quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Festival Internacional de Cinema Infantil, de 21 a 30 de outubro

A capital mineira recebe a 9ª edição do Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI), que traz aos cinemas da Rede Cinemark, do Pátio Savassi, uma extensa programação de filmes, reunindo inéditos e clássicos, curtas-metragens brasileiros e internacionais, séries de TV, mostras especiais, além de oficinas de cinema de animação e debates. É a chance de toda a família de ver – ou rever – filmes que nem sempre tem a distribuição assegurada no Brasil, como ‘O Menino que Queria ser Viking’ (Holanda, 2006) e ‘Soul Boy – À Procura da Alma’ (Quênia, Alemanha, 2010). Com meia-entrada a R$ 5,00 (cinco reais) para todas as idades e oficinas gratuitas, o evento passou por São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Niterói, Brasília, Salvador, Aracaju, Recife, chegando a Belo Horizonte, de 21 a 30 de outubro.
A direção nacional do FICI é de Carla Esmeralda e Carla Camurati. Em BH, a coordenação é de Tatyana Rubim, da Rubim Projetos e Produções, parceira do projeto desde a primeira edição. Site: www.festivaldecinemainfantil.com.br
Programação:
Em todas os dias do FICI há programação de filmes (anexa) aberta para todo o público, além das sessões especiais que seguem abaixo:
21/10 - sexta-feira – 10h30 e 14h00 - “O Pequeno Jornalista” - Filme: “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar” (Japão, 2008).
A programação será aberta na sexta-feira, dia 21 de outubro, com “O Pequeno Jornalista”, onde crianças vão escrever e debater, com um jornalista especializado, sobre o  longa ‘Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar’ (Japão, 2008). O filme teve um público de apenas 20 mil espectadores no Brasil. Agora, ele será o tema de discussão em duas sessões, às 10h30 e às 14h, com indicação para crianças de 8 a 10 anos de idade. É uma forma de ouvir o que as crianças querem ver, para saber qual é a sua percepção do filme.
22/10 – sábado – 10h30 – Festa de abertura Oficial
Filmes: sala 1 – Sopa de Sapo (Dublagem ao Vivo) / sala 2 – Pequenos que nem você (sala DVD)
sala 3 – Brasil Animado (sala 3D) /sala 4 – Os Smurfs (sala 3D) /sala 5 – Poli, o Fusquinha de Polícia / sala 6 – Os Três Ladrões / sala 7 – Komaneko, o Gatinho Curioso / sala 8 – Meu Amigo Storm
Logo cedo, toda a família é convidada a participar da festa de abertura com programação de filmes, oficinas de pintura com recreadores e palhaços, além e brincaderias e pipoca para as crianças. 
21/10 - sexta-feira – A Tela na Sala de Aula
24 a 28/10 (segunda a sexta-feira) – 10h30 e 14h30 – A Tela na Sala de Aula. Filmes: O Pequeno Narigudo; African Bambi; O Pequeno Nicolau; Um Presente Para Winky; Iep!; e o Segredo de Kells.
Nesta edição o FICI oferece 7.214 vagas para as sessões de A Tela na Sala de Aula. Trata-se de uma programação especial para crianças de escolas e projetos sociais. Desde 2003, mais de 800 mil crianças foram beneficiadas. Muitas dessas crianças nunca foram ou raramente vão ao cinema. São exibidos filmes de diversas nacionalidades, aproximando, assim, as crianças de várias produções e vertentes cinematográficas. O intuito desta programação é oferecer filmes que sirvam ao professor como ferramenta de apoio à educação. Cada filme exibido possui um caderno pedagógico, com sugestões de atividades, criado a partir dos parâmetros curriculares do Ministério da Educação e dividido por segmento escolar (da Educação Infantil ao Ensino Médio). As sugestões de atividades destes cadernos devem ser utilizadas para a reflexão sobre os filmes e fixação dos conteúdos pedagógicos. É um convite para professores e alunos saírem da rotina e se divertirem juntos, descobrindo o que há de melhor em filmes infanto-juvenis.  E na volta à sala de aula, este “prazer pelo conhecimento” se prolonga através desta proposta de trabalho diferente, que parte dos comentários sobre o que foi visto no cinema para chegar aos objetivos do currículo escolar.
Sessões de  “Dublagem Ao Vivo”
22/10 – sábado – 10h - Sopa de Sapo (Dublagem ao Vivo) / 18h30 – “O Menino Que Queria Ser Viking”
30/10 – domingo -  10h30 - “O Menino Que Queria Ser Viking” / 14h30 – “Sopa de Sapo” / 16h30 – “As Grandes Aventuras da Abelha Hutch” / 18h30 – “O Grande Urso”

