terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Companhia Suspensa estreia Enquanto Tecemos

Novo espetáculo da Companhia Suspensa estreia em BH durante a programação do Verão Arte Contemporânea 2011. O público poderá assistir a peça entre os dias 17 e 19 de janeiro, segunda a quarta, no Teatro Dom Silverio. A Odisseia de Homero e as histórias de seus personagens, Penélope e Ulisses são tecidas por meio de uma parceria inédita entre Roberta Manata, Julia Panadés e Sérgio Penna, que também dirige a peça. A narrativa é construída a partir de um conjunto de linguagens que une dança, textos, desenhos, objetos e sonoridades. Em cena, os artistas dialogam a partir de movimentos físicos que abordam diferentes humores, impulsos, temperamentos, conflitos e encontros da relação entre duas pessoas.

A montagem traz três personagens: Penélope, representada por Roberta Manata, Ulisses, interpretado por Sérgio Penna, e Atena, papel de Julia Panadés. “No texto, chamamos Penélope de ‘Ela’, Ulisses de ‘Alguém’ e Atena de ‘Eu’. ‘Ela’ e ‘Alguém’ vivem a aventura da espera e da ausência, e ‘Eu’ é uma Deusa que interfere na vida do casal, criando e projetando situações”, explica Roberta Manata. A bailarina completa que o espetáculo não é uma adaptação da obra, mas uma inspiração na situação de espera e solidão da história de Penélope e Ulisses. “O espetáculo nos faz pensar como viver juntos estando sós. Solidão que independe da distância e a ausência que evoca a presença. Essa narrativa se transforma em uma saga de aventura, na Odisséia da espera.”

As cenas são costuradas por textos desenhados ou escritos em projeção por Julia Panadés (Atena), de sua própria autoria, outrora dos poetas Ana Martins. Os textos falam das situações de espera, encontros e desencontros, das sagas e aventuras dos personagens. “São inspirados principalmente na espera de Penélope e na ausência de Ulisses”, esclarece Júlia. Sobre as linguagens utilizadas para a construção do espetáculo, Roberta Manata explica: “A dança, aliada aos textos, desenhos e a música criam uma narrativa que nos possibilita contar a história de solidão de um casal separado pela espera.”

Os objetos, a música e os desenhos proporcionam concretude e texturas necessárias ao que se propõem o espetáculo. “A utilização de diversas linguagens surgiu naturalmente. Não houve ordem hierárquica. Os elementos e seus respectivos usos foram surgindo em conseqüência da narrativa e do roteiro. Os objetos, os textos, desenhos e a trilha sonora completam as cenas e ajudam a delinear a história contada. O cenário foi construído em função da narrativa”, detalha Roberta Manata.



“Enquanto Tecemos” é resultado do desejo dos bailarinos Roberta Manta (Companhia Suspensa) e Sérgio Penna e da artista plástica Julia Panadés, de experimentar um processo de montagem sem os limites rígidos das autorias e funções. “Os limites comumente estabelecidos em parcerias artísticas, acerca das funções e campos de ação de cada artista, foram flexivelmente permeados e alargados ao longo do processo. A admiração que sentíamos diante do processo criativo do outro produziu a aproximação e a interseção de potências inventivas distintas. E assim os desenhos surgiram nas mãos dos bailarinos, o movimento tornou-se poema escrito, os objetos pediram novas danças, e assim montaram o espetáculo”, diz Roberta.

