terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ricardo Carvão abre exposição inédita em Tiradentes


O escultor paraense Ricardo Carvão, radicado em Belo Horizonte há quase 50 anos, lança exposição de 36 esculturas inéditas. São duas séries, intituladas “Pássaros” e “Penas”, feitas em aço carbono e em inox. As peças podem ser vistas no Instituto Cultural Mário Mendonça, a ser inaugurado na próxima quarta-feira, 19 de janeiro, em Tiradentes, dentro das comemorações do aniversário da cidade histórica. “O convite veio do Mário Mendonça, artista e amigo admirador do meu trabalho e que foi aluno de meu tio Aluisio Carvão, na década de 60”, explica Ricardo. As obras ficam em exposição por tempo indeterminado.

Em formatos, cores e tamanhos variados, as peças seguem a temática pássaros, que são apreciadas pelo escultor. “Os pássaros são seres que todos admiram desde épocas remotas, quando Ícaro, personagem da mitologia grega que morreu ao tentar deixar Creta, voando. Eu não as admiro apenas pelo vôo, mas me encanta a capacidade deles de, só com o bico e os pés, construirem ninhos bem feitos e estruturados. E quando você pensa em pássaros, vêm as penas, é a síntese”, esclarece. De acordo com Ricardo Carvão, a inspiração deste trabalho veio a partir da série “O Ser e a Semente”, que surgiu na década de 70, ciclo iniciado com peças em couro, finalizado após sete anos, dando lugar ao aço e outros materiais.

Para a montagem da mostra, foram mais de seis meses de trabalho intenso na confecção das obras, que vão ocupar os jardins do Instituto. “Não gosto de contabilizar o tempo em cada obra, trabalho em mais de uma ao mesmo tempo. Essas peças  podem estar tanto em áreas externas, quanto internas. As que são trabalhadas em aço carbono in natura se alteram com o tempo, ganhando a ferrugem e, as coloridas,  com o sol, ganham um clareamento da pigmentação. O que não afeta sua beleza e originalidade”, avalia o escultor.

O artista
Ricardo Carvão Levy nasceu em Belém do Pará, em 1949, onde, em contato com as artes pré-colombianas Marajuara e Tapajônica, teve, desde cedo, seu interesse despertado pela geometria. Vive em Belo Horizonte desde 1964. Em 1972, viajou pelo Canadá e pelo México, e, novamente em contato com a arte pré-colombiana, viu resurgir, neste momento, seu interesse pelas artes. Retornando ao Brasil, iniciou, num processo autodidático, a criação de suas esculturas utilizando a sola - couro grosso curtido. Sua primeira exposição individual foi em 1979, na grande Galeria do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com 146 esculturas em couro. Essa mostra foi apontada como "A melhor exposição do ano", pela crítica especializada. Daí em diante, foram dezenas de exposições individuais e coletivas, em Belo Horizonte e pelo país, incluindo no Museu de Arte Contemporânea e no MASP (SP); no MAM (RJ), no Parque Municipal, no Palácio das Artes e no Museu de Arte da Pampulha (BH), além de ter sido o único

artista brasileiro convidado a participar da Exposição de Arte Latino-Americana, na Moss Gallery Fine Art, em São Francisco – EUA – (1987). No fim da década de 70, introduziu o metal em seu trabalho e suas esculturas conquistaram o espaço urbano. Em 1985, diversificou os materiais incorporando ao seu trabalho: o granito, o concreto, o mármore, a resina, o vidro, a madeira, o papel, dentre outros. Entre as principais obras em espaços públicos destacam-se: “Monumento à Paz", Praça do Papa, monumento comemorativo da visita do Papa João Paulo II a Belo Horizonte (1982); "O Vôo", Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (1984); "Liberdade", Praça da Liberdade (1991) – sendo o único monumento contemporâneo aprovado pelo IEPHA para integrar o conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade; Tubismo III, 50 esculturas em tubos de aço expostas no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte (1999); "Monumento do Milênio", Praça Marcelo Góes Menicucci, no Belvedere, em BH (2001); "Sem Título" da Série Tubismo, Museu da Escultura ao Ar Livre, nos jardins da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (2003).

