quarta-feira, 1 de abril de 2009

Novo espetáculo da Companhia Suspensa


A magia, a simbologia e o tom onírico das obras do pintor russo Marc Chagall são transpostas para o palco no novo espetáculo da Cia. Suspensa. Mesclando dança, teatro e circo, De Peixes e Pássaros tem apresentações nos dias 18 e 19 e 25 e 26 de abril, sábado e domingo, às 20 horas, no 104, espaço cultural localizado na Praça Rui Barbosa, no Centro.

A encenação foi tecida sobre as imagens produzidas por Chagall e entre situações-memórias dos intérpretes. Em cena, são reproduzidas algumas "paisagens" chagallianas: personagens que habitam extensões indefinidas, inversão do céu e da terra, corpos não verticais que sobrevoam cidades, aldeias e circos, seres que se metamorfoseiam em pássaros, peixes e touros.

O espetáculo é dividido em sete partes organizadas como contos de uma narrativa que mescla as linguagens circense, teatral e de dança. Diversos personagens passam pela cena, configurando universos de humor e melancolia, fuga e leveza: bailarinas, músicos, artistas de circo, noivos apaixonados, homens e mulheres em festa ou luto, em comunhão ou sós, um casal que dança tango em meio à desarmonia do ambiente, ou ainda uma garota que admira a dança, mas não sabe dançar – personagem construída a partir do texto A coisa me escapa por entre os dedos, de Rodrigo Naves, publicado originalmente na revista Piauí e adaptado para o espetáculo.

A espacialidade da montagem propõe uma subversão do lugar como dado concreto. A idéia de chão é subvertida e os bailarinos “flutuam” em cena enquanto dançam. Três trapézios, três bancos, um colchão e uma cabeça de touro formam o conjunto dos materiais que são usados como suporte para as suspensões e, por vezes, são também transmutados pelas imagens poéticas. Um trapézio se transforma ora numa porta, ora num balanço, ora no ombro do pai, ora no próprio trapézio.

Os personagens são embalados por uma trilha que sugere o surrealismo sutil de Chagall. A trilha oscila entre sonoridades aéreas e fugazes, e músicas de forte ritmo e pulso. Um tango, um jazz, um dub, um piano que toca ao fundo da cena, uma escaleta, um clarinete – tocado ao vivo pelo dançarino Lourenço Marques – se misturam ao som forte do vento, um bolero que toca baixinho em som de radiola, o barulho de uma feira e de uma praça. Quem assina a trilha é o músico paulista residente em Belo Horizonte Lênis Rino.

Nenhum comentário: