quarta-feira, 25 de julho de 2012

Teatro em Movimento traz “Maria do Caritó” a BH


 O projeto Teatro em Movimento brinda o público mineiro com a peça “Maria do Caritó”, com Lilia Cabral e elenco. Uma comédia que revela valores, costumes e crendices que permeiam o imaginário do povo brasileiro. No palco, Lilia Cabral interpreta uma solteirona, que tem quase 50 anos e ainda é virgem, pois foi prometida por seu pai a São Djalminha. Ela faz promessas a Santo Antônio e todas as simpatias para burlar a promessa do pai e conseguir um marido. A montagem faz curta temporada no Grande Teatro do Sesc Palladium, de 03 a 05 de agosto, sexta a domingo.

Em Belo Horizonte, a produção local é da Rubim Produções, de Tatyana Rubim, idealizadora do projeto Teatro em Movimento, que tem o apoio cultural do Instituto Unimed BH, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Maria do Caritó

Depois de três anos longe dos palcos, Lilia Cabral retornou ao teatro, em 2010, na peça “Maria do Caritó”. O texto, escrito especialmente para a atriz por Newton Moreno, do aclamado As Centenárias, tem direção de João Fonseca. Completam o elenco Dani Barros, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Eduardo Reys. Sucesso de público e crítica, “Maria do Caritó” foi vencedor do Prêmio Arte Qualidade Brasil 2010 nas categorias diretor, atriz e espetáculo e teve indicação recorde para Prêmio Shell 2010, sendo indicado em seis categorias: direção, texto, atriz, cenografia, trilha sonora e figurino, vencendo a de Melhor Direção. A montagem também teve quatro indicações ao Prêmio APTR 2010: figurino, cenário, texto e atriz coadjuvante, vencido pela atriz Dani Barros.

Para a montagem, Lilia, que produz o espetáculo em parceria com Maria Siman, da Primeira Página, reuniu antigos amigos. “Conheço o Fernando Neves, a Silvia Poggetti e o Serroni (que assina o figurino) há mais de 30 anos, quando estudava na EAD, em São Paulo. São grandes companheiros e grandes atores. Sempre falávamos que precisávamos voltar a trabalhar juntos. Estamos muito felizes. A química continua a mesma. Parece que o tempo não mudou”, comemora a atriz. Ao grupo, foram incorporados novos amigos. Para comandar a trupe Lilia partiu de um antigo desejo. “Sempre quis trabalhar com o João Fonseca. Na verdade era uma vontade mútua. Conheci-o ainda como ator, antes de virar diretor e formar o grupo Os Fodidos Privilegiados, com o Antonio Abujamra. A direção de João é precisa. Ele nos deixa a vontade para criar, mas com critério. Isso é muito importante porque dá segurança ao ator”, elogia Lilia.  O texto também veio de um pedido da atriz, que encomendou a peça a Newton Moreno, um dos integrantes do grupo Os Fofos Encenam e que vem colecionando elogios com seus textos. Recebeu o premio Shell, por As Centenárias, com Andrea Beltrão e Marieta Severo, em 2007. Com a peça Agreste ganhou seu primeiro Prêmio Shell de Melhor Autor e o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) de Melhor Autor em 2004. “Maria do Caritó” é sua terceira peça.

A comédia revela valores, costumes e crendices que permeiam o imaginário do povo brasileiro. “Maria do Caritó” é solteirona, chegando aos 50 anos, que está decidida a se casar, ainda que, para isso, precise enfrentar a fúria do pai e de toda a cidade, que acreditam que ela é santa. “É cômico para quem vê e trágico para quem vive”, brinca Lilia. “A Maria do Caritó é uma personagem que sente uma frustração imensa por não ter se realizado como mulher. O que mais me encantou neste texto é que ele fala sobre fé. A Maria do Caritó não deixa de acreditar”, continua. “Maria do Caritó é uma heroína que se equilibra no duplo feminino, sacra e profana, virgem e mundana, santa e palhaça, arquétipo-brincalhão de um feminino desdobrado”, completa Newton. Na cultura popular nordestina, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem, fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. E assim, a moça que ficou no caritó é aquela que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.