COMPANHIA SUSPENSA

A Companhia Suspensa trabalha, desde sua fundação, sob dois aspectos das artes cênicas: a dança e o circo contemporâneo. O grupo desenvolve projetos de pesquisa e interseções de linguagens do movimento tanto na criação de performances e espetáculos quanto em projetos educativos. Entre as montagens estão os espetáculos “Pouco Acima” – 2004 (indicado ao prêmio Usiminas Sinparc como melhor espetáculo de dança, melhor coreografia e melhor cenografia e premiado como melhor trilha sonora) e “De Peixes e Pássaros” – 2009. Realizaram a pesquisa “Sem os Pés no Chão” (2006) com publicação homônima e o projeto educativo “Objeto de Vôo” (2008) que gerou o DVD documentário de mesmo nome. Em 2009, realizaram um projeto de residência com o grupo inglês Scarabeus, que gerou a performance colaborativa, site specific na obra do C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa Armatrux), sede em construção.
Dar pulso a objetos, estar suspenso, no ar, no chão, ver o mundo ao avesso; entender a relação com outro e com o espaço sob outras perspectivas: poesia, encontros, limites, vertigens, estranhezas e frustrações. Entendendo a arte como um campo aberto de possibilidades, a Companhia Suspensa trabalha sob uma perspectiva sutil e humana: movimento, pulsões, sensações, palavras, música, silêncio, corpo e imagem fazem do seu trabalho, construções cênicas que permitem leituras e percepções  diversas.

Ficha Técnica

Concepção/Criação: Julia Panadés, Roberta Manata e Sérgio Penna
Proposição inicial: Roberta Manata
Direção de cena: Sérgio Penna
Bailarinos: Roberta Manata e Sérgio Penna
Performer: Julia Panadés
Direção de arte: Julia Panadés
Trilha original: Lenis Rino
Desenho e luz: Sérgio Penna Figurinos: Gilda Quintão
Assistente de arte: Clarice Panadés
Soluções cenográficas: Paulo Waisberg
Textos: Ana Martins Marques e Julia Panadés
Assessoria de cena: Karina Collaço
Arte gráfica: Tana Guimarães Sobre foto de Clarice Panadés.
Técnico de montagem: Lourenço Marques
Coordenação de produção: Sheila Katz
Produção executiva e artística: Clarice Panadés
Auxiliar administrativo: Carlos Eduardo
Realização: Companhia Suspensa


SERVIÇO

COMPANHIA SUSPENSA APRESENTA ESPETÁCULO ENQUANTO TECEMOS
Período: 17 a 19 de janeiro
Horário: segunda a quarta às 20h
Local: Teatro Dom Silvério – Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 – São Pedro - Belo Horizonte – MG
Classificação: Livre
Ingressos: R$14,00 (inteira) e R$7,00 (meia-entrada, através da exibição de identificação estudantil e comprovante de matrícula atualizado)
Duração: 60 minutos
Informação para o público: www.veraoarte.com.br, (31) 8809-9792 e (31) 3227-7331


VERÃO ARTE CONTEMPORÂNEA
O Verão Arte Contemporânea 2011 conta com os novos parceiros: Bar, restaurante e cabaré cultural Nelson Bordello, CentoeQuatro Espaço Cultural, Palácio das Artes, dDuck Club, Detono Graffiti, Fundação de Educação Artística, Fundação Municipal de Cultura, Inhotim, JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, Mini Galeria, Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, Museu Inimá de Paula, Oi Futuro, Teatro Alterosa, Teatro Dom Silvério e Teatro SESI-Holcim.

O projeto é idealizado e realizado pelo Grupo Oficcina Multimédia, com parceria da Mercado Moderno. O VAC 2011 é apresentado pela Oi, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com o valor de R$ 200.000,00, patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura com o valor de R$60.000,00 e apoiado pela Belotur com o valor de R$ 15.000,00. Outras empresas apoiadoras do projeto são: Cinema Usiminas Belas Artes, Cinema Cineclube Savassi, Editora Lastro, Fundação Clóvis Salgado, Krug Bier, MTV Minas, Museu Inimá de Paula, Oi FM, Oi Futuro, Sucos Disfrut, Advocacia Drummond e Neumayr, Estilista Virginia Barros, BHTrans, Leroy Studio, Casa de shows Contorno Mineiro, Restaurante Bem Natural, Restaurante João Rosa e Walkíria Vaz Gastronomia.

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