Outro destaque no trabalho de Ricardo Levy é o fato de ser dele a primeira exposição de artes plásticas realizada na Cidade Administrativa, a convite da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam). Estão expostas 30 obras feitas a partir de material reciclado.

Instituto Cultural Mário Mendonça
O espaço foi idealizado pelo artista pintor carioca, Mário Mendonça. O local conta com ampla infra-estrutura para seus visitantes que poderão percorrer galerias de arte contemporânea brasileira, salas de desenhos, salão de arte abstrata, além da exposição permanente do pintor Mário Mendonça, com paisagens, auto-retratos e arte sacra que reconstituem quase 50 anos de carreira deste importante artista. Há ainda uma biblioteca, formada principalmente por livros de arte, que está à disposição para consulta e estudo. Aberta também à visitação pública está a Capela de Nossa Senhora das Graças, que abriga a coleção de ícones ortodoxos de diversas partes do mundo, sendo o mais importante uma Madonna russa do século XVI. No acervo do museu há obras de Guignard, Di Cavalcanti, Castagneto, Volpi, Milton da Costa, Portinari, Tarsila do Amaral, Inimá de Paula, Ricardo Carvão, Mario Agostinelli, Carybé, Modigliani, Picasso e muitos outros.

Serviço
Exposição “Pássaros” e “Penas”, de Ricardo Carvão
Dia/Hora: abertura às 17h, do dia 19 de janeiro, para convidados. Aberta ao público a partir do dia 20/01, até data indeterminada.
Local: Instituto Cultural Mário Mendonça – Praça das Mercês, 149 – Centro - Tiradentes
Informações e agendamento de visitas: Secretaria Municipal de Turismo de Tiradentes: (32) 335512
Entrada gratuita 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Marcelo Ricco na Campanha de Popularização




É cuidando da saúde, com alimentação balanceada, atividade física regular e boas noites de sono que o ator Marcelo Ricco pretende encarar as mais de 30 sessões da peça “Os Homens Querem Casar e as Mulheres Querem Sexo”, que será apresentada na 37ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, em Belo Horizonte. Sozinho no palco, ele faz temporada do dia 06 a 30 de janeiro, no Teatro Izabela Hendrix e do dia 03 a 27 de fevereiro, no Teatro Dom Silvério, sempre de quinta a domingo.

No palco, ele encorpora Jonas, um rapaz que sonha em se casar e faz de tudo para encontrar uma mulher para dividir a intimidade de um casal. Diferentemente dos padrões convencionais da sociedade, na peça, o público se diverte a valer com a busca incessante do homem pela amada. Freqüentador assíduo de casamento, de conhecidos e desconhecidos, Jonas briga por todos os buquês.  Depois de diversas tentativas frustradas, ele encontra seu lado feminino e desabafa com frases do tipo: “Estou cansado dessas mulheres só me usarem”; “Quero alguém para dormir de conchinha”; “Eu rezo toda noite pedindo a Deus uma pessoa bacana, íntegra, companheira, que não seja mentirosa e que não suma no final de semana”.

O texto é do autor carioca Carlos Simões e Marcelo Ricco é dirigido por Carlos Nunes, que também estará em cartaz na Campanha. “É interessante o compromisso do ator com o público da Campanha. Eu, com apenas 11 anos de teatro, tenho a mesma responsabilidade de fazer o público rir, que o meu próprio diretor, o Carlinhos, que está há mais de 30 anos no ofício. Estreamos há 8 meses com esta montagem, foram mais de 5 mil expectadores, em 37 apresentações. O tempo me fez  estar muito à vontade com o personagem e principalmente com o público, que sem dúvida alguma, é o maior responsável pelo sucesso do espetáculo. Acredito que na Campanha as pessoas que vão nos ver são diferentes, veêm com a característica de popularidade e elas estão mais dispostas a entrar na trama com o ator”, diz.

