sábado, 5 de dezembro de 2009

Conversa com Ronaldo Fraga

No início de novembro, conversei com Ronaldo Fraga sobre o diferencial da moda que é produzida em Minas, o típico consumidor de suas peças e como se vestir bem. Acompanhe a conversa.
A moda feita em Minas tem um deferencial?
Ronaldo Fraga - Aqui, você vê muito clara a mão humana. O feito a mão. Mesmo a roupa produzida em larga escala, mesmo a roupa de produção industrial ela carrega aqueles vestígios de produzido um a um. Nós ainda temos bons costureiros, bons alfaiates, profissional em extinção, mas aqui ele ainda existe.
Tem como andar na moda sem gastar muito?
Ronaldo Fraga - Mas é claro, é claro! É até facil você comprar uma roupa muito cara, é fácil você fazer uma coisa diferente com uma roupa mais barata. Mas o difícil é você ter o domínio de sua própria máscara, do personagem que você quer construir. E entender que isso é uma grande brincadeira e que pode se tornar uma diversão diária, essa construção do personagem. Acho que as pessoas deviam sofrer menos na hora da escolha dessa roupa.
Das pessoas públicas, quais você classifica como mais bem vestidas?
Ronaldo Fraga - Eu não tenho muito isso de bem vestida. Eu tenho mais de postura ética. Quando você gosta muito de uma figura, ela nunca vai ser mal vestida. Mesmo que ela use algo que você não gosta disso ou daquilo, você vai falar: “nossa, nela ficou tão bem”. A estilista inglesa Vivienne Westwood fala: “a roupa sempre vai cair melhor em uma pessoa inteligente”. Então, assim, a Fernanda Montenegro, tem jeito de ser brega? Não tem. Chico Buarque, tem jeito de ser brega? Não tem. Tanta gente que a postura ética e política é tão maior, que a roupa vira um detalhe e outras vêm a frente.
No seu trabalho você utiliza a moda para críticas socias e também homenagens...
Ronaldo Fraga - Eu falo principalmente de cultura brasileira. Eu acho que o melhor produto que o Brasil tem é a sua cultura. Quem dera que a moda, espero, chegue a alcançar o produto música do Brasil, ou a culinária. Então não dá mais para você desenvolver um produto de moda pensando só na roupa, de olho na tendência lá de fora. Precisamos criar outros caminhos, outros mecanismos para vender muito mais que roupa. Através da moda podemos vender um país inteiro. A história e a cultura de um país. Então, você viu e vai ver em todas as minhas coleções. Às vezes falo da crítica do tempo em que a gente está vivendo, como a da América Latina, que fiz agora (A Disneylândia de Ronaldo Fraga); ou olhar para a obra de pessoas ou de figuras que fazem muita falta pela sua ética ou postura artística, como por exemplo, Nara Leão. Então, o tempo inteiro eu falo com o meu consumidor, com as pessoas, que a moda é um instrumento poderosíssimo neste sentido.
Qual é o estilo do público que consome Ronaldo Fraga?
Ronaldo Fraga - São pessoas que no geral são formadoras de opinião dentro do grupo em que vivem; são pessoas que se emocionam, se enloquecem, “cortam o pulso” pela emoção da cultura brasileira; amam literatura brasileiraç são pessoas que têm o domínio de sua própria máscara; e são pessoas, a maioria delas, que na infância ou na adolescência eram consideradas no mínimo estranhas no meio deles.
E sua coleção para crianças?
Ronaldo Fraga - É a Ronaldo Fraga para filhotes. Foi lançada há oitos anos, quando estávamos para ganhar nosso primeiro filho, o Ludovico. Quando nasceu o bebê era tudo horrível. Eu falei “nossa, mas até hoje estão fazendo rosinha para meninas, azul para meninos. Não, vamos fazer umas coisas mais vibrantes.” Fizemos. Eram lançadas entre uma coleção e outra, então dava tempo de produzir. Os amigos foram pedindo e os amigos dos amigos... Daí, abri um conerzinho na loja de Belo Horizonte. A imprensa descobriu e começou a divulgar, os artistas que foram tendo filho começaram a pedir. E já estamos na quinta coleção, lançamos com pedido, e estamos com 120 pontos de venda no Brasil.
Suas lojas estão em Belo Horizonte e São Paulo?
Ronaldo Fraga - São lojas próprias, com masculino, feminino e infantil.

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