segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Edukators chega a BH e Araxá


Com direção de João Fonseca e adaptação de Rafael Gomes, montagem leva aos palcos a estória que marca os anseios de uma geração por revolução e sua indignação diante da imobilidade frente às injustiças. “Edukators” se apresenta na capital mineira no feriado de quinta-feira, 15 de agosto, no Teatro Bradesco; e, no dia 17, segue para Araxá

Belo Horizonte recebe “Edukators”, na programação do Teatro em Movimento, dando continuidade a suas ações do segundo semestre. Adaptado do clássico do cinema alemão de Hans Weingartner, o espetáculo sintetiza a indignação de uma geração órfã de revoluções. Rebeldes contemporâneos, Jan e Peter se autodenominam os “educadores”, donos de uma revolução simbólica e pacifista: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e disseminam mensagens de protesto. Tudo vai bem até um erro crucial durante a invasão da mansão de um milionário, que leva a um sequestro. Em “Edukators”, o conflito de gerações costura o retrato de uma juventude que não acredita em nada, mas nitidamente sente falta das utopias. A adaptação para o teatro é de Rafael Gomes e direção de João Fonseca. O elenco é formado pelo quarteto Natália Lage, Edmilson Barros, Fabrício Belsoff e Pablo Sanábio.  A montagem tem única apresentação no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte, no feriado de  15 de agosto, quinta-feira, às 20h. O projeto é viabilizado com o apoio cultural do Instituto Unimed-BH, com recursos da lei Estadual de Incentivo à Cultura.

E, no dia 17 de agosto, sábado, a montagem segue para Araxá, marcando a estreia do Projeto Teatro em Movimento no município, com apresentação gratuita no Teatro Municipal, às 20h. O projeto é viabilizado em Araxá com o apoio do Circuito CBMM de Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O espetáculo – “Edukators”
“Seus dias de fartura estão contados”. Ameaça terrorista? Manifesto? Desejo de mudar o mundo? Utopia? A mensagem escrita em um bilhete e espalhada pelos ‘Edukators’ propõe uma revolução. Eles não se conformam com a desigualdade social, é preciso reverter à lógica capitalista, transformar o pensamento de cada indivíduo. É tempo de mudança, movimento. Os ‘Edukators’ nasceram no cinema, fruto da imaginação do roteirista e diretor austríaco Hans Weingartner, mas podem estar na sala ao lado. Realidade e ficção desatam os nós, rompem as fronteiras.

A criação de Hans Weingartner tornou-se um dos mais cultuados filmes dos últimos anos, uma espécie de manifesto da nova geração, carente de utopias e ideias, dividida entre a nostalgia de um espírito revolucionário e a aceitação do “fracasso” de movimentos que pregavam a justiça e igualdade social. O filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e narra à história de três jovens que vivem em Berlim e praticam uma série de ações pacifistas. Eles acreditam que podem mudar o mundo, se auto intitulam ‘Edukators’ e procuram espalhar sua indignação de forma pacífica, invadindo mansões para divulgar suas mensagens de protesto. Eles não roubam nada, apenas alteram os móveis de lugar, desconfiguram o espaço. O objetivo é confundir, ameaçar simbolicamente. A invasão é arrematada com um bilhete no qual se lê a frase-manifesto: “Seus dias de fartura estão contados”.

Elenco
Pablo Sanábio e Fabrício Belsoff vivem os Edukators Peter e Jan, respectivamente. Natália Lage é Jule, namorada de Peter, que acaba descobrindo tudo e propõe a invasão da casa do milionário Hardenberg (Edmilson Barros), a quem deve uma considerável quantia em dinheiro. Algo dá errado e eles são obrigados a sequestrar Hardenberg. Da convivência e embate entre esses quatro personagens brotam as mais belas reflexões do texto. “Cada coração é uma célula revolucionária”. A relação entre os três amigos também se altera, ainda mais quando vem à tona a atração entre Jule e Jan. Nervos e desejos expostos. "O corpo é capaz de produzir drogas poderosíssimas e viciantes, como a paixão".