Marcelo Ricco nasceu em Ribeirão das Neves. Está com 33 anos e estreou no teatro aos 25. Desde então, fez cursos de especialização no Centro Cultural Mauricio Murguel e participa de workshops. Atua em “As Monas Lisas” desde 2006, de Wilson Coca, com direção de Fernando Veríssimo. Espetáculo que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator Comediante / Humorista (Sesc/Sated – 2007), com a personagem Harold. Também é cenotécnico na montagem. Outros trabalhos: “Nas Ondas do Rádio” (musical - 2002), texto e direção de Pádua Teixeira, faz 14 personagens coadjuvantes. Ator em “João e Maria” (2003), adaptação de Kênia Oliveira, direção de Pádua Teixeira. Ator em “Bela Adormecida” (2003), adaptação de Kênia Oliveira, direção de Pádua Teixeira. “Os Sete Gatinhos” (2005), de Nelson Rodrigues, direção de Pádua Teixeira, como ator e cenotécnico. “Ah, sempre te vi, mas nunca te amei” (2009), de Marcelo Caridade, direção de Helder Henrique, como cenotécnico. “Querido vou posar nua” (2009), de Bruno Mota e Daniel Alves, direção de Cláudia Bento, como assistente de direção.  Ator em “Uma aventura saborosa” (2009) de Wesley Marchiori, direção de Wesley Marchiori.


Ficha Técnica – “Os homens querem casar e as mulheres querem sexo”

Texto: Carlos Simões (RJ)
Elenco: Marcelo Ricco
Direção: Carlos Nunes
Assistente de direção: Christiano Junqueira
Voz in off: Heloísa Duarte
Cenário: Heleno Polisseni e Yuri Simon
Iluminação: Yuri Simon
Figurinos: Marcelo Ricco
Fotografia: Ludmila Loureiro
Projeto gráfico: Marcio Miranda
Assessoria de imprensa: Jozane Faleiro
Produção Executiva: Carol Fonseca


Serviço
“Os homens querem casar e as mulheres querem sexo"
Data: 06 à 30 de janeiro - quinta a domingo
Horário: quinta a sábado às 21h e domingo às 19h
Local: Teatro Izabela Hendrix (Rua da Bahia, 2020 - Funcionários)
Preço: R$ 10,00 - nos postos de venda SINPARC e R$ 24,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia-entrada) na bilheteria do teatro         
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Informações: (31) 3244 7219

Serviço
"Os homens querem casar e as mulheres querem sexo"
Data: de 03 a 27 de fevereiro, quinta a domingo
Horário: quinta a sábado às 20h30 e domingo às 19h
Local: Teatro Dom Silvério (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 - Savassi)
Preço: R$ 10,00 - nos postos de venda SINPARC e R$ 24,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia-entrada) na bilheteria do teatro         
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Informações: (31) 3209-8989

Companhia Suspensa estreia Enquanto Tecemos

Novo espetáculo da Companhia Suspensa estreia em BH durante a programação do Verão Arte Contemporânea 2011. O público poderá assistir a peça entre os dias 17 e 19 de janeiro, segunda a quarta, no Teatro Dom Silverio. A Odisseia de Homero e as histórias de seus personagens, Penélope e Ulisses são tecidas por meio de uma parceria inédita entre Roberta Manata, Julia Panadés e Sérgio Penna, que também dirige a peça. A narrativa é construída a partir de um conjunto de linguagens que une dança, textos, desenhos, objetos e sonoridades. Em cena, os artistas dialogam a partir de movimentos físicos que abordam diferentes humores, impulsos, temperamentos, conflitos e encontros da relação entre duas pessoas.