Ao sobreviver no parto, em que sua mãe morre, Maria do Caritó foi prometida pelo pai (Fernando Neves) ao Santo Djalminha. “O pai é um homem fracassado, desiludido, que faz projeções através da filha”, explica Fernando. A cidade passa a acreditar que Maria é santa e faz milagres. Fininha (Silvia Poggetti) é a fiel escudeira de Maria do Caritó, que ajuda a amiga a fazer simpatias para conseguir um marido. Silvia Poggetti faz ainda os papéis de Dona Teodora, a proprietária do circo e Dona Cosma, uma beata que acredita que Maria do Caritó concebeu o milagre de fazer sua galinha voltar a botar ovos. As situações cômicas se sucedem, e os atores se dividem em vários papéis. Dani Barros além da galinha Damiana, acumula os papéis de “noiva ex-defunta” e de “Maria Ardida”. Eduardo Reys completa o elenco, dividindo-se nos papéis de Anatolli, Coronel e José. Anatolli é o artista de circo, que ilude a Maria do Caritó, fingindo-se de apaixonado. O Coronel é o verdadeiro pilantra, que quer tirar proveito da imagem de santa da Maria. José é a versão masculina da Maria do Caritó. 

Para o cenário, Nello Merrese se baseou na ingenuidade poética do Nordeste. Dispostos no palco estão paus de sebo, baús de circo, oratório de bandeiras e alguns caritós. Foram criados com exclusividade para o espetáculo as imagens de Santo Antonio, Santa Maria do Caritó, São Djalminha e São João, pelo artista plástico Anderson Thives.

Assinada por Alexandre Elias, a trilha sonora é um elemento fundamental na encenação, onde os atores cantam e tocam instrumentos. “Uma das características do João Fonseca é gostar de trilha misturada, ou seja, tem coisas que eu compus, tem coisas pesquisadas que eu escolhi, coisas que ele escolheu e até mesmo que os próprios atores escolheram. A música desse espetáculo é dividida em duas seções: trilha gravada  e música ao vivo. Nesta última seção os próprios atores cantam solos ou arranjos vocais que preparei para o elenco, em cima da musicalidade de cada um deles. Eles também tocam instrumentos como pandeiro, triângulo e percussões diversas e variadas para efeito de sonoplastia”, explica Elias.
A atriz e bailarina Kika Freire é responsável pela direção de movimentos dos atores. “Faço um trabalho de ajuste dos movimentos. Trabalho limpando os movimentos e criando, junto aos atores, movimentos específicos que caracterizam cada personagem”, explica Kika, que para as cenas musicais criou um desenho coreográfico. “Não chega a ser uma coreografia, como uma dança, mas uma marcação coreográfica para dar unidade e leveza às cenas”, continua.  

Paulo Cesar Medeiros assina a iluminação e os figurinos são de J.C Serroni. A direção de produção está a cargo de Maria Siman e realização da Primeira Página Produções Culturais e Lilia Cabral.

Ficha Técnica
Texto: Newton Moreno / Direção: João Fonseca
Elenco: Lilia Cabral, Eduardo Reys, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros
Cenários: Nello Merrese / Figurinos: J.C Serroni / Iluminação: Paulo César Medeiros
Direção de Movimentos: Kika Freire / Musica original: Alexandre Elias
Produção Executiva: Gabriela Mendonça
Direção de Produção: Maria Siman
Realização Nacional: Primeira Página Produções Culturais e Lilia Cabral
Realização Local: Projeto Teatro em Movimento
Produção Local BH: Rubim Produções

Serviço:
Maria de Caritó, com Lilia Cabral e elenco
Classificação etária: 12 anos / Duração: 100 minutos
Dias/Horários: 03 a 05 de agosto – sexta e sábado às 21h e domingo às 20h
Local: Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, 420, Centro – BH – estacionamento no local
Ingressos: Setores I e II: R$ 70,00 inteira e R$ 35,00 meia-entrada
                    Setor III: R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia-entrada
Venda online: WWW.ingresso.com / 4003.2330
Informações: (31) 3214-5350

Informações para a imprensa BH: 
Jozane Faleiro - (31) 3261.1501 / 9204.6367

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