer muito das baladas de Minas. Adorei a comida mineira. Sou jovem e quero aproveitar essa fase para desfilar e curtir a noite”, disse referindo-se a seus trabalhos esporádicos como DJ. Neste desfile, colares em preto e prata, sandálias altíssimas, botas de cano longo, bolsas e carteirões ditaram a tendência do inverno 2010: nada de delicadeza, prevalece o exagero do verão.

Na mesma data, a top Ana Claudia Michels, 28 anos, abriu o primeiro coletivo de vestuário usando um cocktail dress preto Maria Bonita Extra e sapatos Studio TMLS, encerrando com um curtíssimo vestido verde com brilho dourado da Faven. “É a segunda vez que participo e acho uma excelente iniciativa, pois deixa o Estado em outro patamar da moda”. Michels retornou para São Paulo no mesmo dia e adiantou que embarca para Londres nesta semana onde fará um editorial para a revista Elle inglesa. A top apenas sorriu ao falar do retorno do namoro com o empresário Tato Mazoni, deixando a dúvida no ar e disse que ainda quer descobrir em si outros dons além da passarela.

A top Carol Francischini, 20 anos, também esteve pela segunda vez no Minas Trend Preview, participando dos desfiles coletivos, nos dias 04 e 05. Ela confirmou o fim do namoro com o nadador César Cielo. “Nossa agenda é complicada. Agora, vou concentrar no trabalho. Tenho uma agenda pesada até o final do ano”, disse referindo-se ao retorno para Los Angeles, onde está negociando com um programa de TV, além de uma maratona fashion em Nova York e Buenos Aires. Depois, volta para as festas de final de ano com a família no interior de São Paulo.

Em seu desfile individual, a grife Celso Afonso buscou inspiração no punk, utilizando couro e camurça nos acessórios, cores fortes nos cintos e bolsas em pele de cobra, ornamentadas com correntes, tachas e peles. A marca Última Hora fez um mix de romântico e moderno, utilizando renda, muito xadrex, poá, tie-die, nas cores cinza, marrom e preto. Modelos volumosos de curtos e altura do joelho. A recém lançada
Chouchou, marca jovem da Patachou, usou o rock dos anos 80 e 90 como inspiração. Saias, vestidos, leggings, camisetas e jeans e modelos sobrepostos estiveram na passarela.

A Faven apresentou uma coleção romântica, com pitadas de militarismo e lúdico nas saias curtas de cintura alta, estampas de lacinhos e corações, além de vestidos e coletes. Prevaleceram as cores, preta, pink e cinza. A Vivaz levará o brilho para o inverno 2010. As peças foram inspiradas nas divas e músicas dance, valorizando bordados, paetês, canutilhos, nas cores preta, pink e cinza nos looks de festa. A Mary Design levou a cultura do artesanato para sua coleção “Para Comer com os Olhos”. Fitas, veludos, correntes e pérolas compunham os colares golas, os braceletes e pulseiras. Justificando o tema, chamaram a atenção as massas (macarrão) utilizadas no penteado das modelos.

Na quinta-feira, 05, a largada foi dada por Daniella Cicarelli, 29 anos, que vestiu dois curtos no desfile coletivo. “Vou usar duas marcas que adoro, que é esse modelo da Printing com ombro estruturado, super na moda. E este outro da Vivaz, com franjas e plumas. Essa é a segunda vez que venho, participei da primeira edição, abrindo o primeiro desfile. Então, posso dizer que estou aqui desde o começo. É uma delícia voltar neste momento tão gostoso”, disse referindo-se ao novo programa que vai comandar ao vivo ao lado de Otávio Mesquita, a partir do próximo domingo, 15. Em sua terra natal, aproveitou para rever a família, almoçar com a avó e visitar o Museu de Arte Contemporânea Inhotim. Sobre os rumores de um relacionamento com o empresário Rico Mansur por terem sido vistos juntos na praia de Ipanema, a apresentadora logo cortou. “Imagina, não. Ele passou, deu oi e pronto. Não, nunca. Não estou namorando. Estou focada no trabalho, na faculdade de direito e no meu esporte”.