A montagem traz três personagens: Penélope, representada por Roberta Manata, Ulisses, interpretado por Sérgio Penna, e Atena, papel de Julia Panadés. “No texto, chamamos Penélope de ‘Ela’, Ulisses de ‘Alguém’ e Atena de ‘Eu’. ‘Ela’ e ‘Alguém’ vivem a aventura da espera e da ausência, e ‘Eu’ é uma Deusa que interfere na vida do casal, criando e projetando situações”, explica Roberta Manata. A bailarina completa que o espetáculo não é uma adaptação da obra, mas uma inspiração na situação de espera e solidão da história de Penélope e Ulisses. “O espetáculo nos faz pensar como viver juntos estando sós. Solidão que independe da distância e a ausência que evoca a presença. Essa narrativa se transforma em uma saga de aventura, na Odisséia da espera.”

As cenas são costuradas por textos desenhados ou escritos em projeção por Julia Panadés (Atena), de sua própria autoria, outrora dos poetas Ana Martins. Os textos falam das situações de espera, encontros e desencontros, das sagas e aventuras dos personagens. “São inspirados principalmente na espera de Penélope e na ausência de Ulisses”, esclarece Júlia. Sobre as linguagens utilizadas para a construção do espetáculo, Roberta Manata explica: “A dança, aliada aos textos, desenhos e a música criam uma narrativa que nos possibilita contar a história de solidão de um casal separado pela espera.”

Os objetos, a música e os desenhos proporcionam concretude e texturas necessárias ao que se propõem o espetáculo. “A utilização de diversas linguagens surgiu naturalmente. Não houve ordem hierárquica. Os elementos e seus respectivos usos foram surgindo em conseqüência da narrativa e do roteiro. Os objetos, os textos, desenhos e a trilha sonora completam as cenas e ajudam a delinear a história contada. O cenário foi construído em função da narrativa”, detalha Roberta Manata.



“Enquanto Tecemos” é resultado do desejo dos bailarinos Roberta Manta (Companhia Suspensa) e Sérgio Penna e da artista plástica Julia Panadés, de experimentar um processo de montagem sem os limites rígidos das autorias e funções. “Os limites comumente estabelecidos em parcerias artísticas, acerca das funções e campos de ação de cada artista, foram flexivelmente permeados e alargados ao longo do processo. A admiração que sentíamos diante do processo criativo do outro produziu a aproximação e a interseção de potências inventivas distintas. E assim os desenhos surgiram nas mãos dos bailarinos, o movimento tornou-se poema escrito, os objetos pediram novas danças, e assim montaram o espetáculo”, diz Roberta.

COMPANHIA SUSPENSA

A Companhia Suspensa trabalha, desde sua fundação, sob dois aspectos das artes cênicas: a dança e o circo contemporâneo. O grupo desenvolve projetos de pesquisa e interseções de linguagens do movimento tanto na criação de performances e espetáculos quanto em projetos educativos. Entre as montagens estão os espetáculos “Pouco Acima” – 2004 (indicado ao prêmio Usiminas Sinparc como melhor espetáculo de dança, melhor coreografia e melhor cenografia e premiado como melhor trilha sonora) e “De Peixes e Pássaros” – 2009. Realizaram a pesquisa “Sem os Pés no Chão” (2006) com publicação homônima e o projeto educativo “Objeto de Vôo” (2008) que gerou o DVD documentário de mesmo nome. Em 2009, realizaram um projeto de residência com o grupo inglês Scarabeus, que gerou a performance colaborativa, site specific na obra do C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa Armatrux), sede em construção.
Dar pulso a objetos, estar suspenso, no ar, no chão, ver o mundo ao avesso; entender a relação com outro e com o espaço sob outras perspectivas: poesia, encontros, limites, vertigens, estranhezas e frustrações. Entendendo a arte como um campo aberto de possibilidades, a Companhia Suspensa trabalha sob uma perspectiva sutil e humana: movimento, pulsões, sensações, palavras, música, silêncio, corpo e imagem fazem do seu trabalho, construções cênicas que permitem leituras e percepções  diversas.

Ficha Técnica

Concepção/Criação: Julia Panadés, Roberta Manata e Sérgio Penna
Proposição inicial: Roberta Manata
Direção de cena: Sérgio Penna
Bailarinos: Roberta Manata e Sérgio Penna
Performer: Julia Panadés
Direção de arte: Julia Panadés
Trilha original: Lenis Rino
Desenho e luz: Sérgio Penna Figurinos: Gilda Quintão
Assistente de arte: Clarice Panadés
Soluções cenográficas: Paulo Waisberg
Textos: Ana Martins Marques e Julia Panadés
Assessoria de cena: Karina Collaço
Arte gráfica: Tana Guimarães Sobre foto de Clarice Panadés.
Técnico de montagem: Lourenço Marques
Coordenação de produção: Sheila Katz
Produção executiva e artística: Clarice Panadés
Auxiliar administrativo: Carlos Eduardo
Realização: Companhia Suspensa


SERVIÇO

COMPANHIA SUSPENSA APRESENTA ESPETÁCULO ENQUANTO TECEMOS
Período: 17 a 19 de janeiro
Horário: segunda a quarta às 20h
Local: Teatro Dom Silvério – Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 – São Pedro - Belo Horizonte – MG
Classificação: Livre
Ingressos: R$14,00 (inteira) e R$7,00 (meia-entrada, através da exibição de identificação estudantil e comprovante de matrícula atualizado)
Duração: 60 minutos
Informação para o público: www.veraoarte.com.br, (31) 8809-9792 e (31) 3227-7331


VERÃO ARTE CONTEMPORÂNEA
O Verão Arte Contemporânea 2011 conta com os novos parceiros: Bar, restaurante e cabaré cultural Nelson Bordello, CentoeQuatro Espaço Cultural, Palácio das Artes, dDuck Club, Detono Graffiti, Fundação de Educação Artística, Fundação Municipal de Cultura, Inhotim, JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, Mini Galeria, Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, Museu Inimá de Paula, Oi Futuro, Teatro Alterosa, Teatro Dom Silvério e Teatro SESI-Holcim.

O projeto é idealizado e realizado pelo Grupo Oficcina Multimédia, com parceria da Mercado Moderno. O VAC 2011 é apresentado pela Oi, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com o valor de R$ 200.000,00, patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura com o valor de R$60.000,00 e apoiado pela Belotur com o valor de R$ 15.000,00. Outras empresas apoiadoras do projeto são: Cinema Usiminas Belas Artes, Cinema Cineclube Savassi, Editora Lastro, Fundação Clóvis Salgado, Krug Bier, MTV Minas, Museu Inimá de Paula, Oi FM, Oi Futuro, Sucos Disfrut, Advocacia Drummond e Neumayr, Estilista Virginia Barros, BHTrans, Leroy Studio, Casa de shows Contorno Mineiro, Restaurante Bem Natural, Restaurante João Rosa e Walkíria Vaz Gastronomia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Funarte-MG traz a BH o espetáculo Mão na Luva, do Grupo Tapa de SP

Em uma noite, um casal resolve trazer a tona todos os conflitos adormecidos durante nove anos de casamento. Unidos pela força da atração mútua e pela cumplicidade de ideais, ‘Ele’ e ‘Ela’, assim identificados pelo autor, discutem a separação ritmados pela pulsação emocional, revelando segredos de uma relação conflituosa entre quatro paredes. Essa é a tônica do espetáculo “Mão na Luva”, texto de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), levado aos palcos pelos atores paulistanos Marcelo Pacífico e Isabella Lemos, fundadores do Teatro CIA e membros do Grupo Tapa. Elogiada pela crítica especializada de São Paulo, a montagem faz temporada em Belo Horizonte de 20 de janeiro a 27 de fevereiro, dentro da programação da Funarte-MG/2011.

Na trama, estruturada em cenas entrecortadas por flashes do passado, ‘Ele’ é jornalista de uma revista que está se vendendo aos interesses econômicos e políticos da época. Idealista, busca organizar uma publicação independente junto com os colegas de trabalho. Mas ao se render ao regime, tomando o lugar de um dos companheiros que já havia deixado a revista, ‘Ele’ sobe na vida, contradiz os seus ideais e perde a estima dos amigos e, principalmente, da mulher, ‘Ela’. Ao rever a história de nove anos de casamento, que inclui aventuras extraconjugais de ambos os lados, ‘Ela’ anuncia o desejo de deixá-lo, acusando-o de fraqueza moral. A questão ética vivida por ‘Ele’ tem o mesmo peso dramático da traição amorosa. Assim, discutindo princípios, coerência ideológica, oportunismo e infidelidade, Vianinha trata de amor, confiança e relações.

“...um apaixonadíssimo poema de amor, recitado através de diálogos de um lirismo desenfreado, às vezes singularmente pouco submisso às normas do raciocínio.” Yan Michalski, colunista do Jornal do Brasil entre as décadas de 1960 e 80, considerado um dos mais conceituados críticos teatrais cariocas.
  
Visto como autor político, Vianinha revela em “Mão na Luva” um lado seu menos conhecido e mais interessado nos dramas privados da classe média. Para Marcelo e Isabella é surpreendente perceber a atualidade do texto, com que se identificam de forma tão poética, contundente e cuidadosamente construída. A universalidade do tema, tratado de forma tão desconcertante pelo autor, é o que instigou e levou os atores a reconhecer dentro de um processo de estudos, pesquisas e ensaios, uma ligação direta com o que o próprio Vianinha disse em sua última entrevista, em 1974: “Acho que a responsabilidade do artista hoje é a da profundidade, é a tentativa desesperada de seguir o que disse Brecht: ‘Aprofunde o mais que puder, pois só assim poderá descobrir a verdade’. É essa tentativa de ser profundo e atingir a profundidade não no sentido de ser obscuro, mas a profundidade no sentido da riqueza da realidade, de riqueza da vida, de paixão pela existência humana.”

“Dentre os diversos autores já trabalhados pelo Grupo Tapa, desde a sua fundação em 1979, Oduvaldo Vianna Filho é um dos dramaturgos brasileiros mais instigantes e desafiadores. A força e poesia de seu texto são diretamente aliadas a um experimentalismo cênico que desafia não só os atores, mas também o seu público. O trabalho de Isabella Lemos e Marcelo Pacífico é surpreendente na medida em que eles encontraram uma forma muito particular de encenar este texto e este autor, se apoderando com muita propriedade do tema para criar sua própria linguagem cênica, além de possuírem o perfil adequado aos personagens”, diz Eduardo Tolentino de Araújo, diretor e fundador do Grupo Tapa.

Mariangela Alves de Lima, importante crítica teatral paulistana, escreveu sobre o espetáculo para o jornal O Estado de São Paulo: “...a vigência dessa relação construída sobre os alicerces etéreos da afinidade e da atração sexual só tem para defendê-la dois corpos desarmados. E é sobre essa perspectiva do embate corporal que se organiza o espetáculo idealizado pelos intérpretes Isabella Lemos e Marcelo Pacífico...” “...É a tonicidade do diálogo corporal e verbal assumida pelos intérpretes do espetáculo que indica a dimensão da perda. Porque são ambos vigorosos, atentos e receptivos aos sinais do parceiro em cena, os dois intérpretes formam uma unidade em que não há ponto de fissura aparente. Estão ainda ligados e, na aparência, formam um amálgama cuja dissolução os diálogos anunciam, mas que não se realiza em cena. Mesmo quando se agridem, os encaixes são precisos e aparentemente naturais, tal como os combates estilizados na coreografia dos tangos. Assemelham-se nas roupas, assemelham-se na interação coreográfica e, por vezes, sugerem um organismo com um sistema sanguíneo único...” “...Isabella Lemos e Marcelo Pacífico vêem sob um ângulo bem definido a peça que escolheram, representam com imagens bonitas e preparo técnico incomum as rápidas mutações do texto e, desde o primeiro momento, seguram com rédea curta a emotividade das personagens para evitar a tonalidade fácil do melodrama.”

