segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Murilo Rubião - homenagem com teatro, exposição e mostra de filmes

O projeto Teatro em Movimento, realizado pela Rubim Produções, completa 10 anos em 2011, trazendo a Belo Horizonte montagens de destaque na cena teatral brasileira. De 16 a 18 de setembro, apresenta, no Sesc Palladium, o espetáculo “O Amor e Outros Estranhos Rumores”, peça com importantes profissionais mineiros em sua ficha técnica. O texto é do escritor Murilo Rubião (1916-1991), a direção de Yara de Novaes e o elenco conta com Débora Falabella, e Rodolfo Vaz, ator convidado especialmente para esse trabalho, além dos atores Priscila Jorge e Maurício de Barros.

A montagem é uma homenagem a Murilo Rubião, que no dia 16 de setembro, data da estreia em BH, completa 20 anos de sua morte. Essa turnê conta com preços populares de ingressos e já estão a venda na bilheteria nos valores de R$ 20,00 a inteira e R$ 10,00 a meia entrada.

Além disso, o Grupo 3 de Teatro promove um colóquio com apoio da UFMG, uma mostra de vídeos e filmes adaptados da obra de Murilo, no SESC Palladium e a exposição o Reescritor Fantástico, com expografia de André Cortez. Atividades gratuitas. (Programação no final do release).

Espetáculo
A peça, que é comemorativa dos cinco de atividades do Grupo 3 de Teatro, encena três contos de Rubião, mestre brasileiro do realismo fantástico: O Contabilista Pedro Inácio, cujo personagem contabiliza os custos de um amor; Bárbara, em que um marido resignado se vê diante dos pedidos incessantes e nada comuns da esposa, que engorda a cada desejo satisfeito; e (Três nomes para) Godofredo, uma interpretação aguda sobre o casamento e a solidão. Risíveis e absurdas, essas histórias compõem um espetáculo que busca expressar o quanto há de ordinário e, ao mesmo tempo, extraordinário em nossas vidas.

O espetáculo tem cenografia de André Cortez, trilha sonora de Morris Picciotto, iluminação de Fabio Retti, e Fábio Namatame assina figurinos e visagismo. A adaptação ficou a cargo de Silvia Gomez, autora de O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade. A direção de produção é de Gabriel Fontes Paiva.

A obra de Murilo Rubião permaneceu praticamente desconhecida para o grande público durante mais de três décadas. A reedição do seu livro de contos O Pirotécnico Zacarias, em 1974, o tiraria do esquecimento, transformando-o praticamente em um best-seller nacional, admirado pelos leitores e por intelectuais do porte de Mário de Andrade que, em 1943, escreveu que “o mais estranho é o seu dom forte de impor o caso irreal . O mesmo dom de um Kafka : a gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação mais”.

Os contos e o espetáculo, pela diretora Yara de Novaes
Os três contos – Memórias do Contabilista Pedro Inácio; Os Três nomes de Godofredo e Bárbara – tem em comum a questão do amor. No primeiro, o amor contabilizado como uma lista de Excel, o protagonista diz “Jandira me custou tantas cartelas de aspirina e tantas passagens de bonde, me saiu por tantos contos de reis”. Um homem que está sempre contabilizando seus ganhos e perdas no amor que nunca se realiza, que não satisfaz. No segundo, um homem meio Barba Azul, colecionador de esposas que vai matando, em busca de uma felicidade/um amor perdidos na memória. No terceiro, o amor de um marido pela esposa alienada num universo próprio e narcísico, insaciável, a esposa que não o vê senão como fonte de satisfação material.

De qualquer maneira, são três formas de amor sem sucesso, fadadas desde o início de cada conto ao fracasso e à infelicidade, temas próprios de Rubião. Além desse link do amor também queríamos criar elementos de ligação, uma conexão entre esses personagens e por isso um prólogo e um elemento absurdo – alguém com cabeça de coelho – como personagem entre as cenas, como construtor e mediador da cena. Essa estranheza de um coelho, algo parecido com o que David Lynch fez no filme Império dos Sonhos, surgiu de um quarto conto de Rubião, Teleco, o coelhinho. E ele sugere esse absurdo, o que não se pergunta e o que não se responde, tônica do autor que tentamos materializar.

A cenografia também se fez inspirada na lógica mágica que o autor desenvolve em seus contos. A repetição e a tendência ao infinito, quase como uma condenação sofrida pelas personagens foi o nosso motivo maior. Assim, junto como cenógrafo André Cortez e o iluminador Fabio Retti, escolhemos um espaço que se fecha e se abre progressivamente, e repetidamente, podendo se fechar novamente, num movimento circular, passando por uma simulação de um corredor encontrado nos caminhos que Murilo imprime na sua obra.

