segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

“Gonzagão – A Lenda” abre Teatro em Movimento e Teatro Bradesco


 
 
Teatro em Movimento inicia sua programação  e comemora o centenário de Luiz Gonzaga com  nove atores-cantores e quatro instrumentistas. Adaptado e dirigido por João Falcão, “Gonzagão, a Lenda” evoca um momento especial do teatro brasileiro

 

Comovente, inovador e poético. Estas qualidades não explicam, mas resumem a adaptação de João Falcão da vida de Luis Gonzaga, o Rei do Baião, musical intitulado  “Gonzagão – A Lenda”. O espetáculo chega a BH em cartaz por duas semanas consecutivas em março, com duas motivações: abre a temporada 2013 do projeto “Teatro em Movimento” e inaugura a programação de artes cênicas do novo Teatro Bradesco, que co-realiza esta iniciativa. O Ministério da Cultura, ao lado do Instituto Unimed-BH e Rubim Produções viabilizam o projeto. Dias 09, 10 e 16, 17 de março, sábados, às 21h e domingos, às 19h. No dia 16 ocorrerá uma sessão extra ás 18h30.

 

O público vai do riso às lágrimas com facilidade, ao som de quase 40 canções, entre as quais, “Cintura Fina”, “O Xote das Meninas”, “Qui nem Jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa Branca”.  Para os mineiros, um momento especial, que mistura emoção e mágoa, no encontro de Gongazão e Gonzaguinha, que morou os últimos anos de sua vida em Belo Horizonte.  “Nele, não há formato importado – é musical made in Brazil”,  diz Tatyana Rubim, idealizadora do projeto Teatro em Movimento. O musical  recebeu duas indicações nos prêmios Shell e APTR, nas categorias Melhor Música e Figurino.

 

A Produção

 

Como em qualquer história de homem que vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus biógrafos não batem, em que realidade e fantasia se confundem. Desde que foi convidado pela produtora Andrea Alves, da Sarau Agência de Cultura Brasileira, há dois anos, para criar um musical sobre o rei do baião, João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem. O resultado é “Gonzagão – A lenda”, espetáculo que estrou em 19 de outubro de 2012 no Teatro Sesc Ginástico, no Rio.

 

“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é enciclopédico, como a Wikipédia”, diz João Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido vários livros sobre esse que é um dos artistas mais importantes da música brasileira, falecido em 2 de agosto de 1989 e cujo centenário de nascimento ocorrido em 13 de dezembro de 2012.

 

A opção por uma abordagem teatral fica explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a “lenda do Rei Luiz”. Neste momento, os atores anunciam que encenarão uma história iniciada no sertão do Araripe, lá pelos idos do século XX - “eles estão no futuro, mas tudo é meio arcaico. Não se localiza a época”, diz João Falcão.

 

A atemporalidade vem acompanhada de uma proposital imprecisão espacial. No entanto, as referências são maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas. Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17 anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São Lourenço da Mata, onde vivia numa usina de cana de açúcar, a Tiuma. “A festa mais importante da minha casa era a de São João, e São João era Luiz Gonzaga. Ele era patrimônio do povo, mais do que qualquer outro artista, mais do que Roberto Carlos. Poucas músicas que estou usando no espetáculo, eu descobri agora. A maioria eu sabia de cor, já sabia tocar. Luiz Gonzaga é o fundo musical do Nordeste”, conta Falcão, que também é compositor.

 

O Elenco

 

A trupe da peça é formada por oito homens, Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Marcelo Mimoso, Paulo de Melo, Renato Luciano, Ricca Barros - todos revezando-se nos vários papéis, inclusive no de Gonzaga - e apenas uma mulher, Laila Garin. Vista primeiramente como um homem - evocação de Diadorim, Luzia Homem e outras famosas personagens da literatura de sertão -, ela se infiltra naquele ambiente que era apenas masculino e vai perturbá-lo. É uma trama paralela a de Luiz Gonzaga.

 

 

O Enredo

Na história do rei do baião, o diretor se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena -o primeiro grande amor- e Odaléa -a mãe de Gonzaguinha, de quem Gonzagão assumiu a paternidade, embora fosse estéril, e deu para um casal criar- como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos.

 

Também há espaço, naturalmente, para se falar da originalidade de Gonzaga, um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais. “Ele não só levou o baião para o Brasil inteiro, mas trouxe as linguagens do Nordeste para a sua obra, principalmente a partir da parceria com Humberto Teixeira. Foi um movimento pensado. Sua música é muito sofisticada e, ao mesmo tempo, parece que sempre existiu, como se não tivesse sido criada por alguém. Mas foi ele quem organizou tudo”, ressalta Falcão.

 

Os Músicos

 

De acordo com a linha não dogmática de todo o espetáculo, o diretor musical Alexandre Elias não ficou preso à estrutura básica do forró, que é sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto de quatro instrumentistas que atua no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista (Rick De La Torre), um violoncelista (Daniel Silva) e um rabequeiro e violeiro (Beto Lemos), que é capaz de tocar viola de 10 cordas como se estivesse tocando guitarra. “É o que estamos chamando de baião tarja preta, porque é meio rock em um ou outro momento”, diz Elias, um dos responsáveis por sucessos como “Tim Maia – Vale tudo, o musical”.