Texto
Finalizado em 27 de julho 1966, o texto foi arquivado por Vianinha e nunca levado a público.  Dentre as várias hipóteses, acredita-se que ele a tenha guardado por entender que ela não combinava com a proposta cultural do grupo Opinião, do qual fazia parte à época. A peça só foi resgatada por sua viúva, Maria Lúcia Marins, aproximadamente 18 anos depois, durante uma pesquisa de compilação de todos os trabalhos do dramaturgo. O nome original deste texto era o mesmo de outra peça de Vianinha escrita em 1970, Corpo a Corpo. Assim, optou-se por chamar a peça de “Mão na Luva”, frase que é citada no texto e o define muito bem. A primeira e mais relevante das pouquíssimas montagens da obra até hoje foi realizada em 1984, dirigida por Aderbal Freire Filho, com Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha interpretando o casal.

Oduvaldo Vianna Filho
Nascido em 04 de junho de 1936, em Humaitá, Rio de Janeiro, filho do teatrólogo Oduvaldo Vianna e de Deocélia Vianna, Vianinha (como sempre foi conhecido) viveu intensos e produtivos 38 anos. Dramaturgo, ator, roteirista de cinema e televisão, participou ativamente (muitas vezes como fundador e líder) de vários movimentos e grupos teatrais e políticos. Vianinha recebeu vários prêmios por seus textos teatrais, inclusive alguns póstumos em virtude de terem sido censurados pela ditadura. E está em lugar de destaque na dramaturgia brasileira por obras como: “Mão na Luva”, “Moço em Estado de Sítio”, “Corpo a Corpo”, “Papa Highirte” e “Rasga Coração”. Faleceu em 16 de julho de 1974.

Oduvaldo Vianna Filho tornou-se o paradigma do artista criador e intelectual consciente do Terceiro Mundo, que acreditou na arte como forma de conhecimento e a utilizou como arma para a libertação. Com paixão avassaladora e uma dedicação quase religiosa, se entregou inteiro à utopia de, como artista e cidadão, ‘mudar o mundo’.” Alcione Araújo, no prefácio do livro Vianinha Cúmplice da Paixão de Dênis de Moraes.

Ficha Técnica
Concepção e interpretação: Isabella Lemos e Marcelo Pacífico
Iluminação: André Canto
Arte Gráfica: Ricardo Dantas
Fotos: Paulo Emílio Lisboa e Amanda Carvalho
Produção executiva: Teatro CIA
Co-produção e Supervisão artística: Grupo Tapa/Eduardo Tolentino de Araújo
Coordenação do núcleo de estudos do Tapa: Guilherme Sant´Anna e Brian Penido Ross


Grupo TAPA
O Teatro Amador Produções Artísticas, TAPA, foi fundado em 1979, no Rio de Janeiro, estreando com o infantil Apenas um Conto de Fadas, de sua autoria. Criações mais consistentes surgiram a partir de 1983, como Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, e Pinóquio, de Carlo Collodi, 1984. No ano seguinte, o TAPA abre o Festival de Teatro Brasileiro, projeto que se perpetua por muitos anos, por meio de encenações de grandes autores nacionais.

Em 1986, o grupo transfere-se para São Paulo, ocupando, como sede, o Teatro Aliança Francesa, por quinze anos, montando peças como: A Mandrágora, de Maquiavel, e Solness, o Construtor, de Henrik Ibsen; Sr. de Porqueiral, de Molière, Nossa Cidade, de Thornton Wilder, As Raposas do Café, de Celso Luís Paulini e Antônio Bivar, A Megera Domada, de William Shakespeare, As Portas da Noite, Jaques Prévert e Querô, uma Reportagem Maldita, de Plínio Marcos.

