segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Teatro em Movimento estreia em Araxá com o espetáculo “Edukators”, com Natalia Lage, Pablo Sanábio



Espetáculo marca a chegada do projeto a Araxá, em parceria com o Circuito CBMM de Cultura
Com direção de João Fonseca e adaptação de Rafael Gomes, montagem leva ao palco a estória que marca os anseios de uma geração por revolução e sua indignação diante da imobilidade frente às injustiças. “Edukators” tem única apresentação gratuita no dia 17, sábado, às 20h, no Teatro Municipal de Araxá

O Teatro em Movimento, em parceria com o Circuito CBMM de Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, leva para Araxá uma programação teatral, com entrada gratuita, no Teatro Municipal de Araxá, neste segundo semestre.  O projeto, criado há 12 anos, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, e com sede em Belo Horizonte, tem o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para outros Estados, em suas capitais e importantes cidades do interior.

A estreia em Araxá ocorre com o elogiado espetáculo “Edukators”, peça com os atores Natalia Lage, Pablo Sanábio, Edmilson Barros e Fabrício Belsoff, no dia 17 de agosto. Em seguida, chega ao município o premiado musical “Gonzagão – A Lenda” (foto abaixo), para duas apresentações, dias 14 e 15 de setembro. Ambos têm sucesso de público e crítica, em suas temporadas pelo Brasil. Em outubro, duas montagens encerram o semestre: dia 12, Dia das Crianças, sábado, o infantil “Uma Peça Que Eu Gosto”, com direção de Lucio Mauro Filho (o Tuco, da Grande Família) e de Duda Maia; e, no dia 13, “45 Minutos”, com o ator Caco Ciocler.



Edukators – 17 de agosto de 2013
 Adaptado do clássico do cinema alemão de Hans Weingartner, o espetáculo sintetiza a indignação de uma geração órfã de revoluções. Rebeldes contemporâneos, Jan e Peter se autodenominam os “educadores”, donos de uma revolução simbólica e pacifista: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e disseminam mensagens de protesto. Tudo vai bem até um erro crucial durante a invasão da mansão de um milionário, que leva a um sequestro. Em “Edukators”, o conflito de gerações costura o retrato de uma juventude que não acredita em nada, mas nitidamente sente falta das utopias. A adaptação para o teatro é de Rafael Gomes e direção de João Fonseca. O elenco é formado pelo quarteto Natália Lage, Edmilson Barros, Fabrício Belsoff e Pablo Sanábio.
O espetáculo – “Edukators”
“Seus dias de fartura estão contados”. Ameaça terrorista? Manifesto? Desejo de mudar o mundo? Utopia? A mensagem escrita em um bilhete e espalhada pelos ‘Edukators’ propõe uma revolução. Eles não se conformam com a desigualdade social, é preciso reverter à lógica capitalista, transformar o pensamento de cada indivíduo. É tempo de mudança, movimento. Os ‘Edukators’ nasceram no cinema, fruto da imaginação do roteirista e diretor austríaco Hans Weingartner, mas podem estar na sala ao lado. Realidade e ficção desatam os nós, rompem as fronteiras.
A criação de Hans Weingartner tornou-se um dos mais cultuados filmes dos últimos anos, uma espécie de manifesto da nova geração, carente de utopias e ideias, dividida entre a nostalgia de um espírito revolucionário e a aceitação do “fracasso” de movimentos que pregavam a justiça e igualdade social. O filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e narra à história de três jovens que vivem em Berlim e praticam uma série de ações pacifistas. Eles acreditam que podem mudar o mundo, se auto intitulam ‘Edukators’ e procuram espalhar sua indignação de forma pacífica, invadindo mansões para divulgar suas mensagens de protesto. Eles não roubam nada, apenas alteram os móveis de lugar, desconfiguram o espaço. O objetivo é confundir, ameaçar simbolicamente. A invasão é arrematada com um bilhete no qual se lê a frase-manifesto: “Seus dias de fartura estão contados”.
Elenco
Pablo Sanábio e Fabrício Belsoff vivem os Edukators Peter e Jan, respectivamente. Natália Lage é Jule, namorada de Peter, que acaba descobrindo tudo e propõe a invasão da casa do milionário Hardenberg (Edmilson Barros), a quem deve uma considerável quantia em dinheiro. Algo dá errado e eles são obrigados a sequestrar Hardenberg. Da convivência e embate entre esses quatro personagens brotam as mais belas reflexões do texto. “Cada coração é uma célula revolucionária”. A relação entre os três amigos também se altera, ainda mais quando vem à tona a atração entre Jule e Jan. Nervos e desejos expostos. "O corpo é capaz de produzir drogas poderosíssimas e viciantes, como a paixão".
Produção
Hans Weingartner ainda não tinha cedido autorização para qualquer montagem de seu texto fora da Alemanha, mas se empolgou com o projeto da adaptação teatral no Brasil e fez questão de vir ao país em janeiro para acompanhar os preparativos finais e prestigiar a estreia carioca da peça, além de preparar um vídeo exibido antes do espetáculo.  “O vídeo fala sobre o jovem e a revolução, faz um paralelo de movimentos semelhantes aos Edukators pelo mundo”, explica Pablo Sanábio, que comprou os direitos para a montagem no Brasil. “O filme mexeu muito comigo pela capacidade, ainda que utópica, de conseguir mudar o mundo com uma revolução pacífica. Eu achava o ato deles extremamente teatral e por isso fiz questão de encenar aqui”.
O diretor João Fonseca é outro admirador do filme e logo se juntou ao projeto. “A história é surpreendente porque fala de jovens que ainda acreditam em mudar o mundo, que querem fazer uma revolução em pleno século XXI”. E a adaptação de Rafael Gomes mantém esse espírito: “Ele fez um trabalho admirável, porque consegue a proeza de ser absolutamente fiel ao filme, mas ser original ao mesmo tempo”, enaltece João. O próprio Rafael explica que procurou se equilibrar na tênue fronteira entre a liberdade e o respeito ao original: “Tive que criar muita coisa, preencher lacunas que o filme não abordava, ou abordava tangencialmente. Isso para a história manter-se rica, complexa e interessante no teatro. Mas tudo o que eu acrescentei, sob meu ponto de vista, está lá para corroborar a obra original”.
Rafael Gomes revela ainda que fazer essa adaptação foi uma tarefa árdua. “Foi como escrever uma peça inédita, mas ao mesmo tempo ter que contemplar diversos elementos já postos de antemão. Havia um filme de sucesso que eu não podia desonrar”, explica. “Além disso, não se trata de um filme ‘de texto’, é ‘de ação’ em termos de dramaturgia. A ação cinematográfica teve que ser contada em cena. E, ainda sim, manter tesas as cordas de tensão, com o público vendo tudo, sem a lógica de cortes e elipses do cinema”, complementa. "Estruturei as informações sobre o passado dos personagens em monólogos. A lógica temporal no cativeiro foi refeita. E o triângulo amoroso ganhou um peso maior. Eu transformei totalmente o filme para parecer que não mudei nada com o objetivo de fazê-lo virar uma peça", explica Rafael.
O espetáculo proporciona ainda uma grande experiência de interatividade, seja através de recursos multimídias ou de uma inusitada configuração da cena, que coloca o público em novo ângulo, podendo até mesmo tornar-se parte da encenação. No prólogo o público “invade” a mansão juntamente com os ‘Edukators’, quando só então assistem à continuação da história. Para João Fonseca, as novidades da encenação não alteram o foco principal: “é importante propor o novo, mas o foco tem sempre que estar nos atores e no texto, essa é a base do meu trabalho”.
Na versão brasileira, não há necessariamente uma delimitação espacial para a história: “A história não cria raízes, ela poderia se passar em qualquer grande centro urbano do mundo. Talvez na medida em que não trazemos para o Brasil, automaticamente fiquemos em Berlim, que é onde o filme está. Mas trazer para o Brasil é desnecessário e poderia soar forçado”, explica Rafael Gomes, que arremata: “Essa ideia do mundo como um lugar sem fronteiras, multiconectado, isso também é algo pertinente ao texto. Então, melhor que estejamos ‘no mundo’, mesmo! Porque, sim, o conflito humano (e político), tal qual focado na peça, faz com que o espaço seja um mero detalhe”.
A equipe da montagem brasileira de ‘Edukators’ tem direção de produção de Maria Siman, cenários de Nello Marrese, figurinos de Bruno Perlatto, vídeos de Paola Barreto, iluminação de Luiz Paulo Nenen, trilha sonora de Rodrigo Penna e preparação corporal de Rafaela Amado.
Mais do que simplesmente um filme ou uma peça, ‘Edukators’ é um retrato de uma geração, sob sua própria ótica, uma investigação sobre o que é ser jovem no início do século XXI. A revolução começa dentro de cada um, no dia a dia, na relação com o outro. “Algumas pessoas nunca mudam”. Outra afirmação presente no espetáculo que traz muito de esperança e desesperança. Realidade ou utopia? Acomodação ou revolução? Há escolha? A bomba cai diretamente no colo do público. Que cada indivíduo pense e fale por si!
Ficha Técnica:
Baseado no filme The Edukators, de Hans Weingartner, em parceria com Kahuuna Films
Dramaturgia Original: Rafael Gomes / Direção: João Fonseca / Direção de Produção: Maria Siman / Elenco: Edmilson Barros, Fabrício Belsoff, Natália Lage e Pablo Sanábio / Diretor Assistente: Diogo Liberano / Cenário: Nello Marrese / Iluminação: Luiz Paulo Nenen / Figurinos: Bruno Perlatto / Trilha Sonora: Rodrigo Penna / Direção de Movimento: Rafaela Amado / Produção Executiva: Luciano Marcelo e Gabriela Mendonça / Idealização do Projeto: Pablo Sanábio / Produtores Associados: Pablo Sanábio e Maria Siman / Produção: Primeira Página Produções Culturais e O Menino e as Ideias Entretenimento / Produção local: Rubim Produções/ Realização local em Belo Horizonte: Teatro em Movimento, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, viabilizado com o apoio cultural do Instituto Unimed-BH/ Realização local em Araxá: Teatro em Movimento, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo Circuito CBMM de Cultura.