 

Rafael Meninão é um carioca filho de pais nascidos em Exu e decidiu se tornar sanfoneiro, no início da adolescência, após ouvir Luiz Gonzaga no rádio. Aos 21 anos, integra o grupo Rapacuia, acompanha artistas como Moraes Moreira e Daniel Gonzaga – que o indicou para o espetáculo sobre o avô – e é considerado uma das principais revelações do instrumento no país. “Eu queria ser jogador de futebol. Se não fosse Luiz Gonzaga, não teria virado músico. Aprendi sozinho, ouvindo os discos dele”, lembra.

 

Meninão – o apelido veio aos 13 anos, pois ele era alto para a idade – tem algo em comum com Marcelo Mimoso, que narrará boa parte da história de Gonzaga no palco e cantará a maioria das músicas: ambos nunca tinham assistido a uma peça antes de serem chamados para “Gonzagão – A Lenda”. Filho de sanfoneiro, Mimoso - ele fez parte do grupo Os Mimosos, daí o apelido - é taxista e, também, cantor de forró. Foi descoberto por João Falcão numa noite em que se apresentava num bar da Lapa. “Já pensei em largar tudo e viver só do táxi. Mas aí surge um convite como esse. Deixei até o táxi de lado, por enquanto”, conta.

 

O elenco de “Gonzagão – A Lenda” gravou em estúdio um CD com as 38 músicas que estão na trilha da peça. O disco foi lançado em dezembro, em comemoração ao centenário do compositor e foi destacado com ótima cotação do crítico de música Leonardo Lichote, do jornal O Globo.

 

 

Roteiro - Músicas

“Aboio”/ “Beata Mocinha” / “Cintura Fina” / “Vira e Mexe” / “Xamego” / “Lampião no Inferno” / “Lampião Falou” / “Samarica Parteira”/ “Lampião no Inferno” / “17 Légua e Meia” / “O Xote das Meninas” / “Romance Matuto” / “Olha pro Céu” / “Tem Pouca Diferença” / “Juazeiro” / “Pau-de-arara” / “A Feira de Caruaru” / “O Toque de Rancho” / “Ana Rosa” / “Roendo Unha” / “No Ceará Não Tem Disso Não” / “Sabiá” / “Vem Morena” / “Adeus Pernambuco” / “Galope” / “Qui Nem Jiló” / “Baião” / “Respeita Januário” / “Estrela de Ouro” / “Sangrando” / “A Vida de Viajante” / “O último pau-de-arara” / “Asa Branca” / “Assum Preto” / “A Morte do Vaqueiro, Toada” / “A Volta da Asa Branca” / “Óia Eu Aqui de Novo”.

 

Ficha Técnica

Texto, direção e roteiro musical: João Falcão / Elenco: Apresentando – Marcelo Mimoso – Atriz Convidada: Laila Garin - Atores Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Paulo de Melo, Renato Luciano e Ricca Barros / Músicos: Beto Lemos – Viola e Rabeca / Daniel Silva – Cello / Rick De La Torre – Bateria e Percussão / Rafael Meninão / Marcelo Guerini – Acordeon / Direção musical: Alexandre Elias / Direção de movimento: Duda Maia / Direção de produção e Idealização: Andréa Alves / Cenografia e Adereços: Sergio Marimba / Figurinos: Kika Lopes / Iluminação: Renato Machado / Preparação Vocal: Carol Futuro / Assistente de Direção: João Vancine / Assistente de Direção Musical: Carol Futuro / Programação Visual: Gabi Rocha / Fotos: Silvana Marques / Coordenação de Produção: Janaína Santos / Produção Executiva: Valesca Sandes / Produção e Realização: Sarau Agência de Cultura Brasileira / Produção Local: Rubim Produções

Co-realização , em Belo Horizonte- Teatro em Movimento, Teatro Bradesco e Sarau Agência

 

Serviço – “Gonzagão - A Lenda”

Sinopse: Uma trupe teatral conta a história do mito Luiz Gonzaga, o rei do baião, cujo centenário se completou em dezembro de 2012. O elenco interpreta mais de 50 músicas do compositor, valendo-se delas para narrar a vida do autor de “Asa Branca”, com humor , poesia e livre de formatos  estrangeiros. É um musical com raízes pernambucanas, cariocas , mineiras:  retrato do universo brasileiro.

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Dias: 09 e 10 e 16 e 17 de março, sábados às 21h e domingos às 19h. SESSÃO EXTRA NO DIA 16/03, SÁBADO ÀS 18H30.

Local: Teatro Bradesco – Rua da Bahia 2244, Lourdes (613 lugares)

Ingressos: setores I e II - R$ 70,00 inteira e R$ 35,00 meia entrada (conforme a lei)

Informações: (31) 3516 -1027

 

Informações para a imprensa:
AB Comunicação - (31) 3261 1501 –  Jozane Faleiro - (31) 92046367 – jozane@ab.inf.br

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