sexta-feira, 10 de julho de 2009

BEM-VINDO À RUA, GRUPO GALPÃO!

Nem o frio e o vento forte na Praça do Papa impediram que o público lotasse as três noites de apresentações do novo espetáculo do Grupo Galpão, “Till – a Saga do Herói Torto ”. A história se passa na Idade Média, Especificamente no domingo, dia 5, escadas, gramas e cimento serviram de arquibancada para as pessoas, de crianças a idosos, que não conseguiram uma das cadeiras localizadas à frente e nas laterais do palco. Os mais espertos levaram seus banquinhos. A pontualidade foi um dos pontos fortes. Como anunciado, às 19h, a trupe entrou em cena. No palco de madeira de dez por sete metros, alçapões faziam brotar personagens do chão, garantido momentos de surpresa para a plateia. Ao fundo uma cortina separava o palco da coxia, ao que parece, sem a intenção de deixar os atores escondidos na troca de figurinos. Em muitos momentos, essa troca podia ser vista também nas laterais externas, numa espécie de corredor que ficava entre o palco e uma cerca feita de plantas, que combinou perfeitamente com o conjunto do cenário.

O formato de narração permite que os expectadores não percam o fio da meada. Já no início, o publico é informado do que se trata, os personagens se apresentam, numa mistura de ficção e realidade. E o mesmo ocorre no decorrer da montagem, com tiradas divertidas, incluindo a participação da plateia, permitindo uma interatividade constante. O texto de Luis Alberto de Abreu, envolvendo a cultura popular da Idade Média caiu como uma luva para os experientes atores se esbaldarem e dar um show de interpretação. Resumindo, trata-se da história de um menino que nasceu devido a uma aposta entre o Deus e o Diabo, que diz que o homem cairia em perdição se lhe fossem tiradas algumas virtudes. Deus aceita a proposta e uma série de personagens entra em cena.

Impecável e imperdível a cena do nascimento de Till. Teuda Bara, a mãe, e as parteiras arrancam gargalhadas do publico ao tentarem arrancar o menino das entranhas, dando uma impressionante sensação de profundidade o paradeiro da criança no útero.

Dispensa comentários a atuação de Inês Peixoto, no papel do protagonista, o travesso Till Eulenspiegel. Brilhantemente, ela incorporou o menino, moleque abandonado pela mãe numa Alemanha miserável, com frio e fome, tendo que sobreviver sendo mais esperto que os espertalhões que cruzam seu caminho.

O trio esperto de cegos andarilhos vai remendando a história, dando um toque de humor dramático, ao exporem seus sonhos e o desejo de chegar às torres de Jerusalém.

A miséria e o popular são retratadas nos figurinos de material reciclado, dando a impressão do sujo, do maltrapilho. Além da maquiagem, que traça um perfil perfeito dos mendigos, do povo e do lado bom e mal da consciência humana. As canções, a maioria semelhante à sonoridade medieval leva a platéia ao Antigo Continente. Soma-se a isso as cantigas de roda, que completam a trilha de temas variados, com direção de Ernani Maletta.

Grupo Galpão, aplausos de pé. Antonio Edson, Arildo de Barros, Beto Franco, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Inês Peixoto, Lydia Del Picchia, Simone Ordones, Teuda Bara, Julio Maciel e toda equipe técnica, bem-vindos novamente à rua.

Um comentário:

carlos disse...

Nossa Gostei muito do seu comentario sobre o "Bem-vindo a Rua" a sensacaao que eu tive era como se se eu estivesse la e ao mesmo tempo sua descripcao do que aconteceu me envolveu, foi algo muito captivante e excentrico, me deu ganhas de estar ali e presencar esso. Bravo!