Serviço Araxá – “Edukators”
Duração: 95 minutos / Classificação: 12 anos
Dia/horário: 17 de agosto - sábado, às 20h
Local: Teatro Municipal de Araxá - Avenida Antônio Carlos, no Centro /Araxá
Ingressos: Entrada gratuita. Retirada de ingressos na FCCB (a partir do dia 12/08) e Teatro Municipal (dia 17/08)
Informações: (34) 3691 - 7091
Sites: www.teatroemmovimento.com.br
Informações para a imprensa: AB Comunicação - (31) 3261.1501 – Jozane Faleiro - (31) 92046367 – jozane@ab.inf.br

Sinopse dos espetáculos com programação em Araxá
“Gonzagão – A Lenda” – 14 e 15 de setembro, sábado, domingo, às 20h, com entrada gratuita no Teatro Municipal de Araxá
O centenário de Luiz Gonzaga é comemorado no palco com nove atores-cantores e quatro instrumentistas. Comovente, inovador e poético. Estas qualidades não explicam, mas resumem a adaptação de João Falcão da vida de Luis Gonzaga, o Rei do Baião, neste premiado musical.
O público vai do riso às lágrimas com facilidade, ao som de quase 40 canções, entre as quais, “Cintura Fina”, “O Xote das Meninas”, “Qui nem Jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa Branca”.  Para os mineiros, um momento especial, que mistura emoção e mágoa, no encontro de Gongazão e Gonzaguinha, que morou os últimos anos de sua vida em Belo Horizonte.  O musical recebeu os prêmios Shell na categoria Melhor Música 2012 e APTR na categoria melhor Produção de 2012.


