sexta-feira, 11 de maio de 2012

TEATRO EM MOVIMENTO TRAZ “PALÁCIO DO FIM” A BH




Baseada em três histórias reais, peça escrita pela canadense Judith Thompson
com Camila Morgado, Antônio Petrin e Vera Holtz no elenco, faz curta temporada no Sesiminas, dias 19 e 20 de maio


O projeto “Teatro em Movimento”, da Rubim Produções, traz a Belo Horizonte o elogiado espetáculo “Palácio do Fim”. Baseada em relatos verídicos, a montagem apresenta três visões particulares sobre o drama iraquiano. Com direção de José Wilker e elenco formado por Antônio Petrin, Camila Morgado e Vera Holtz, a peça, escrita por Judith Thompson, um dos principais nomes do teatro canadense contemporâneo, descreve com precisão e intensidade a forma pela qual três vidas, mesmo em lados opostos de um conflito, podem ser modificadas e conectadas pela barbárie. “Palácio do Fim”, referência à antiga sede da câmara de tortura de Saddam Hussein, leva o público a observar como, nas mais diferentes culturas, a irracionalidade traça sempre o caminho da dor. O espetáculo fica em cartaz no teatro SESIMINAS, dias 19 e 20 de maio, sábado e domingo.

No primeiro conto, denominado “Minhas Pirâmides”, Camila Morgado dá voz a Lynndie England, oficial do exército americano acusada na corte marcial pelo abuso de prisioneiros em Abu Ghraib. Grávida do ex-namorado, ela reflete sobre as fortes imagens que expuseram ao mundo as grotescas técnicas de tortura que arquitetou ― presos sendo puxados por coleiras e amontoados nus em pirâmides.

“Colinas de Horrowdown”, segunda história,  tem como protagonista o Dr. David Kelly ― vivido por Antonio Petrin ―, inspetor de armas britânico que relatou à BBC que não havia armas de destruição em massa no Iraque. Após ser atacado e humilhado pelo governo britânico, o cientista se prepara para a morte no cenário bucólico do bosque próximo a sua casa, na Inglaterra. Suas últimas horas são dedicadas a um discurso de mea culpa em que revela as circunstâncias pelas quais apresentou falsas premissas para a guerra.

A peça termina com  “Instrumentos de Angústia”, testemunho de Nehrjas Al Saffarh, interpretada por Vera Holtz, ativista iraquina membro do Partido Comunista. Com a doçura e o equilíbrio da maturidade, ela recorda como sobreviveu à polícia secreta de Saddam Hussein e aos horrores aos quais foi submetida no Palácio do Fim.

O cenário de Marcos Flaksman, os figurinos de Beth Filipecki e iluminação de Maneco Quinderé operam em perfeito equilíbrio com o texto, proporcionando um cuidadoso conjunto das vozes apresentadas.

“Palácio do Fim”, que estreou no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 2011, com produção de Claudio Rangel e José Wilker.  Em Belo Horizonte, a produção local é da Rubim Produções, de Tatyana Rubim, idealizadora do projeto Teatro em Movimento, que tem o apoio cultural do Instituto Unimed BH, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO:
Palácio do Fim, de Judith Thompson. Três emocionantes histórias reais sobre experiências vividas no Iraque antes e depois da invasão americana em 2003. Direção de José Wilker. Com Antonio Petrin, Camila Morgado e Vera Holtz.
Dias 19 e 20 de maio, sábado e domingo
Teatro Sesiminas – Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia – BH
Horário: sábado às 21h e domingo às 18h
Ingressos: R$ 60,00 - inteira e R$ 30,00 - meia-entrada
Informações: (31) 3241.7181
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos

FICHA TÉCNICA
Autora: Judith Thompson / Tradução: João Gabriel Carneiro / Direção: José Wilker / Elenco: Antonio Petrin, Camila Morgado e Vera Holtz / Cenografia: Marcos Flaksman / Figurinos: Beth Filipecki / Iluminação: Maneco Quinderé / Música original:  Marcelo Alonso Neves / Projeto gráfico: Felipe Taborda (direção de arte) e Lygia Santiago (design) /
Direção de Produção: Cláudio Rangel / Realização: M.I. Produções Artísticas

ASSESSORIA DE IMPRENSA
AB Comunicação: Jozane Faleiro  - 31 92046367 | 3261.1501 - jozane@ab.inf.br

SOBRE PALÁCIO DO FIM

Palácio do Fim surgiu da ideia de transformar um artigo de jornal em pequeno monólogo. Na época, o que mais chamou a atenção da dramaturga canadense Judith Thompson foi a cobertura da imprensa para o caso Lynndie England, oficial americana presa pela participação na tortura de prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib. A autora notou que os comentários sobre Lynndie eram repletos de ódio misógino, sem qualquer relação com política, e decidiu transformá-la em personagem.

Após uma primeira versão da peça, que contou com a atuação da atriz Waneta Storms, Judith incorporou outros personagens ao texto. O primeiro foi baseado na trajetória do cientista britâncio David Kelly, cuja coragem a sensibilizou. Para completar, era necessário dar voz a uma mulher iraquiana ― e, por coincidência, alguns de seus vizinhos eram imigrantes do Iraque. Foi essa a maneira pela qual entrou em contato com a história das torturas sofridas durante os anos 1960 pela mulher de um famoso comunista daquele país.

Estava pronto o conceito final de Palácio do Fim, produzido pela primeira vez como um peça completa no Epic Theatre, em Nova York. Em seguida foi montada em Los Angeles, no CanStage (Toronto), e no Royal Exchange (Manchester), recebendo o prêmio Amnesty International Freedom of Speech. Também venceu os prêmios Susan Smith Blackburn e Dora (o Tony de Toronto).

Diretor: José Wilker
Ator, diretor, escritor, crítico e produtor nas áreas de teatro, cinema e televisão. José Wilker é dono de um currículo que conta com 58 filmes, 41 novelas e minisséries na TV e 54 peças de teatro. Entre os longas de que participou está um dos maiores fenômenos de bilheteria da história do cinema brasileiro: Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), visto por 12 milhões de espectadores. Este ano, Wilker estreia na direção de um longa metragem com Giovanni Improtta ― do qual também é protagonista ―, onde retoma o papel do personagem criado por Aguinaldo Silva para a novela Senhora do destino (2004). Vencedor por dois anos do prêmio Molière, como melhor Ator, em 1976, e melhor Diretor de Teatro, em 1986.  No exterior foi laureado com o prêmio Melhor Ator Festival de Paris, em 2007 e o Troféu Tatu Tumpa por sua atuação em El Amor Más Grande del Mundo, no IX Festival Iberoamericano de Cine de Santa Cruz de 2007. 







Autora: Judith Thompson
Judith Thompson é autora, diretora, roteirista, atriz e professora. Graduou-se em atuação pela National Theatre School of Canada, em Montreal, e atualmente é professora titular da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, onde vive com o marido e os cinco filhos. Considerada um dos mais importantes nomes do teatro canadense contemporâneo, Judith escreveu 11 peças, dois roteiros para cinema, entre eles Lost and Delirious (2001), e uma série de artigos sobre escrita dramática e docência em teatro. Reconhecida por seu teatro visceral que dá voz a personagens marginais, Thompson ganhou uma série de prêmios, entre eles o Governor General’s Award de literatura por duas peças: White Biting Dog, em 1984, e The Other Side of the Dark, em 1989. Em 2007, ela conquistou o prestigiado prêmio Walter Carsen Prize  por sua excelência nas artes cênicas. Por Palácio do Fim, recebeu o Dora Mavor Moore Award, em 2008, e o Freedom of Expression Award, em 2009.

Camila Morgado é atriz de teatro, cinema e televisão, e atualmente apresenta o programa Saia Justa, no GNT. Por seu papel de estreia na televisão em A Casa das Sete Mulheres, em 2003, ganhou prêmios de melhor atriz revelação. Nos últimos nove anos participou de várias novelas e minisséries de televisão e dois filmes, entre os quais Olga, no qual interpreta a personagem principal e ganhou o Washington Award de melhor atriz estrangeira. No teatro, Camila se formou pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), estudou com Antunes Filho no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) e trabalhou por quatro anos na companhia de Gerald Thomas. Esteve em cartaz com a comédia Doce Deleite, dirigida por Marília Pêra, e Igual a Você, com direção de Ernesto Piccolo, feita de esquetes sobre transtornos comportamentais. Recentemente gravou uma participação na minissérie As Brasileiras, da TV Globo, no papel de uma cartomante no episódio “As apaixonadas de Niterói”. 

Antônio Petrin tem um vasto currículo teatral como ator e produtor: atuou em 54 peças, produziu nove e dirigiu 12. Recentemente esteve no ar com a novela Amor e Revolução, no SBT. No teatro, protagonizou Seria cômico se não fosse sério, texto de Friedrich Dürrenmatt e direção de Alexandre Reinecke. Atuou em várias novelas e especiais de televisão e 27 filmes, entre eles o clássico Eles Não Usam Black Tie (1980), de Leon Hirschman, e Se Nada Mais der certo (2007), de José Eduardo Belmonte. Foi premiado pela atuação na peça Ganhar ou Ganhar, em 1983, prêmio APETESP, e ganhou o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor ator pelo seu papel em A Última Gravação de Krapp, de Samuel Beckett, montagem de Francisco Medeiros, que ficou em cartaz de 2000 a 2005.

Vera Holtz é atriz de teatro e televisão, com mais de 50 trabalhos entre peças, novelas, minisséries e filmes. Após cursar a Escola de Arte Dramática (EAD) e a escola de teatro da Uni-Rio, estreou profissionalmente em Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho. Com Pérola, texto e direção de Mauro Rasi, de 1995, arrebatou os principais prêmios de atuação do Rio de Janeiro e em São Paulo, num trabalho consagrador que ficou cinco anos em cartaz. Nos últimos dez anos, trabalhou com os Irmãos Guimarães, de Brasília, fazendo um estudo sobre a obra de Samuel Beckett. O resultado foi a montagem de peças como Dias Felizes e Balanço. Aventurou-se como diretora em O Estrangeiro, de Albert Camus, em 2009, e em Sonhos de Vestir, em 2010, de Sara Antunes. 

Nenhum comentário: