terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pena Branca - saudade dupla

A notícia da morte do cantor caipira Pena Branca, 70 anos, trouxe-me uma lembrança da infância. Das manhãs de domingo no interior, com meu pai assistindo a um programa de TV em que diversas duplas caipiras cantavam e tocavam suas violas. As letras tristes tornavam o dia ainda mais lento, e o domingo se arrastava... a hora do almoço custava a chegar e o jeito era brincar no grande quintal escutando de longe o "chorar da viola" e a minha mãe gritando para meu pai diminuir o volume da TV.

Naquela época, nem faz taaanto tempo assim, cerca de 20 anos,  eu nem imagina que teria a oportunidade de trabalhar com Pena Branca. Fiz por duas vezes a assessoria de imprensa de shows que ele faria em BH. A primeira foi em 20 de abril  de 2005, quando ele foi o convidado especial de Renato Teixeira no show de comemoração de seus 60 anos. Foi no  lançamento do projeto Cancun Viola. À época eu era assessora de imprensa do Café Cancun e a agenda de entrevistas foi dividida entre os dois músicos. Minha lembrança traz uma figura calma, de roupa branca, sentada pacientemente no hall do hotel, esperando a equipe de televisão chegar. A produtora que acompanhava Renato Teixeira e os músicos estava histérica, descontrolada pelo atraso (registro que essa moça foi uma das piores pessoas que já trabalhei nos últimos anos) e ele me chamou pertinho dele e me disse baixinho: "finge que não está vendo. Há pessoas que gostam de aparecer. A reportagem vai chegar e vamos gravar, sem problemas. Sempre dá tempo..." e sorriu pedindo uma água. E deu tempo mesmo, o show foi um sucesso e a divulgação sensacional.

Na foto acima, ele aparece posando para o projeto Os Violeiros do Brasil, coordenado por Myriam Taubkin que traz em livro e DVD a história da viola e de 11 dos principais violeiros do país. Novamente revi Pena Branca em Belo Horizonte quando o Sempre Um Papo - projeto que sou assessora de comunicação - lançou, em maio de 2009, o livro com bate-papo com alguns violeiros e logo em seguida todos fizeram um lindo show no Chevrolet Hall.

Saudade em dose dupla, de meu pai e de Pena Branca.

5 comentários:

zubreu disse...

amei o post, joze!

Diego disse...

Parabéns Jo... Belo texto.

Raskólhnikov disse...

pla, pla, pla!

muito bonito.

SHOW ROOM disse...

Nossa jô que lindo! você sabe mesmo como me emocionar com as coisas que escreve achei tão lindo me fez voltar a nossa infâcia, obrigada por vc existir

Jornalista disse...

Valeu pelos comentários.
O Pena Branca é sensacional.