O segredo por trás dos filmes, revelado em uma experiência única. O público é convidado a  apreciar a competência dos profissionais de dublagem, que num piscar de olhos, são capazes de mudar vozes, personalidades e vivências.  Uma oportunidade imperdível! Ver e saber como é feita uma dublagem é mostrar uma face escondida do cinema, valorizando e reconhecendo este extraordinário trabalho.
Nesta edição, o FICI inova trazendo seis sessões de dublagem ao vivo. No dia 22 de outubro, sábado, os dubladores serão Marcelo Garcia, que dublou o Flash em "Liga da Justiça", o Homem Elástico em "Quarteto Fantástico", o Homem de Ferro, em "Vingadores", o Relâmpago McQueen, em "Carros", o Patrick em "Smurfs", entre outros; e Maíra Góes, que dublou a Dori, em "Procurando Nemo", a Elizabeth, em "Piratas do Caribe", a mãe, em "Karate Kid", a Tigresa, em "Kung-Fu Panda 2" , a Jamie, em "Amizade Colorida", entre outros.
No dia 30 de outubro, domingo, os dubladores serão Hélio Ribeiro, eleito um dos 10 maiores dubladores de todos os tempos pelo site “Os dez mais”. É dublador oficial dos atores Steve Martin, Robert de Niro, Tom Selleck,  Dennis Quaid, Kevin Kline e  Jon Turturro. Trabalhou nem Harry Potter - Lucius Malfoy, Procurando Nemo – Nigel; Vida de Inseto – Pelicano; Meu Amigãozão – Pai; Capitão Caverna – Caverninha; Espanta Tubarões – Don Lino; Homens de preto(MIB)- Carl; Yohoo- Yohoo; Homem Pássaro – Harvey e Capitão América – Caveira. E a tradutora Melise Maia que atuou em entre outros trabalhos com Harry Potter - Senhora Mcgonagall; Galaxy Quest – Gwen De Marco – (Sigourney Weaver); I Carly – Sra. Benson (mãe do Fred); Law & Order –Olivet (Caroline Mccormick); nos desenhos animados The Lost World - O Mundo Perdido Molly;  Fanboy & Chum Chum - Mãe OZ;  Mighty B! - Mary Frances; e George, O Curioso –Professora Wiseman.

28/10 – sexta-feira – 10h30 e 14h30 – “O pequeno Cientista” – Filme: “Oceanos”
Os questionamentos de quem está descobrindo o mundo são os mesmos que os cientistas um dia fizeram. Só que estes foram mais além e dedicaram suas vidas a encontrar respostas e buscar soluções. Esse encontro da curiosidade com a pesquisa é que faz com que as sessões do Pequeno Cientista sejam sempre inesquecíveis.  Nesta edição, a viagem é pelos mares, um mergulho em valiosas informações, onde as descobertas ficam por conta do conhecimento, generosamente compartilhado pelos estudiosos da biologia marinha. A sessão O Pequeno Cientista será realizada com o filme "Oceanos" (França, Suíca e Alemanha, 2009), de Jacques Perrin e Jacques Cluzaud.  Após o filme, haverá debate e experiências científicas no saguão do Cinemark sob a coordenação  sob a coordenação de um biólogo.
Dia 28/10 - sexta-feira – Mostra Novos Jovens – Filmes especiais para adolescentes
10h30 – “Desenrola” (de Rosane Svartman), debate com a coordenadora pedagoga do FICI, Lilia Levy
14h – “Soul Boy, à Procura da Alma” (de Hawa Essuman), debate com a coordenadora pedagoga do FICI, Lilia Levy e com o fundador e idealizador do Grupo de Teatro Nós do Morro, Guti Fraga.
16h – “Os Crocodilos Estão de Volta” (de Christian Ditter), debate com a pedagoga do FICI, Lilia Levy