Produção
Hans Weingartner ainda não tinha cedido autorização para qualquer montagem de seu texto fora da Alemanha, mas se empolgou com o projeto da adaptação teatral no Brasil e fez questão de vir ao país em janeiro para acompanhar os preparativos finais e prestigiar a estreia carioca da peça, além de preparar um vídeo exibido antes do espetáculo.  “O vídeo fala sobre o jovem e a revolução, faz um paralelo de movimentos semelhantes aos Edukators pelo mundo”, explica Pablo Sanábio, que comprou os direitos para a montagem no Brasil. “O filme mexeu muito comigo pela capacidade, ainda que utópica, de conseguir mudar o mundo com uma revolução pacífica. Eu achava o ato deles extremamente teatral e por isso fiz questão de encenar aqui”.

O diretor João Fonseca é outro admirador do filme e logo se juntou ao projeto. “A história é surpreendente porque fala de jovens que ainda acreditam em mudar o mundo, que querem fazer uma revolução em pleno século XXI”. E a adaptação de Rafael Gomes mantém esse espírito: “Ele fez um trabalho admirável, porque consegue a proeza de ser absolutamente fiel ao filme, mas ser original ao mesmo tempo”, enaltece João. O próprio Rafael explica que procurou se equilibrar na tênue fronteira entre a liberdade e o respeito ao original: “Tive que criar muita coisa, preencher lacunas que o filme não abordava, ou abordava tangencialmente. Isso para a história manter-se rica, complexa e interessante no teatro. Mas tudo o que eu acrescentei, sob meu ponto de vista, está lá para corroborar a obra original”.
Rafael Gomes revela ainda que fazer essa adaptação foi uma tarefa árdua. “Foi como escrever uma peça inédita, mas ao mesmo tempo ter que contemplar diversos elementos já postos de antemão. Havia um filme de sucesso que eu não podia desonrar”, explica. “Além disso, não se trata de um filme ‘de texto’, é ‘de ação’ em termos de dramaturgia. A ação cinematográfica teve que ser contada em cena. E, ainda sim, manter tesas as cordas de tensão, com o público vendo tudo, sem a lógica de cortes e elipses do cinema”, complementa. "Estruturei as informações sobre o passado dos personagens em monólogos. A lógica temporal no cativeiro foi refeita. E o triângulo amoroso ganhou um peso maior. Eu transformei totalmente o filme para parecer que não mudei nada com o objetivo de fazê-lo virar uma peça", explica Rafael.
O espetáculo proporciona ainda uma grande experiência de interatividade, seja através de recursos multimídias ou de uma inusitada configuração da cena, que coloca o público em novo ângulo, podendo até mesmo tornar-se parte da encenação. No prólogo o público “invade” a mansão juntamente com os ‘Edukators’, quando só então assistem à continuação da história. Para João Fonseca, as novidades da encenação não alteram o foco principal: “é importante propor o novo, mas o foco tem sempre que estar nos atores e no texto, essa é a base do meu trabalho”.

Na versão brasileira, não há necessariamente uma delimitação espacial para a história: “A história não cria raízes, ela poderia se passar em qualquer grande centro urbano do mundo. Talvez na medida em que não trazemos para o Brasil, automaticamente fiquemos em Berlim, que é onde o filme está. Mas trazer para o Brasil é desnecessário e poderia soar forçado”, explica Rafael Gomes, que arremata: “Essa ideia do mundo como um lugar sem fronteiras, multiconectado, isso também é algo pertinente ao texto. Então, melhor que estejamos ‘no mundo’, mesmo! Porque, sim, o conflito humano (e político), tal qual focado na peça, faz com que o espaço seja um mero detalhe”.
A equipe da montagem brasileira de ‘Edukators’ tem direção de produção de Maria Siman, cenários de Nello Marrese, figurinos de Bruno Perlatto, vídeos de Paola Barreto, iluminação de Luiz Paulo Nenen, trilha sonora de Rodrigo Penna e preparação corporal de Rafaela Amado.
Mais do que simplesmente um filme ou uma peça, ‘Edukators’ é um retrato de uma geração, sob sua própria ótica, uma investigação sobre o que é ser jovem no início do século XXI. A revolução começa dentro de cada um, no dia a dia, na relação com o outro. “Algumas pessoas nunca mudam”. Outra afirmação presente no espetáculo que traz muito de esperança e desesperança. Realidade ou utopia? Acomodação ou revolução? Há escolha? A bomba cai diretamente no colo do público. Que cada indivíduo pense e fale por si!