A carioca Alessa mostrou roupas amplas e confortáveis em estampas multicoloridas, grafismos sofisticados, muito brilho e paetês. A maioria das peças estavam em cetim e crepe de seda. Em seus biquínis, maiôs e roupas de sol, a Cila retratou a floresta brasileira, com os rios representados em linhas geométricas, flores respingadas de negro remetendo ao descuido com a natureza. Tudo em marrom, cru, rosê, cinza, roxo, rosa, laranja, verde, azul e preto, com brilhos para lembrar o reflexo das águas. A Squadro utilizou muito tricô e renda, grafismo, brilho e pêlos em vestidos, calças e casacos.

Victor Dzenk levou a orquestra de Câmara do Sesi de BH para tocar ao vivo a ópera Orfeu. O estilista inspirou-se na mitologia grega, numa coleção que ele próprio classificou como muito sensual e feminina. “As modelagens são ultra drapiadas, muito caimento, volumes e malha fria. Fiz também uma homenagem a Madame Grès, precursora dos drapeados”, detalhou. O ator Stênio Garcia, 77 anos, compareceu ao desfile do amigo com a mulher Marilene Saade. “Todo ator tem que gostar de moda porque é arte, e é uma extensão de nossos personagens”, disse. “Dzenk é um grande amigo, ele fez o meu vestido de casamento. Eu o acompanho por onde for”, completou Saade, que ao lado do marido assistiu também aos desfiles de Patrícia Motta e Cláudia Mourão. Esta última apostou nas botas descoladas, em couro natural, nos tons de vinhedo envelhecido e efeitos manchados. Sapatos com bicos arredondados e saltos encorpados compuseram o look moderno e romântico. Bolsas em vários tamanhos, com detalhes em metal. Apostou em estampas de répteis, preto, amêndoa, cinza e variações do vinho. Patrícia Motta apostou no colorido e na linha bege e estampas de cobra, além de texturas em camurça e couro, com barras sanfonadas e babados.
A modelo e empresária Angelita Feijó, 41 anos, esteve presente no Minas Trend Preview como expositora e na plateia de alguns desfiles. A marca de calçados que leva seu nome, com design criado por ela, participou da feira de negócios. “Conheci o evento na edição passada, quando compareci ao desfile do Victor. Agora, vim também como empresária porque acredito que Minas tem um enorme potencial de crescimento”, disse.
As tops Carolina Ribeiro e Mariana Weickert participaram dos desfiles coletivos na manhã de sexta, dia 06. Mariana esteve na abertura gravando para seu programa e comentou ser a quarta edição que participa. “A mostra é bacana para as pessoas já desejarem comprar para o inverno e com bastante antecedência”. Empreendedora, disse que não deixa faltar em seu guarda-roupas os biquínis de sua recém lançada marca, Alor.

Desfilaram também as marcas Apartamento 03, Camaleoa, Fruto do Mar e Paula Bahia. O encerramento foi da Patachou, que usou o tema força e leveza na coleção. Força aparece nas tachas, armaduras, metais, ombreiras e silhuetas marcadas. A leveza está nos voais e nas peças desconstruídas. O preto se descompõe no ferro, alumínio, petróleo e ouro. Para o inverno 2010, a Alphorria Cult inspirou-se nos cabarés de Paris e Berlim, além dos históricos salões cariocas. Corset, boudoir, peças em alfaiataria, microvestidos, calças carrots, pregas e pernas afuniladas nas cores preta, prata, vermelha e ouro estiveram na passarela.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conversa com autores




Estou passando por divertidas experiências desde que comecei a trabalhar no Sempre Um Papo, projeto que promove debates com escritores sobre seus lançamentos. Conversei com a meiga Fernanda Takai, sobre o livro de contos e crônicas "Nunca Subestime Uma Mulherzinha", além de sua vida de mãe da Nina e cantora da banda Pato Fu. Momentos compartilhados com uma plateia de 100 pessoas, no Sesc Vila Mariana, em SP. "Li clássicos infantis, como Monteiro Lobato. O dia em que recebemos o convite da Globo para fazermos uma música para a nova Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo, eu e o John olhamos um para o outro e falamos: estamos no auge de nossa carreira!!!", foi uma das frases que divertiu o público.

