sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Musical É com esse que eu vou...

Após bem sucedida temporada no Rio de Janeiro, o espetáculo “É Com Esse Que Eu Vou” chega a Belo Horizonte para apresentações nos dias 08 e 09 de outubro, sábado e domingo, no Teatro Sesiminas. Idealizado pela historiadora Rosa Maria Araújo e pelo jornalista e compositor Sérgio Cabral, o musical, além de grandes nomes no elenco como Sheila Matos, Marcos Sacramento, Pedro Paula Malta, Alfredo Del-Penho, Makley Matos, conta ainda com duas legítimas herdeiras do trono do samba, Beatriz Faria, filha de Paulinho da Viola e Juliana Diniz, neta do sambista Monarco. Reeditando a vitoriosa parceria de “Sassaricando”, que, após quatro anos em cartaz e mais de 200 apresentações pelo país, foi vista por 170 mil espectadores, a dupla convidou os diretores Claudio Botelho e Charles Möeller para comandar a montagem, que é uma espécie de continuação da outra. O espetáculo tem patrocínio da Petrobras, produção da Tema Eventos e produção local da Rubim Projetos e Produções. Este projeto foi selecionado pelo programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2011/2012

Enquanto “Sassaricando” retratava o que havia de melhor no universo das marchinhas carnavalescas, “É com esse que eu vou” convida o público para um grande baile, animado por inesquecíveis sambas momescos, compostos entre as décadas de 1920 e 1970.

Os diretores Claudio Botelho e Charles Möeller fizeram um mergulho profundo no universo das canções. “Fiquei fascinado com a qualidade dos sambas escritos para o carnaval. Independente do material, busco entender o que há de teatral nele e, neste caso, me deparei com uma infinidade de possibilidades cênicas”, festeja Claudio. “Estas músicas têm uma característica que se perdeu nas últimas décadas: elas falam de personagens, abordam a vida de pessoas comuns, como a lavadeira, os operários. São histórias com começo, meio e fim”, acrescenta.

Para a encenação, os diretores optaram por criar uma revista. “Na verdade, é a revue americana, sem enredo definido. O que existe é o tema que, na nossa montagem, é o samba de carnaval”, explica Claudio. “Usamos diálogos curtos, a base do texto são as próprias letras das canções, que proporcionam um verdadeiro passeio pela história do Brasil. Há muito humor, crônica social, mas também uma forte dose de lirismo e dramaticidade. Há espaço até para a dor de cotovelo”, brinca.

Claudio enaltece ainda o conforto de trabalhar com um elenco que tem amplo domínio do gênero musical do espetáculo. “Eles sabem tudo de samba. Estar ao lado deles me dá total segurança, fico tranquilo para criar, transformar algumas canções. Quando tenho alguma ideia, sempre consulto os meninos, porque não quero descaracterizar, respeito a matéria prima com que estou lidando”.

A cenografia de Rogério Falcão tem como inspiração o glamour dos cassinos. São seis cenários que remetem ao Rio antigo, ao luxo dos bailes, aos grandes cassinos da Urca e de Copacabana, além de reproduzirem imagens do bonde, dos arcos da Lapa e do Pão de Açúcar.

Os figurinos de Ney Madeira têm como inspiração as ilustrações do cartunista carioca J. Carlos, especialmente a figura do mendigo trapeiro, que vestia roupas remendadas com retalhos e carregava um grande saco nas costas. “O musical é centrado no ator, então não criei muitos figurinos. Todos usarão uma roupa de base, superpondo peças. A imagem do mendigo me deu uma possibilidade de agregar os diversos temas que o espetáculo apresenta, harmonizando seus contrastes”, explica Ney. “Predominantemente em preto e branco, os retalhos dão forma a paletós, calças e saias. Lado a lado, a seda, o lamê, o cetim e o algodão se renovam e constroem o democrático pano de retalhos que veste todos os boêmios, trabalhadores, cabrochas e madames retratados nos sambas cantados no musical”, complementa.

Além de Rosa Maria Araújo, Sérgio Cabral, Claudio Botelho e Charles Möeller, o espetáculo marca o reencontro de outros artistas que dividiram o sucesso de “Sassaricando”.  Luis Filipe de Lima assina novamente a direção musical, bem como Renato Vieira repete a dose na coreografia e Paulo César Medeiros, na iluminação. “Aproveitamos todos os acertos do ‘Sassaricando’ e a experiência que adquirimos com ele nesses últimos quatro anos para produzir um musical que surge em sintonia com o movimento de resgate do samba promovido pela juventude atual, além de mexer com a memória afetiva de várias gerações”, explica Amanda Menezes, uma das sócias da Tema Eventos, produtora .

As canções, protagonistas do espetáculo

Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo pesquisaram durante um ano e dois meses para montar o repertório final de “É Com Esse Que Eu Vou”. Foram reuniões semanais, onde a dupla se debruçou sobre mais de 1200 sambas até selecionarem 153. O material foi novamente submetido a uma apreciação e, finalmente, chegaram às 83 canções presentes no espetáculo. “O que chamamos de samba de carnaval é a música que dividia com as marchinhas a animação da folia carioca”, explica Rosa Maria. “Esse tipo de música assumiu a sua forma definitiva em fins da década de 1920, quando uma geração de jovens compositores do bairro do Estácio (Ismael Silva, Alcebíades Barcelos e outros) criaram um tipo de samba especial para folia, sendo logo acompanhados pelos jovens compositores da época (Noel Rosa, Ary Barroso e outros) que, por sua vez, foram seguidos por Ataulfo Alves, Roberto Martins, Wilson Batista, Haroldo Lobo e todos aqueles que se dedicaram a criar sambas para o povo cantar no carnaval”, acrescenta Sérgio Cabral.

O roteiro de “É Com Esse Que Eu Vou” faz um passeio pela nobreza da produção musical brasileira. Clássicos como ‘Com que roupa’ (Noel Rosa), ‘Lata d´água’ (Jota Júnior/Luiz Antônio), ‘Leva meu samba’ (Ataulfo Alves) e ‘Ai que saudades da Amélia’ (Ataulfo Alves/Mário Lago),  incendiarão o baile, ao lado de pérolas menos conhecidas, como ‘Seu Libório’ (João de Barro/Alberto Ribeiro), ‘Falta um zero no meu ordenado’ (Benedito Lacerda/Ary Barroso) e ‘O homem sem mulher não vale nada’ (Roberto Roberti/Arlindo Marques Jr).

Os temas presentes no espetáculo foram desenvolvidos a partir do conceito de antagonismo, divididos em sete blocos: rico x pobre, orgia x trabalho, cidade x morro, tristeza x alegria, solteiro x casado, feminismo x machismo, briga x paz, culminando com a apologia do samba, uma espécie de síntese da paixão pelo gênero musical que é a cara do povo brasileiro. “A pesquisa obedeceu ao critério de seleção de sambas que retratassem a história social do Brasil, entre 1920 e 1970, período em que foram compostos”, pontua Rosa Maria. Todo o material que não estava acessível nas instituições públicas ou privadas é proveniente do acervo particular dos próprios autores do espetáculo.

Vídeo
Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral são também os autores do texto do vídeo ‘O morro e o asfalto’, que será exibido no espetáculo e reúne imagens históricas cedidas pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) e pelo Arquivo Nacional. A narração é de Paulinho da Viola, que prontamente aceitou o convite da dupla de criadores. Com direção de Rodrigo Ponichi, o curta traz ainda cenas dos filmes ‘O assalto ao trem pagador’, de Roberto Farias, e ‘Escola de Samba Alegria de Viver’/‘5X Favela’, de Cacá Diegues.

Banda ao vivo
A banda que estará no palco é formada por Beto Cazes (percussão), Dirceu Leite (sopros), Fabiano Segalote (trombone), Gilson Santos (trompete e flugelhorn), Alessandro Valente (cavaquinho), Oscar Bolão (bateria) e Paulino Dias (percussão). Luis Filipe de Lima, além ser o responsável pela direção musical e arranjos, toca violão de sete cordas.

A Tema Eventos
A Tema Eventos Culturais atua desde 1984 no desenvolvimento de projetos culturais. Ao longo destes anos de atividade vem apresentando ao público uma ampla variedade de espetáculos de qualidade, nas áreas de música, teatro e cinema e produzindo livros cds e dvds com alguns dos mais renomados artistas brasileiros. Dentre os projetos realizados nos últimos cinco anos, vale destacar a produção de ‘Sassaricando’, que estreou em 2007 e anualmente volta aos palcos; o musical ‘Era no tempo do rei’, com canções inéditas de Carlos Lyra e Aldir Blanc; a produção da série, ‘Alô... alô 100 anos de Carmem Miranda e o lançamento do filme ‘Jards Macalé – um morcego na porta principal’, entre outros.

A produtora foi responsável também pela turnê nacional de nomes como Céu, Quinteto Villa-Lobos e Hamilton de Holanda, além de séries especiais, como ‘Ismael Silva - deixa falar’, ‘Festa de Arromba – 40 anos da Jovem Guarda’. A Tema Eventos recebeu o Prêmio da APTR pela melhor produção teatral de 2007, por ‘Sassaricando’ e o Prêmio Especial do Júri do Festival Rio, pelo filme ‘Jards Macalé – Um morcego na porta principal’.

Serviço
“É Com Esse Que Eu Vou”
Elenco: Juliana Diniz, Sheila Matos, Beatriz Faria, Pedro Paula Malta, Alfredo Del-Penho, Marcos Sacramento e Makley Matos
Classificação livre
130 minutos (intervalo de 15 minutos)
Local: Teatro Sesiminas – Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia
Data/Hora: 08 e 09 de outubro, sábado, às 21h e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 20,00 e meia-entrada R$ 10,00
Informações: (31) 3241.7181


Assessoria de imprensa:
Jozane Faleiro – jozane@ab.inf.br – (31) 3261.1501 / 92046367

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