Naquela fase em que ninguém entende a gente e nem a mesmo a gente se entende, os filmes são espelho e janela. Podemos nos reconhecer em muitos personagens e descobrir novas visões para nossos conflitos. O FICI sabe o quanto esta fase é importante e o quanto um filme pode ser decisivo na formação de conceitos a partir da reflexão. Todo ano, O Festival seleciona cuidadosamente o que existe de melhor para os pré-adolescentes. A proposta da Mostra Novos Jovens é apresentar os filmes que têm tudo a ver com a idade e levar especialistas para discutir os temas.
Muitas opções na tela 
O Programa Internacional traz títulos inéditos de diversos países em versão dublada e faz um pequeno panorama do cinema direcionado às crianças. Os destaques desta edição ficam com o dinamarquês “Meu Amigo Storm” (2009), de Giacomo Campeotto, “Poli, o Fusquinha de Polícia” (Noruega, 2009), de Rasmus A. Sivertsen, e o alemão “Os Três Ladrões” (2007).  Na programação estão longas de diversas localidades, como o estoniano “O Menino que Queria ser Viking” (2006), o dinamarquês “O Grande Urso” (2011), o holandês “Sopa de Sapo” (2009) e “As Grandes Aventuras da Abelha Hutch” (2010).
Para aqueles que acharam que não poderiam mais assistir a alguns longas de sucesso ou querem ter a chance de ver outra vez, o FICI traz uma seleção especial com a animação “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos” (Alemanha, 2010), “Brasil Animado”, de Mariana Caltabiano, e “Enrolados” (EUA, 2010), exibido na versão convencional (sem 3D).
 Grande produtora de cinema infantil, a Holanda sempre esteve presente nas outras edições com filmes que foram sucesso, o que levou as diretoras do evento, Carla Camurati e Carla Esmeralda, a realizar a homenagem. Já o Japão entrou pela primeira vez na programação, com filmes que tiveram pouca bilheteria por aqui, mas que as diretoras desejam levar ao público brasileiro.  
Patrocinadores e apoiadores
 O Festival Internacional de Cinema Infantil conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro/ Secretaria de Cultura, Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, Oi, McDonalds, Petrobras, BNDES, MiniSchin, Colgate, Protex e Cinemark; e o apoio da Oi Futuro, RioFilme, GloboFilme, Labocine, Copacabana Palace, Prefeitura de São Paulo, SBPC (Sociedade Brasileira para progresso da Ciência) e Ministério da Ciência e Tecnologia.
A Rede Cinemark no Brasil
Precursora e especializada no conceito multiplex no país, a Rede Cinemark chegou ao Brasil em 1997 e hoje conta com 446 salas distribuídas por 54 complexos em 14 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Somente em 2010, recebeu 38 milhões de espectadores. Pioneira na projeção 3D, a Cinemark dispõe atualmente de 138 salas com a tecnologia.
Serviço
Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI)
De 21 a 30 de outubro, no Cinemark do Patio Savassi – Avenida do Contorno 6061 –piso L3 – bairro São Pedro

Telefone Informações Cinemark:

Programação em: www.festivaldecinemainfantil.com.br

Valor do Ingresso para todas as idades: R$5,00


Informações para a imprensa: Jozane Faleiro
(31) 3261.1501 / 92046367 – jozane@ab.inf.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ariano Suassuna no palco

Farsa da Boa Preguiça  tem direção de João das Neves. Uma comédia musical que conta a história amorosa de um poeta pobre e preguiçoso que só pensa em dormir. Em cartaz de 14 a 16 de outubro, no Sesiminas



Belo Horizonte recebe a comédia musical Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, com a direção de João das Neves, um dos fundadores do “Grupo Opinião”. No elenco estão os protagonistas Guilherme Piva, Ana Paula Secco e Jackson Costa, além dos atores Daniela Fontan, Leandro Castilho, Vilma Melo, Flavio Pardal e Francisco Salgado. A peça, que teve várias indicações a prêmios e foi contemplada com os Prêmio Shell de Melhor Figurino e Prêmio Contigo de Melhor Musical Brasileiro, fica em cartaz de 14 a 16 de outubro, sexta-feira a domingo, no Teatro Sesiminas. O espetáculo tem patrocínio da Petrobras e produção local da Rubim Projetos e Produções. Este projeto foi selecionado pelo programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2011/2012.