É bacana presenciar Fabrício Carpinjar, prêmio Jabuti de Literatura 2008 pelo livro Canalha, com seus óculos de mergulho, peruca e unhas rosa brilhante, falar sobre a velhice de forma tão real, como se já a estivesse presenciado, ele que tem 30 e poucos anos. Falamos numa noite de tempestade em SP, que atrapalhou a chegada do público, da dor de envelhecer, do abandono dos filhos quando ficamos velhos, da perda da audição nos idosos, do preconceito vivenciado por eles, do desejo e do sexo quase proibido, da morte, da viuvez, da saudade da juventude, da sabedoria, da perda da identidade e da "velhinha que comprava uma penca de bananas por semana e se atreveu comprar três certa manhã e foi proibida pelas filhas a sair de casa, morrendo poucos meses depois de depressão".

domingo, 11 de outubro de 2009

Sophia, oito anos


Criança doce é muito bom! "Mãeee, este é o melhor presente do Dia das Crianças que já ganhei em toda, toda minha vida". Então, vamos à praça. Agora e sempre.

Isso me lembra alguém...


Sabe aqueles livros ou cenas que parecem terem sido recortados da sua vida? Aí vai uma que tem um pouquinho de mim. Está em "Comer, Rezar, Amar", de Elizabeth Gilbert(Objetiva, 342 páginas). "Meus pais, por sua vez, têm uma pequena fazenda, e minha irmã e eu fomos criadas trabalhando. Aprendemos a ser fortes, responsáveis, as melhores alunas da turma na escola, as babás mais eficientes e organizadas da cidade, o perfeito modelo em miniatura de nossos pais, dois verdadeiros canivetes suíços, nascidas para executar todo tipo de tarefa. Havia muita diversão na minha família, muito riso, mas as paredes eram cobertas por listas de coisas a fazer, e nunca vivi nem presenciei o perfeito ócio nem uma vez em toda a minha vida".

Paulo Autran sem comentários


Estive colocando as coisas no lugar, após a mudança. Remexi livros e sempre tem aqueles achados...coisas que a gente esquece e que é uma delícia reencontrar. Sou meio apegada a certas lembranças. Tenho algumas que não quero esquecer, "nunca, nunquinha", como diria a Lola (a irmanzinha do Charlie.Sim, eu adoro esse cartoon). Achei o livro "Paulo Autran sem comentários" (Cosac Naify, 267 páginas). Trata-se, como o próprio ator explica, de uma obra com "fotos, trechos de crítica e comentários bem-humorados, que me vinham à cabeça ao ver as fotos". É lindo o livro. Para mim ficou ainda mais precioso pelo autógrafo, escrito em 10 de março de 2006.
Recordei dos dias em que trabalhamos juntos.

Fiz assessoria de imprensa do espetáculo "Adivinhe quem vem para rezar", na passagem da montagem por BH. Acompanhei o respeito e a delicadeza com que Cláudio Fontana, seu parceiro na peça, tratava o doce e astuto, Paulo Autran. Sabendo que iria estar com o Paulo, comprei o livro imediatamente, na intenção de eternizar o encontro. Lembro que o jornalista Paulo Azevedo, do programa Agenda, da Rede Minas (afiliada da TV Cultura em BH)também levou esse mesmo livro para o ator autografar. E o Autran ficou muito feliz com a entrevista: "você leu mesmo este livro, hein rapaz!? sabe tudo sobre mim".

Foram dois dias de trabalho inesquecíveis. Almoçamos sozinhos e ele sempre interessado em saber quem eu era. Só não gostava de atraso. Na saída do hotel, marcada para às 11h20, para uma entrevista à Globo Minas, recordo que cheguei e ele já estava chegando ao carro que nos levaria. "Bom dia, Senhor Paulo! Ia me deixar?". Ele: "Claro que não...Te esperaria mais um minuto."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caiu mesmo!


E não é que a Leda Nagle caiu mesmo? Postei um caso da jornalista, contando que caia muito na infância e, agora, ela escreve um e-mail contando sobre o acidente. Vida real.

Conheci pessoalmente a Leda quando ela esteve em Belo Horizonte, no “Sempre Um Papo” para lançamento do livro “Com certeza: Leda Nagle, melhores momentos” (Editora Agir). O título marca os 30 anos de carreira dessa apresentadora de televisão, que com suas entrevistas, se transformou em uma das figuras mais conhecidas – e respeitadas – da mídia brasileira. O encontro foi em 24 de junho.

O livro traz uma coletânea de 30 entrevistas, com nomes como Manoel Carlos, Gloria Perez, Bibi Ferreira, Milton Nascimento, Maria Bethânia,Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Dercy Gonçalves, Cassia Eller, Carlos Drummond ou Tim Maia.

domingo, 12 de julho de 2009

Parabéns

"Bom dia! Não vai me dar os parabéns?". Parabéns, por quê?, perguntei. "Hoje às três é o meu balé!" - Anamel- cinco anos, no dia da apresentação dedança.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

BEM-VINDO À RUA, GRUPO GALPÃO!

Nem o frio e o vento forte na Praça do Papa impediram que o público lotasse as três noites de apresentações do novo espetáculo do Grupo Galpão, “Till – a Saga do Herói Torto ”. A história se passa na Idade Média, Especificamente no domingo, dia 5, escadas, gramas e cimento serviram de arquibancada para as pessoas, de crianças a idosos, que não conseguiram uma das cadeiras localizadas à frente e nas laterais do palco. Os mais espertos levaram seus banquinhos. A pontualidade foi um dos pontos fortes. Como anunciado, às 19h, a trupe entrou em cena. No palco de madeira de dez por sete metros, alçapões faziam brotar personagens do chão, garantido momentos de surpresa para a plateia. Ao fundo uma cortina separava o palco da coxia, ao que parece, sem a intenção de deixar os atores escondidos na troca de figurinos. Em muitos momentos, essa troca podia ser vista também nas laterais externas, numa espécie de corredor que ficava entre o palco e uma cerca feita de plantas, que combinou perfeitamente com o conjunto do cenário.

O formato de narração permite que os expectadores não percam o fio da meada. Já no início, o publico é informado do que se trata, os personagens se apresentam, numa mistura de ficção e realidade. E o mesmo ocorre no decorrer da montagem, com tiradas divertidas, incluindo a participação da plateia, permitindo uma interatividade constante. O texto de Luis Alberto de Abreu, envolvendo a cultura popular da Idade Média caiu como uma luva para os experientes atores se esbaldarem e dar um show de interpretação. Resumindo, trata-se da história de um menino que nasceu devido a uma aposta entre o Deus e o Diabo, que diz que o homem cairia em perdição se lhe fossem tiradas algumas virtudes. Deus aceita a proposta e uma série de personagens entra em cena.

Impecável e imperdível a cena do nascimento de Till. Teuda Bara, a mãe, e as parteiras arrancam gargalhadas do publico ao tentarem arrancar o menino das entranhas, dando uma impressionante sensação de profundidade o paradeiro da criança no útero.

Dispensa comentários a atuação de Inês Peixoto, no papel do protagonista, o travesso Till Eulenspiegel. Brilhantemente, ela incorporou o menino, moleque abandonado pela mãe numa Alemanha miserável, com frio e fome, tendo que sobreviver sendo mais esperto que os espertalhões que cruzam seu caminho.

O trio esperto de cegos andarilhos vai remendando a história, dando um toque de humor dramático, ao exporem seus sonhos e o desejo de chegar às torres de Jerusalém.

A miséria e o popular são retratadas nos figurinos de material reciclado, dando a impressão do sujo, do maltrapilho. Além da maquiagem, que traça um perfil perfeito dos mendigos, do povo e do lado bom e mal da consciência humana. As canções, a maioria semelhante à sonoridade medieval leva a platéia ao Antigo Continente. Soma-se a isso as cantigas de roda, que completam a trilha de temas variados, com direção de Ernani Maletta.