Ficha Técnica:
Baseado no filme The Edukators, de Hans Weingartner, em parceria com Kahuuna Films
Dramaturgia Original: Rafael Gomes / Direção: João Fonseca / Direção de Produção: Maria Siman / Elenco: Edmilson Barros, Fabrício Belsoff, Natália Lage e Pablo Sanábio / Diretor Assistente: Diogo Liberano / Cenário: Nello Marrese / Iluminação: Luiz Paulo Nenen / Figurinos: Bruno Perlatto / Trilha Sonora: Rodrigo Penna / Direção de Movimento: Rafaela Amado / Produção Executiva: Luciano Marcelo e Gabriela Mendonça / Idealização do Projeto: Pablo Sanábio / Produtores Associados: Pablo Sanábio e Maria Siman / Produção: Primeira Página Produções Culturais e O Menino e as Ideias Entretenimento / Produção local: Rubim Produções/ Realização local em Belo Horizonte: Teatro em Movimento, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, viabilizado com o apoio cultural do Instituto Unimed-BH/ Realização local em Araxá: Teatro em Movimento, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo Circuito CBMM de Cultura.

Serviço BH – “Edukators”
Duração: 95 minutos / Classificação: 12 anos
Dia/horário: 15 de agosto - quinta-feira, às 20h
Local: Teatro Bradesco – Rua da Bahia 2244, Lourdes (613 lugares)
Ingressos: setores I e II - R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia entrada (conforme a lei)
Informações: (31) 3516.1027 / 3282.5420
Sites: www.teatroemmovimento.com.br / www.minastenisclube.com.br

Serviço Araxá – “Edukators”
Duração: 95 minutos / Classificação: 12 anos
Dia/horário: 17 de agosto - sábado, às 20h
Local: Teatro Municipal de Araxá - Avenida Antônio Carlos, no Centro /Araxá
Ingressos: Entrada gratuita. Retirada de ingressos na FCCB (a partir do dia 12/08) e Teatro Municipal (dia 17/08)
Informações: (34) 3691 - 7091
Sites: www.teatroemmovimento.com.br

Informações para a imprensa: AB Comunicação - (31) 3261.1501 – Jozane Faleiro - (31) 92046367 – jozane@ab.inf.br

TEATRO EM MOVIMENTO
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, foi criado há 12 anos, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para outros Estados e também pequenas cidades. Desde sua criação, foram mais de 170 peças e shows que somam mais de 492 apresentações. Inicialmente, atuando em Minas Gerais e seu entorno, o projeto levou à capital mineira e algumas cidades do interior, espetáculos com peso nacional, tendo no elenco atores como Bibi Ferreira, Thiago Lacerda, Vladimir Brichta, Glória Menezes, Antônio Fagundes, Nicete Bruno, Paulo Goulart, Marco Nanini, Luana Piovani, Lilia Cabral, Rodrigo Lombardi, Cláudia Raia, Marisa Orth, e muitos outros.  Dentre os espetáculos, que o projeto deslocou para a capital mineira, estão os premiados musicais “Gonzagão – a Lenda”, “Bibi Ferreira – Histórias e Canções”, “Farsa da Boa Preguiça”, “Beatles Num Céu de Diamantes” etc.
O projeto também já atuou em diversos Estados brasileiros, tendo sido co-realizador da circulação dos espetáculos do grupo Ponto de Partida nas cidades de Mariana (MG), São Luiz (MA), Vitória (ES) e Aracajú (SE).

Os resultados do projeto vão além da inclusão das cidades na circulação das montagens. A iniciativa possibilita a formação de um espectador mais crítico e de um público mais preparado e habituado a lotar as salas dos teatros. A ideia é consolidar o hábito de ir ao teatro e fomentar a cultura das artes cênicas, por isso os espetáculos acontecem ao longo do ano e não concentrados em um curto período como nos festivais. O teatro, sendo um agente de transformação social, é capaz de atuar como um difusor de idéias e de cultura podendo ser usado como um instrumento de comunicação. Para ratificar a potencialidade de transformação social e cultural do teatro e colocar em prática os objetivos do projeto, o Teatro em Movimento ainda promove sempre que possível oficinas gratuitas, palestras e workshops para profissionais da área e interessados. Dessa forma, cria-se uma rede de circulação de informação fortalecendo a possibilidade de sustentabilidade do setor cultural. 

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