“Acho meio desonesto aceitar um trabalho que não sei fazer!”, Joaquim Simão

A peça, indicada para todas as idades, inclusive jovens e adolescentes, narra a história de Joaquim Simão (Guilherme Piva), poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha (Daniela Fontan), mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão (Jackson Costa) e Clarabela (Ana Paula Secco), possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda a tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro.

“Ao encenar esse texto queremos reverenciar o mestre Ariano Suassuna e sua obra. Queremos celebrar, com carinho e alegria, aquilo que somos: artistas do povo brasileiro”, resume João das Neves, diretor do espetáculo.

Para Ariano Suassuna, a Farsa da boa preguiça tem dois temas centrais. Nela, não defendo indiscriminadamente a preguiça — coisa que, aliás, não poderia fazer, pois ela é um dos “sete vícios capitais” do Catecismo. No Teatro antigo, havia uma convenção, segundo a qual, no fim da história, o autor podia dar sua opinião sobre o que acontecera no palco. Era a chamada “licença”, ou “moralidade”. Pois bem. Na “licença” da “Farsa”, numa das estrofes finais do terceiro ato, diz um dos personagens:

“Há uma Preguiça com asas,
outra com chifres e rabo.
Há uma preguiça de Deus
e outra preguiça do Diabo.

O elenco divide o palco com mamulengos

Durante os ensaios, por sugestão do diretor, os atores fizeram oficinas de mamulengos - tipo de fantoche típico do Nordeste, especialmente em Pernambuco - com o artista plástico Gil Conti. O grupo se saiu tão bem, que o diretor resolveu utilizá-los em cena. Os mamulengos representam cada personagem e trazem as características físicas de cada ator. Durante o espetáculo os personagens são representados também pelos bonecos.


A música está presente em todo espetáculo

Com um texto rimado, característica muito presente nas obras de Ariano, Alexandre Elias, diretor musical da montagem, musicou vários momentos do espetáculo. Entre eles a música de abertura, composta pelo próprio João das Neves. Segundo Alexandre, são 15 músicas no total. “A sonoridade que estou construindo para o espetáculo é a que encontramos no universo do Ariano, uma mistura de musica nordestina de raiz, música folclórica, e, como não poderia deixar de faltar, música armorial. Essa música armorial é uma mistura da música nordestina de raiz com música medieval e clássica”, explica Elias.

A partir disso, o diretor pediu para que os próprios atores cantassem, dançassem e tocassem diversos instrumentos, como violão, cavaquinho, percussão, entre outros. Leandro Castilho e Flavio Pardal, inclusive, aprenderam a tocar rabeca com o mestre Daniel Bitter. E tiveram o privilegio de terem seus instrumentos construídos pelo famoso Nelson da Rabeca.

“Mesmo quando o ator vem me dizer que não sabe cantar nem tocar nada eu o coloco pra ralar e, no final, todos viram músicos. Porque, ao meu ver, a música está dentro de todas as pessoas, todos nós somos seres musicais e podemos fazer música e cantar. O canto é nosso instrumento musical natural e orgânico”, acrescenta Alexandre Elias.


Nordeste de Ariano inspira cenário e nos figurinos

Outro destaque da montagem, o cenário de Ney Madeira, contará com detalhes de algumas iluminugravuras do Ariano Suassuna e xilogravuras de Jota Borges, este, considerado pelo autor o maior artista popular de todos os tempos.

Completando a ficha técnica, Rodrigo Cohen criou figurinos super coloridos, inspirados nos festa populares da região.


Serviço:
Farsa da Boa Preguiça
Classificação 12 anos
120 minutos
Local: Teatro Sesiminas – Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia
Data/Hora: 14 a 16 de outubro, sexta e sábado, às 21h e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 20,00 e meia-entrada R$ 10,00 (ESTUDANTES DEVEM LEVAR O COMPROVANTE DE MATRÍCULA)
Informações: (31) 3241.7181

Assessoria de imprensa:
Jozane Faleiro – jozane@ab.inf.br – (31) 3261.1501 / 92046367


Sobre Ariano Suassuna e seu Museu Digital

Ariano Suassuna dispensa apresentação, mas nunca é demais ressaltar que o trabalho do romancista e dramaturgo é uma dos mais importantes referências da literatura brasileira. Fundador do “Movimento Armorial”, Ariano tem sua obra permeada por valores e personagens da cultura popular nordestina e de clássicos da literatura universal. O autor dos célebres “O Auto da Compadecida” e “A Pedro do Reino”, é o poeta das raízes mais fundas da nacionalidade, um defensor militante da cultura do Nordeste, tendo sido comparado a Dante e Cervantes.

A realização do projeto “Ariano Suassuna 80”, teve o objetivo maior de valorizar a obra de Ariano Suassuna, organizando-a e divulgando-a, através da realização de diversas ações multimídia (literatura, internet, teatro, cinema, palestras etc.), direcionadas para todos os públicos, com a finalidade de perpetuar sua memória. O programa de ações tem abrangência nacional e esta finalizando o Museu Digital no site www.arianosuassuna.com.br.

Sobre João da Neves

João das Neves (Rio de Janeiro, 1935). Diretor e autor.

Iniciou sua carreira profissional em 1959 com os espetáculos “O Noviço”, de Martins Pena; “A Grande Estiagem”, de Isaac Gondim; e “Caminho da Cruz”, de Paul Claudel. Ambos com o grupo “Os Duendes”. Em 1964, funda, ao lado de Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, Teresa Aragão, Paulo Pontes, Pichin Plá, Armando Costa e Denoy de Oliveira, o Grupo Opinião, um dos principais focos de resistência político-cultural das décadas de 1960 e 1970, que completou 45 anos de estrada. Durante doze anos cria espetáculos para o grupo. Seu primeiro texto montado, “O Último Carro”, metáfora do Brasil em um trem desgovernado, ficou quatorze meses em cartaz no Rio de Janeiro e depois foi para São Paulo.

Afinado com as propostas artísticas e ideológicas desse grupo, o diretor sempre privilegiou montagens de textos, tanto nacionais quanto estrangeiros, que poderiam servir de enfoque para a situação política do Brasil nos anos da ditadura militar, tais como: “A Saída, Onde Fica a Saída?” (1967), de Armando Costa, Antônio Carlos Fontoura e Ferreira Gullar; “Jornada de Um Imbecil até o Entendimento” (1968), de Plínio Marcos; “Antígone” (1969), de Sófocles, numa tradução de Ferreira Gullar; “A Ponte sobre o Pântano” (1971), de Aldomar Conrado; e “O Homem é Um Homem”, de Bertolt Brecht, tradução de Aldomar Conrado.João das Neves recebeu o prêmio Molière de melhor direção, o prêmio Brasília de melhor autor, ambos em 1976, e o prêmio Mambembe de melhor diretor, em 1977.

No fim da década de 1980, mudou-se para Rio Branco, onde, com atores amadores vindos de grupos de periferia, funda o Grupo Poronga. Com eles realizou o “Tributo a Chico Mendes”, peça baseada na história do líder dos seringueiros, assassinado por fazendeiros do Acre, em 1988, espetáculo apresentado nas principais capitais do Brasil.
Na década de 90 se estabeleceu em Belo Horizonte, onde, em 1992, adaptou e encenou o espetáculo “Primeiras Estórias”, baseado no livro de homônimo de Guimarães Rosa, que também foi remontado com formandos da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.A carreira de João das Neves revela um diretor que busca, por meio do teatro, a reflexão sobre as contradições da sociedade brasileira. A crítica e ensaísta Ilka Marinho Zanotto traça um perfil do artista: “João das Neves é um homem de teatro total”. Em 2007, encenou o musical “Bezouro - Cordão de Ouro”, com o qual foi indicado para diversos Prêmios, inclusive o Prêmio Shell de Teatro, como Melhor Diretor.


Ficha Técnica
Autor - Ariano Suassuna
Direção cênica - João das Neves
Direção musical - Alexandre Elias
Direção de movimento – Duda Maia
Figurinos – Rodrigo Cohen
Cenógrafo - Ney Madeira
Iluminação – Paulo César Medeiros
Direção de produção - Andréa Alves e Claudia Marques
Realização - Sarau Agência de Cultura Brasileira

Elenco
Ana Paula Secco, Dona Clarabela
Daniela Fontan, Nevinha
Flavio Pardal, Miguel Arcanjo e Quebra-Pedra (o Cão Caolho)
Francisco Salgado, Simão Pedro
Guilherme Piva, Joaquim Simão
Jackyson Costa, Aderaldo Catacão
Leandro Castilho, Fedegoso (o Cão Coxo) e Manuel Carpinteiro
Vilma Melo, Andreza, a Cancachorra