Grupo Galpão, aplausos de pé. Antonio Edson, Arildo de Barros, Beto Franco, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Inês Peixoto, Lydia Del Picchia, Simone Ordones, Teuda Bara, Julio Maciel e toda equipe técnica, bem-vindos novamente à rua.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Palha Italiana

"Eu caia muito. Meu pai tinha uma venda, um mercadinho em Juíz de Fora. Na época de minha infância, bolachas e outros cereais eram vendidos no quilo. E eu sempre ajudava com as entregas. Tínhamos boas clientes, as madames ligavam pedindo bolachas. Eu sempre caía e quebrava os biscoitos. Voltava chorando com a sacola. Meu pai, ao invés de xingar, dizia gentilmente: "Sem problema, minha querida, sua mãe faz palha italiana". E pesava novamente para eu fazer a entrega." Leda Nagle. BH, dia 24 de junho de 2009. Horas antes do lançamento do livro "Com Certeza Leda Nagle: Melhores Momentos".

sábado, 4 de julho de 2009

Estorvo - primeiro romance de Chico Buarque

"Subo em sentido oposto, e percebo um início de claridade no topo das montanhas. Perto da cancela, encosto-me na pedra redonda onde eu gostava de ficar quando era pequeno. Lembro que nos fins de tarde eu convidava minha irmã para galgar a pedra, e ela sempre dizia "já vou", mandava-me ir na frente e esperar sentado. Então eu passava a noite sozinho ali em cima, tendo aprendido que a noite é superior ao dia. E que quando amanhece, não é o dia que nasce no horizonte, é a noite que se recolhe no fundo do vale". Página 39 - 1ª reimpressão - 1991 - Companhia das Letras

sábado, 13 de junho de 2009

Quarto de Menina

Ainda de Lívia Garcia-Roza.
"Os pais envelhecem assim de repente? Sei lá...Reconheci ele mais pelo cheiro. Acho que ainda não contei que papai quase não fala. Nesse dia, quando cehgou para me buscar estava mais calado ainda. Devia ter engolido todas as palavras do livro".
(...)
"Será que mamãe também estava se desbotando com a vida? (...) Como eu ia me arrumar com uma mãe quebrada?".

Desistência

Chegou em casa no mesmo horário. Era para ser um dia como outro qualquer. Caras assustadas no corredor do prédio deram a entender que algo diferente tinha ocorrido. Ele tinha 90 anos, uma vida aparentemente tranquila. Ninguém podia imaginar que daria um tiro na própria cabeça, naquela idade. Paixão. Só podia ser um amor não correspondido por uma moça mais jovem, escutou alguém dizer. O que levaria uma pessoa que já passou por tudo na vida, dar cabo da própria existência aos 90 anos? Passou fome aos três anos de idade, vindo com os pais de uma cidade do interior da Itália. Logo na chegada, devido à multidão, perdeu-se dos pais no porto e ficou mais de 15 dias vagando nas redondezas, vivendo de esmolas. Foi encontrado pela mãe desesperada e já fraca pela doença que não diziam o nome. A certeza era só que havia a contraído na viagem. Naquelas nove décadas, sobreviveu à morte prematura da mãe quando tinha apenas cinco anos e teve que viver apenas com o pai, que o deixava com a vizinha brava por semanas, devido a viagens de trabalho. Passou pela adolescência, engraxando sapatos, vendendo frutas de porta em porta. Amou secretamente a moça bem mais velha, que trabalhava na joalheria, de quem recebeu o primeiro beijo, no sonho, mas contabilizou assim mesmo. O que passava na cabeça daquele senhor que todos gostavam de ouvir as histórias de imigrante. Não, matar-se assim, como teve coragem? Teria que haver um motivo forte. Ele que havia conseguido o primeiro emprego dignamente no restaurante que jamais havia imaginado sentar-se um dia. Tornando-se sócio anos depois e, mais depois ainda, único dono. Ele que sempre sonhou em ter muitos filhos e netos para descontar a família de três pessoas que seus pais haviam lhe dado. Logo agora que tinha tempo para curtir a todos, seus netos e bisnetos que sempre estavam por perto. Aos 90, sem nenhuma doença, nada de internação no currículo, nem um osso quebrado, nenhuma doença de velho, nem esquecimento tinha. Nada. Nenhuma motivo vinha à cabeça. Sempre tão amável. Nem revólver ele tinha! Pela doçura de pessoa que era, o certo seria se matar com algo menos dolorido. Um veneno bem gostoso. Não daquela forma, diziam todos. Tinha que haver uma carta de despedida. Uma explicação. Mas nada. E ele que nunca foi de mistérios. O mais perto disso que chegou foi quando avisou ao pai que se casaria, mas não contou o nome da noiva até um dia antes do noivado. Teve medo de algo ocorrer. A amava tanto que guardava seu nome só para si. E essa foi a mulher que mais amou em toda sua existência, pelo menos é o que todos pensavam. A mesma que lhe deu três meninos e uma menina. Mas também a que o abandonou ainda jovem, morrendo atropelada em frente ao restaurante que, anos depois, viria a ser da família. Era uma colega de trabalho que virou paquera, namorada, noiva, esposa, seu grande amor que o deixou viúvo aos 42 anos.

Ela chegou no momento em que a notícia havia sido dada pelo padrasto à mãe. A pobrezinha chorava silenciosante a morte do pai, homem que a ensinou a cozinhar como uma verdadeira chef de cozinha. O namorado da irmã estava à porta consolando-a. Os vizinhos chegavam calados e se acomodavam no sofá, sem palavra. Não havia o que podia ser dito.

Ela sentou-se ao lado da mãe. Segurou sua mão e lembrou a primeira vez que o avô a havia ensinado a preparar seu prato predileto, aos nove anos de idade. Lembrou de suas frases sempre prontas para acalentar o coração triste por alguma nota baixa na escola “notas são como a vida, tem altas e baixas” ou algum casinho de amor que não deu certo “sofra por amor apenas até o seu limite, nunca mais que isso”. Desistir de tudo aos 90. Acalmou-se. Fechou os olhos e imaginou que, para dar continuidade à ideia de ser como o avô, teria que esperar mais 55 anos.

Leonardo Boff

Em evento de homenagem por seus 70 anos, em BH. "Contemplando os dias passados, tenho os olhos voltados para a eternidade. Nessa idade você está nas alturas e pode ver tudo de cima".

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Lívia Garcia -Roza

Frase em um encontro com a escritora, à época do lançamento do livro "Era Outra Vez", em São Paulo: "Escrevo observando a afinação. Percebo quando estou desafinando. Aprendi com a minha mãe a entonação correta..."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Novo espetáculo da Companhia Suspensa


A magia, a simbologia e o tom onírico das obras do pintor russo Marc Chagall são transpostas para o palco no novo espetáculo da Cia. Suspensa. Mesclando dança, teatro e circo, De Peixes e Pássaros tem apresentações nos dias 18 e 19 e 25 e 26 de abril, sábado e domingo, às 20 horas, no 104, espaço cultural localizado na Praça Rui Barbosa, no Centro.

A encenação foi tecida sobre as imagens produzidas por Chagall e entre situações-memórias dos intérpretes. Em cena, são reproduzidas algumas "paisagens" chagallianas: personagens que habitam extensões indefinidas, inversão do céu e da terra, corpos não verticais que sobrevoam cidades, aldeias e circos, seres que se metamorfoseiam em pássaros, peixes e touros.

O espetáculo é dividido em sete partes organizadas como contos de uma narrativa que mescla as linguagens circense, teatral e de dança. Diversos personagens passam pela cena, configurando universos de humor e melancolia, fuga e leveza: bailarinas, músicos, artistas de circo, noivos apaixonados, homens e mulheres em festa ou luto, em comunhão ou sós, um casal que dança tango em meio à desarmonia do ambiente, ou ainda uma garota que admira a dança, mas não sabe dançar – personagem construída a partir do texto A coisa me escapa por entre os dedos, de Rodrigo Naves, publicado originalmente na revista Piauí e adaptado para o espetáculo.

