segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ariano Suassuna no palco

Farsa da Boa Preguiça  tem direção de João das Neves. Uma comédia musical que conta a história amorosa de um poeta pobre e preguiçoso que só pensa em dormir. Em cartaz de 14 a 16 de outubro, no Sesiminas



Belo Horizonte recebe a comédia musical Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, com a direção de João das Neves, um dos fundadores do “Grupo Opinião”. No elenco estão os protagonistas Guilherme Piva, Ana Paula Secco e Jackson Costa, além dos atores Daniela Fontan, Leandro Castilho, Vilma Melo, Flavio Pardal e Francisco Salgado. A peça, que teve várias indicações a prêmios e foi contemplada com os Prêmio Shell de Melhor Figurino e Prêmio Contigo de Melhor Musical Brasileiro, fica em cartaz de 14 a 16 de outubro, sexta-feira a domingo, no Teatro Sesiminas. O espetáculo tem patrocínio da Petrobras e produção local da Rubim Projetos e Produções. Este projeto foi selecionado pelo programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2011/2012.

“Acho meio desonesto aceitar um trabalho que não sei fazer!”, Joaquim Simão

A peça, indicada para todas as idades, inclusive jovens e adolescentes, narra a história de Joaquim Simão (Guilherme Piva), poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha (Daniela Fontan), mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão (Jackson Costa) e Clarabela (Ana Paula Secco), possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda a tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro.

“Ao encenar esse texto queremos reverenciar o mestre Ariano Suassuna e sua obra. Queremos celebrar, com carinho e alegria, aquilo que somos: artistas do povo brasileiro”, resume João das Neves, diretor do espetáculo.

Para Ariano Suassuna, a Farsa da boa preguiça tem dois temas centrais. Nela, não defendo indiscriminadamente a preguiça — coisa que, aliás, não poderia fazer, pois ela é um dos “sete vícios capitais” do Catecismo. No Teatro antigo, havia uma convenção, segundo a qual, no fim da história, o autor podia dar sua opinião sobre o que acontecera no palco. Era a chamada “licença”, ou “moralidade”. Pois bem. Na “licença” da “Farsa”, numa das estrofes finais do terceiro ato, diz um dos personagens:

“Há uma Preguiça com asas,
outra com chifres e rabo.
Há uma preguiça de Deus
e outra preguiça do Diabo.

O elenco divide o palco com mamulengos

Durante os ensaios, por sugestão do diretor, os atores fizeram oficinas de mamulengos - tipo de fantoche típico do Nordeste, especialmente em Pernambuco - com o artista plástico Gil Conti. O grupo se saiu tão bem, que o diretor resolveu utilizá-los em cena. Os mamulengos representam cada personagem e trazem as características físicas de cada ator. Durante o espetáculo os personagens são representados também pelos bonecos.


A música está presente em todo espetáculo

Com um texto rimado, característica muito presente nas obras de Ariano, Alexandre Elias, diretor musical da montagem, musicou vários momentos do espetáculo. Entre eles a música de abertura, composta pelo próprio João das Neves. Segundo Alexandre, são 15 músicas no total. “A sonoridade que estou construindo para o espetáculo é a que encontramos no universo do Ariano, uma mistura de musica nordestina de raiz, música folclórica, e, como não poderia deixar de faltar, música armorial. Essa música armorial é uma mistura da música nordestina de raiz com música medieval e clássica”, explica Elias.

A partir disso, o diretor pediu para que os próprios atores cantassem, dançassem e tocassem diversos instrumentos, como violão, cavaquinho, percussão, entre outros. Leandro Castilho e Flavio Pardal, inclusive, aprenderam a tocar rabeca com o mestre Daniel Bitter. E tiveram o privilegio de terem seus instrumentos construídos pelo famoso Nelson da Rabeca.

“Mesmo quando o ator vem me dizer que não sabe cantar nem tocar nada eu o coloco pra ralar e, no final, todos viram músicos. Porque, ao meu ver, a música está dentro de todas as pessoas, todos nós somos seres musicais e podemos fazer música e cantar. O canto é nosso instrumento musical natural e orgânico”, acrescenta Alexandre Elias.


Nordeste de Ariano inspira cenário e nos figurinos

Outro destaque da montagem, o cenário de Ney Madeira, contará com detalhes de algumas iluminugravuras do Ariano Suassuna e xilogravuras de Jota Borges, este, considerado pelo autor o maior artista popular de todos os tempos.

Completando a ficha técnica, Rodrigo Cohen criou figurinos super coloridos, inspirados nos festa populares da região.


Serviço:
Farsa da Boa Preguiça
Classificação 12 anos
120 minutos
Local: Teatro Sesiminas – Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia
Data/Hora: 14 a 16 de outubro, sexta e sábado, às 21h e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 20,00 e meia-entrada R$ 10,00 (ESTUDANTES DEVEM LEVAR O COMPROVANTE DE MATRÍCULA)
Informações: (31) 3241.7181

Assessoria de imprensa:
Jozane Faleiro – jozane@ab.inf.br – (31) 3261.1501 / 92046367


Sobre Ariano Suassuna e seu Museu Digital

Ariano Suassuna dispensa apresentação, mas nunca é demais ressaltar que o trabalho do romancista e dramaturgo é uma dos mais importantes referências da literatura brasileira. Fundador do “Movimento Armorial”, Ariano tem sua obra permeada por valores e personagens da cultura popular nordestina e de clássicos da literatura universal. O autor dos célebres “O Auto da Compadecida” e “A Pedro do Reino”, é o poeta das raízes mais fundas da nacionalidade, um defensor militante da cultura do Nordeste, tendo sido comparado a Dante e Cervantes.

A realização do projeto “Ariano Suassuna 80”, teve o objetivo maior de valorizar a obra de Ariano Suassuna, organizando-a e divulgando-a, através da realização de diversas ações multimídia (literatura, internet, teatro, cinema, palestras etc.), direcionadas para todos os públicos, com a finalidade de perpetuar sua memória. O programa de ações tem abrangência nacional e esta finalizando o Museu Digital no site www.arianosuassuna.com.br.

Sobre João da Neves

João das Neves (Rio de Janeiro, 1935). Diretor e autor.

Iniciou sua carreira profissional em 1959 com os espetáculos “O Noviço”, de Martins Pena; “A Grande Estiagem”, de Isaac Gondim; e “Caminho da Cruz”, de Paul Claudel. Ambos com o grupo “Os Duendes”. Em 1964, funda, ao lado de Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, Teresa Aragão, Paulo Pontes, Pichin Plá, Armando Costa e Denoy de Oliveira, o Grupo Opinião, um dos principais focos de resistência político-cultural das décadas de 1960 e 1970, que completou 45 anos de estrada. Durante doze anos cria espetáculos para o grupo. Seu primeiro texto montado, “O Último Carro”, metáfora do Brasil em um trem desgovernado, ficou quatorze meses em cartaz no Rio de Janeiro e depois foi para São Paulo.

Afinado com as propostas artísticas e ideológicas desse grupo, o diretor sempre privilegiou montagens de textos, tanto nacionais quanto estrangeiros, que poderiam servir de enfoque para a situação política do Brasil nos anos da ditadura militar, tais como: “A Saída, Onde Fica a Saída?” (1967), de Armando Costa, Antônio Carlos Fontoura e Ferreira Gullar; “Jornada de Um Imbecil até o Entendimento” (1968), de Plínio Marcos; “Antígone” (1969), de Sófocles, numa tradução de Ferreira Gullar; “A Ponte sobre o Pântano” (1971), de Aldomar Conrado; e “O Homem é Um Homem”, de Bertolt Brecht, tradução de Aldomar Conrado.João das Neves recebeu o prêmio Molière de melhor direção, o prêmio Brasília de melhor autor, ambos em 1976, e o prêmio Mambembe de melhor diretor, em 1977.

No fim da década de 1980, mudou-se para Rio Branco, onde, com atores amadores vindos de grupos de periferia, funda o Grupo Poronga. Com eles realizou o “Tributo a Chico Mendes”, peça baseada na história do líder dos seringueiros, assassinado por fazendeiros do Acre, em 1988, espetáculo apresentado nas principais capitais do Brasil.
Na década de 90 se estabeleceu em Belo Horizonte, onde, em 1992, adaptou e encenou o espetáculo “Primeiras Estórias”, baseado no livro de homônimo de Guimarães Rosa, que também foi remontado com formandos da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.A carreira de João das Neves revela um diretor que busca, por meio do teatro, a reflexão sobre as contradições da sociedade brasileira. A crítica e ensaísta Ilka Marinho Zanotto traça um perfil do artista: “João das Neves é um homem de teatro total”. Em 2007, encenou o musical “Bezouro - Cordão de Ouro”, com o qual foi indicado para diversos Prêmios, inclusive o Prêmio Shell de Teatro, como Melhor Diretor.


Ficha Técnica
Autor - Ariano Suassuna
Direção cênica - João das Neves
Direção musical - Alexandre Elias
Direção de movimento – Duda Maia
Figurinos – Rodrigo Cohen
Cenógrafo - Ney Madeira
Iluminação – Paulo César Medeiros
Direção de produção - Andréa Alves e Claudia Marques
Realização - Sarau Agência de Cultura Brasileira

Elenco
Ana Paula Secco, Dona Clarabela
Daniela Fontan, Nevinha
Flavio Pardal, Miguel Arcanjo e Quebra-Pedra (o Cão Caolho)
Francisco Salgado, Simão Pedro
Guilherme Piva, Joaquim Simão
Jackyson Costa, Aderaldo Catacão
Leandro Castilho, Fedegoso (o Cão Coxo) e Manuel Carpinteiro
Vilma Melo, Andreza, a Cancachorra


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