O grupo retoma o teatro realista em 1993, com Senhora Klein, de Nicholas Wright, e, no ano seguinte, ousa renovar Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. A partir de 1995, encena Corpo a Corpo, de Oduvaldo Vianna Filho, Rasto Atrás, de Jorge Andrade, Do Fundo do Lago Escuro, de Domingos Oliveira, Navalha na Carne, de Plínio Marcos e Moço em Estado de Sítio, de Oduvaldo Vianna Filho, em 1997; aproxima-se da cultura russa com Ivanov, de Anton Tchekhov; em 1999, A Serpente, de Nelson Rodrigues, As Viúvas, reunindo textos curtos de Artur Azevedo e uma adaptação de histórias de Maupassant, Contos de Sedução, em 2000.

Em 2001, o conjunto de atores interpreta Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes e Major Bárbara, de Bernard Shaw; A Importância de Ser Fiel, de Oscar Wilde, foi protagonizado por Nathália Timberg, em 2002. No mesmo ano, realiza Executivos, de Daniel Besse. Em 2003, remonta Melanie Klein, de Nicholas Wright.  Remonta com sucesso a peça A Mandrágora, de Maquiavel, em 2004. Camaradagem, de August Strindberg, foi eleito o melhor espetáculo de 2006 pela APCA. Em 2008, remonta Jorge Andrade com A Moratória, e estreia Amargo Siciliano, com textos de Pirandello e O Ensaio, de Jean Anouilh, além de Retratos Falantes, monólogos de Alan Bennett.

Em 2009, estreou o espetáculo inédito A Cloaca, da autora holandesa Maria Goos. Em 2010 promoveu o PANORAMA DO TEATRO BRASILEIRO 2ª geração, uma segunda edição da mostra de peças brasileiras que fez história na década de 1990. Atualmente, trabalha a montagem de Vestir os Nus, de Luigi Pirandello. Nestes mais de 30 anos, o Grupo TAPA já foi contemplado com todos os prêmios brasileiros disponíveis, entre APCA, Shell, Moliêre, Mambembe/Fundacen, APETESP, Governador do Estado de São Paulo e outros. Sendo um dos grupos mais respeitados e sólidos do país.

Teatro CIA
A Teatro CIA surgiu dentro do Núcleo de Atores do Grupo TAPA com o trabalho conjunto dos atores Isabella Lemos e Marcelo Pacífico, iniciado em julho de 2007, com o texto Mão na Luva, de Oduvaldo Vianna Filho. A montagem, dirigida pelos próprios atores sob supervisão artística do TAPA, estreou em janeiro de 2009 como o primeiro trabalho desenvolvido inteiramente dentro do Núcleo de Atores. Desde então, a Teatro CIA busca a continuidade do trabalho de pesquisa e estudos, especialmente baseado na qualidade dramatúrgica dos textos, e no desenvolvimento de uma linguagem teatral criativa e particular. Alicerçada sempre em soluções técnicas simples e se valendo ao máximo do corpo e voz do ator para as soluções cênicas.


Serviço
Funarte-MG apresenta “Mão na Luva”, texto de Oduvaldo Vianna Filho, montado pelo Grupo Tapa e Teatro CIA
Data/Horário: de 20 de janeiro a 06 de fevereiro - quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h
De 12 a 27 de fevereiro, sábado, às 20h, e domingo, às 19h
Local: Galpão 3 da Funarte-MG (Rua Januária, 68 – Bairro Floresta)
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) / R$ 5,00 (meia-entrada)
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Informações: (31) 3213.3084
Serão realizados seminários e oficinas durante a temporada. Interessados em participar deverão entrar em contato pelo telefone de informações.



Plantão Estadão

Neste final de semana, 08 e 09/01, estive de plantão para o Estadão. Acompanhe matéria publicada sobre um assalto a uma joalheiria no Shopping Del Rey em BH.