domingo, 21 de março de 2010

O lindão do taxista

- Oi. Pronto!
- É o táxi.
- Estou descendo!
- Bom dia, senhora!!! Vamos onde?
- Bom dia. Savassi. Getúlio Vargas com Paraíba.
- Olha o lindão ali!!! Ah! O pitucão vai passear, vai? Coisa mais linda do papai...que lindão.
- Como?
- Você não viu que cachorrão mais lindo ali embaixo? Olha, olha!! Ainda dá para ver. Eu aaamooo de paixão os cachorros. Amo mesmo. Mas desses grandões, assim como eu. (risos, muitos risos). Eu tive um labrador, maravilhoso, bonito mesmo. Eu chegava em casa do trabalho e, se passasse direto, sem dar atenção a ele, o bichinho chorava feito criança. Às vezes eu fazia até de propósito, só para ver a reação dele! Que saudade, viu? Mas se eu chegasse e abrisse os braços dizendo: "cadê a fofurinha do papai?!" ele vinha todo prosa e me abraçava. Assim, ó, igual gente mesmo (gesto de abraço, deixando o volante e olhando para trás. o carro morre).
- O senhor gosta mesmo de cachorro.
- Aaaaaaaaaamoooo. Mas esse, meu queridão, que viveu comigo durante sete anos, morreu. Erro do veterinário. Levei para uma consulta de rotina e o doutor não fez a esterilização da mesa clínica antes de colocar o meu lindão lá. Foram 15 dias de sofrimento, até ele morrer. A maior tristeza em casa. Minha mulhar é pequenininha, não é grandona assim como eu não, e saía com ele na rua. Ele nunca, nunca mesmo saiu correndo e jogou ela no chão com a coleira. Era só gritar "deita, lindão" e ele parava. Agora, tenho um outro lá em casa. Gosto, gosto demais dele, mas amor mesmo, você sabe. Tenho um álbum só do lindão, com umas 100 fotos. Ele via a máquina e já fazia pose. É deitado, sentando, em pé, latindo, correndo... Precisa de vê.
- É aqui moço. Chegamos. Obrigada!
- Ah, que pena, já chegamos! Tava tão bom o papo.
- É, estava mesmo.
(foto divulgação net).

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