A espacialidade da montagem propõe uma subversão do lugar como dado concreto. A idéia de chão é subvertida e os bailarinos “flutuam” em cena enquanto dançam. Três trapézios, três bancos, um colchão e uma cabeça de touro formam o conjunto dos materiais que são usados como suporte para as suspensões e, por vezes, são também transmutados pelas imagens poéticas. Um trapézio se transforma ora numa porta, ora num balanço, ora no ombro do pai, ora no próprio trapézio.

Os personagens são embalados por uma trilha que sugere o surrealismo sutil de Chagall. A trilha oscila entre sonoridades aéreas e fugazes, e músicas de forte ritmo e pulso. Um tango, um jazz, um dub, um piano que toca ao fundo da cena, uma escaleta, um clarinete – tocado ao vivo pelo dançarino Lourenço Marques – se misturam ao som forte do vento, um bolero que toca baixinho em som de radiola, o barulho de uma feira e de uma praça. Quem assina a trilha é o músico paulista residente em Belo Horizonte Lênis Rino.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Obama fala sobre as eleicoes no Iraque

Jozane Faleiro – Washington

Neste sabado, 31 de janeiro, milhares de iraquianos foram as urnas para eleger as 440 pessoas dos conselhos provinciais para 14, das 18 províncias que compõem o país. Mais de 14 mil candidatos estão na disputa e os resultados preliminares devem sair na proxima terca-feira, 3 de fevereiro.

Essa eleicao eh de suma importancia para a estabilizacao do Iraque, visto que o governo dos Estados Unidos estuda a retirada de suas tropas da regiao. Alem disso, funciona como uma previa para as eleições nacionais previstas para ocorrer no final deste ano, quando o governo do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, aliado dos EUA, poderá enfrentar o maior partido xiita do país, o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano. Al-Maliki disse que a grande adesao da população nessas eleicoes eh um sinal de progresso. "Isto dá uma imagem de confiança no governo, nas eleições e no direito das pessoas de fazer parte do processo democrático".

Seguranca
De acordo com agencias de noticias, no dia de hoje, nao foram contabilizadas ocorrencias graves. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por meio da assessoria de imprensa da Casa Branca, parabenizou iraquianos que participaram da significante eleicao desse sabado. “Milhoes de cidadaos iraquianos, de muitas etnias e grupos religiosos de todo o pais foram pacificamente as urnas para escolher um novo membro regional”, disse, apesar de pelos menos quatro candidatos terem sido assassinados nos ultimos tres dias, segundo agencias de noticias.

As eleicoes foram gerenciadas e organizadas pelo Governo Iraquiano com assistencia vital da Missao de Assistencia das Nacoes Unidas para o Iraque (United Nations Assistance Mission to Iraq). O presidente norte-americano aprovou as medidas de seguranca. “A policia e as forcas militares do Iraque ajudaram na seguranca nos locais de votacao e protegeram aos eleitores enquanto eles preenchiam suas cedulas. Este eh um importante passo para que continue adiante o processo para que o Iraque tome responsabilidade de seu futuro”, afirmou Obama. Ele tambem completou que os Estados Unidos estao orgulhosos em prover assitencia tecnica junto com as Nacoes Unidas e outras organizacoes internacionais, para a Alta Comissao Eleitoral Independente do Iraque – que realizou a eleicao profissionalmente, mesmo sob circunstancias dificeis.”

Os Conselhos Provinciais têm autoridade para negociar acordos empresariais em suas regioes especificas, alocar fundos e controlar certas operações de segurança locais, mas sem influência nos assuntos nacionais.

Por motivo de conflitos, nao ocorreu eleicoes nas três províncias do norte do país que compõem a região autônoma do Curdistão, Erbil, Dohuk e Suleimaniya; e na companhia petrolífera da Província de Kirkuk, disputada por curdos, árabes e turcomanos.