Conhecer um pouco mais da vida e das idéias de Murilo Rubião, através das entrevistas que lemos, nos fez ter a certeza de que várias de suas personagens são quase simulacros do próprio escritor. Isso nos deu uma pista muito interessante para a composição dos figurinos e da maquiagem: Pedro Inácio, Godofredo e o Marido de B. seriam feitos do mesmo barro, teriam a mesma linhagem do contista. Terno, bigode, óculos e certo ar dos anos 50. Mas precisávamos dar a eles uma camada mais alegórica. Foi assim que chegamos ao imaginário delirante das cidades retratado por George Grosz em seus quadros e aos retratos de Modigliani, com suas figuras humanas monótonas e rígidas, com uma “expressão de muda aceitação da vida”, nas palavras do próprio pintor. Fabio Namatame também cunhou as roupas femininas com o mesmo raciocínio de correspondência entre realidade e alegoria.

O universo muriliano, apesar da precisão e clareza do texto, é essencialmente imagético. Entretanto, essa figuração, como nas artes plásticas, é desprovida de compromisso com a realidade que vemos. Inicialmente, o músico e parceiro Morris Picciotto sugeriu que tudo ocorresse em silêncio, só com as falas. Porém, na cena, a música e a intervenção sonora revelaram-se essenciais na criação de parte dessas "imagens visuais", apoiando a elaboração do universo fantástico. Stravinsky, Varese, Sex Pistols com sua iconoclastia, os sons da natureza e do nosso cotidiano serviram de referência e a sonoridade acabou ganhando status de personagem.

A composição das personagens foi um trabalho de grande detalhamento. Os atores vão da narração ao dramático sem nenhum apoio ou degrau. O discurso direto e o indireto compõem a natureza das falas das personagens criando níveis diferentes de significação, mas convivendo naturalmente. Isso exige um raciocínio que abandone a lógica naturalista e os psicologismos próprios dela. A metamorfose se dá no discurso, no corpo, na relação com os objetos, com todas as circunstâncias que ajudam a compor o universo onírico. O ator precisa ter inteligência cênica para saber que sua personagem está em todas as coisas que existem no palco. Débora Falabella, Mauricio de Barros, Priscila Jorge e Rodolfo Vaz fazem isso com grande talento e, parafraseando Mario de Andrade, têm o dom forte de impor o caso irreal.

Serviço :  O amor e outros estranhos rumores”, com Débora Falabella e elenco
Classificação etária: 14 ANOS
Duração: 70 minutos
Dias/Horários: de 16 a 18 de setembro, sexta e sábado às 21h e domingo às 19h
Local: Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, 420, Centro - BH
Ingressos: R$ 20,00 inteira e meia-entrada R$ 10,00
Informações: (31) 3214-5350

Informações para a imprensa: Jozane Faleiro
(31) 3261.1501 / 9204.6367 – jozane@ab.inf.br


Colóquio
Reescrituras murilianas


No dia 16 de setembro, sexta-feira, ocorrerá o colóquio sobre Murilo Rubião, às 10h30 da manhã, no auditório 1001 da FALE, UFMG. Os participantes serão:

Profa.Eneida Maria de Souza (UFMG)
Prof.Reinaldo Marques (UFMG)
Prof.Roniere Meneses (CEFET-MG)
Profa.Sandra Nunes.(FAAP – SP)

O ato de reescrever e a opção pelo insólito definem a trajetória do mineiro Murilo Rubião (1916-1991), cuja obra se condensa em 33 contos. Esse universo insólito traduz-se pelo Grupo 3 de Teatro no espetáculo “O Amor e Outros Estranhos Rumores”. Encontra-se reescrito, ainda, nas imagens estéticas que dialogam com sua obra e na sua trajetória como intelectual.

Serviço :  Reescrituras Murilianas
Dias/Horários: 16 de setembro, sexta às  10:30
Local: Auditório 1001 da FALE (UFMG – Campus Pampulha)
Ingressos: Gratuito
Informações: (31) 3409-5106

Exposição

Exposição - O Reescritor Fantástico

O Grupo 3 de Teatro que tradicionalmente amplia suas ações de pesquisa por meio de oficinas, working in progress e publicações, apresentará em forma de exposição o universo de Murilo Rubião. No saguão do SESC Palladium,  o público aguardará o início do espetáculo participando de uma exposição interativa com expografia de André Cortez, que assinou as comentadas exposições no Museu da Língua Portuguesa: “Gilberto Freire interprete do Brasil” e “O Francês no Brasil em todos os sentidos”.


Serviço :  O Reescritor Fantástico
Dias/Horários: de 16 a 18 de setembro,
Local: Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, 420, Centro - BH
Ingressos: Gratuito
Informações: (31) 3214-5350



Mostra de filmes e vídeos

Mostra Muriliana

Curta metragem

- O Pirotécnico Zacarias
Direção: Rodolfo Magalhães

- O Bloqueio
Direção: Cláudio de Oliveira

Média metragem 

- O Ex-Mágico da Taberna Minhota
Direção: Rafael Conde

Vídeos/TV

- O Ex-Mágico da Taberna Minhota
Direção: Eder Santos
Contos da Meia Noite (TV Cultura)

- Livro Aberto - aniversário de 90 anos Murilo Rubião-
Rede Minas
Serviço :  Mostra Muriliana
Classificação etária: 14 ANOS
Duração: 90 minutos
Dias/Horários:  17 e 18 de setembro, sábado e domingo às 17h
Local: Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, 420, Centro - BH
Ingressos: Gratuito
Informações: (31) 3214-5350







Seis anos do Grupo 3 de Teatro
Essa é a terceira montagem do Grupo 3 de Teatro que em setembro de 2005, estreava A Serpente, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Formado por Débora Falabella, Gabriel Paiva e Yara de Novaes, mineiros radicados em São Paulo, que davam continuidade ao trabalho feito em Belo Horizonte, desde 1999. O cenário dessa montagem foi agraciado com o prêmio Shell (2005) e um dos representes do Brasil na Quadrienal de Praga (2007). 

Além dos três fundadores, o Grupo possui uma equipe fixa de criadores que vem desenvolvendo um trabalho sistemático e contínuo cujo resultado é uma estética própria, inovadora e reconhecida. Em 2007, o Grupo produziu O Continente Negro, considerado um dos melhores espetáculos do ano: texto do chileno Marco Antonio de La Parra, dirigido por Aderbal-Freire Filho e estrelado por Débora, Yara e Ângelo Antônio. Em 2009, o grupo publicou a tradução do texto com fotos e criticas do espetáculo, na ocasião de estréia da temporada Carioca.

Em 2008, apresentou no SESC Pompéia a Mostra Contemporânea de Arte Mineira que contemplou mais de 300 artistas em uma semana repleta de atrações entre teatro, música e ritos feitos em Minas.

Foi justamente durante a Mostra Contemporânea de Arte Mineira que o universo mágico, estranho e mineiro de Rubião, se tornou realidade e imprescindível para o Grupo 3. Com ele e através dele o Grupo decidiu avançar em uma linguagem particular, tendo a literatura como ponto de partida para o exercício teatral. Uma literatura de excelência e vocacionada para a cena. A leitura e o estudo dos 33 contos de Murilo Rubião seriam, então, propositores de uma pesquisa em que todos os elementos da cena entrariam em consórcio para a criação de uma nova obra.


Teatro em Movimento – 10 anos
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, foi criado há 10 anos, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para outros Estados e também pequenas cidades. Inicialmente, atuando em Minas Gerais e seu entorno, o projeto levou à capital mineira e algumas cidades do interior, espetáculos com peso nacional, tendo no elenco atores como Paulo Autran, Debora Bloch, Glória Menezes, Diogo Vilela, Antônio Fagundes, dentre outros. Desde sua criação, foram mais de 150 peças e shows que somam 477 apresentações. O projeto atua em diversos Estados brasileiros, sendo co-realizador da circulação dos espetáculos do grupo Ponto de Partida nas cidades de Mariana (MG), São Luiz (MA), Vitória (ES) e Aracajú (SE).

Nesta edição de 2011 estreia com o patrocínio da FIAT, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e com o apoio do Instituto Unimed por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Os resultados do projeto vão além da inclusão das cidades na circulação das montagens. A iniciativa possibilita a formação de um espectador mais crítico e de um público mais preparado e habituado a lotar as salas dos teatros. A idéia é consolidar o hábito de ir ao teatro e fomentar a cultura das artes cênicas, por isso os espetáculos acontecem ao longo do ano e não concentrados em um curto período como nos festivais. O teatro, sendo um agente de transformação social, é capaz de atuar como um difusor de idéias e de cultura podendo ser usado como um instrumento de comunicação. Para ratificar a potencialidade de transformação social e cultural do teatro e colocar em prática os objetivos do projeto, o Teatro em Movimento ainda promove sempre que possível oficinas gratuitas, palestras e workshops para profissionais da área e interessados. Dessa forma, cria-se uma rede de circulação de informação fortalecendo a possibilidade de sustentabilidade do setor cultural.

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