 “Uma Peça Que Eu Gosto” – 12 de outubro, sábado, às 16h, com entrada gratuita no Teatro Municipal de Araxá
A genialidade das tramas de Shakespeare e a riqueza da cultura popular brasileira. Esses são os ingredientes básicos do espetáculo “Uma Peça Que Eu Gosto”, espetáculo com texto de Marcelo Morato e direção de Lucio Mauro Filho e Duda Maia, projeto da Companhia Histórias para Boi Dormir, que atua há mais de cinco anos na produção de espetáculos infantis e contação de histórias. No palco, três atores, Viviane Netto, Laura Telles e Leonardo Miranda, integram uma companhia de teatro mambembe, formada por duas atrizes profissionais (Desdemona Catarina e Cordélia Viola) e uma ator amador (Tróilo Cimbelino), que percorre o Brasil encenando peças de William Shakespeare com bonecos e música ao vivo. Os três atores vivem em constante conflito porque dificilmente entram em acordo sobre o que representar e que gênero teatral mais iria agradar o seu público. As paixões das personagens das peças de Shakespeare se embaraçam com as dos atores e espectadores. Em “Hamlet”, a história de um crime repulsivo leva um coronel culpado a se reconhecer  e a ameaçar os intérpretes, levando-os a fugir; o amor e ódio em “Romeu e Julieta” espelham os atritos que se acentuam dentro da companhia; e “A Tempestade” traz para eles o perdão e a reconciliação.
“45 Minutos” – 13 de outubro – domingo, às 20h, com entrada gratuita no Teatro Municipal de Araxá

Monólogo protagonizado por Caco Ciocler, um dos atores mais atuantes da televisão, cinema e teatro, “45 Minutos” é um texto escrito por Marcelo Pedreira, com direção de Roberto Alvim.
Sozinho em um palco vazio, um ator (Caco Ciocler) é obrigado a entreter o público por exatos 45 minutos (tempo mínimo estabelecido para a duração de um espetáculo teatral). Sem uma trama ou personagem no qual possa se amparar, o ator procura, desesperadamente, meios de preencher o tempo. Desejando ardentemente não estar ali, é obrigado a fazê-lo em troca de comida e de um lugar para viver (mora em um pequeno quarto nos fundos do teatro). Mas durante a obra, que se dá inteiramente em diálogo com o público presente, percebe que algo se evaporou, que a relação de uma obra de arte com a plateia não pode mais se desenhar segundo antigos pressupostos; estamos vivendo uma época para além de todo drama (no sentido clássico), e não sabemos (artistas e público) o que vem pelo caminho... Uma reflexão profunda acerca do lugar e do significado do teatro em nossos dias; uma experiência desconcertante, que abala e critica todos os fundamentos da cena.

TEATRO EM MOVIMENTO
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, foi criado há 12 anos, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para outros Estados e também pequenas cidades. Desde sua criação, foram mais de 170 peças e shows que somam mais de 492 apresentações. Inicialmente, atuando em Minas Gerais e seu entorno, o projeto levou à capital mineira e algumas cidades do interior, espetáculos com peso nacional, tendo no elenco atores como Bibi Ferreira, Thiago Lacerda, Vladimir Brichta, Glória Menezes, Antônio Fagundes, Nicete Bruno, Paulo Goulart, Marco Nanini, Luana Piovani, Lilia Cabral, Rodrigo Lombardi, Cláudia Raia, Marisa Orth, e muitos outros.  Dentre os espetáculos, que o projeto deslocou para a capital mineira, estão os premiados musicais “Gonzagão – a Lenda”, “Bibi Ferreira – Histórias e Canções”, “Farsa da Boa Preguiça”, “Beatles Num Céu de Diamantes” etc.
O projeto também já atuou em diversos Estados brasileiros, tendo sido co-realizador da circulação dos espetáculos do grupo Ponto de Partida nas cidades de Mariana (MG), São Luiz (MA), Vitória (ES) e Aracajú (SE).
Os resultados do projeto vão além da inclusão das cidades na circulação das montagens. A iniciativa possibilita a formação de um espectador mais crítico e de um público mais preparado e habituado a lotar as salas dos teatros. A ideia é consolidar o hábito de ir ao teatro e fomentar a cultura das artes cênicas, por isso os espetáculos acontecem ao longo do ano e não concentrados em um curto período como nos festivais. O teatro, sendo um agente de transformação social, é capaz de atuar como um difusor de idéias e de cultura podendo ser usado como um instrumento de comunicação. Para ratificar a potencialidade de transformação social e cultural do teatro e colocar em prática os objetivos do projeto, o Teatro em Movimento ainda promove sempre que possível oficinas gratuitas, palestras e workshops para profissionais da área e interessados. Dessa forma, cria-se uma rede de circulação de informação fortalecendo a possibilidade de sustentabilidade do setor cultural.


Nenhum comentário: